Moto Morini 1200 Corsaro ZZ

Paixão em estado puro

Motos- Apresentações

Por Paulo Ribeiro 14-04-2019 21:30

Marca histórica, de reputação forjada na competição e consolidada ao longo de décadas como um dos mais proeminentes fabricantes europeus, a Moto Morini volta a Portugal pelas mãos de novo importador, a portuense Garagem Central. Regresso no preciso momento em a marca da águia dourada promete enormes mudanças, graças à injeção de capital chinês que deverá garantir estabilidade e importante ampliação da gama nos próximos tempos. Verdadeiro renascimento, mais um em história muito atribulada, que, no entanto, não deverá alterar filosofia de fabrico 100% italiana. Na verdade são ‘apenas’ 99% mas já lá vamos…

Para começar, apreciação estética de naked que prima por caráter muito próprio, inconfundível num segmento onde pululam concorrentes de todos os quadrantes, da britânica Triumph Speed Triple (147 cv) às japonesas Suzuki GSX-S 1000 (138 cv) e Kawasaki Z1000 (142 cv) à italiana Ducati Monster 1200 (140 cv), as concorrentes mais diretas, sem esquecer as mais brutais BMW S1000 R, Aprilia Tuno V4, Yamaha MT-10 ou KTM 1290 Super Duke R. Linhas de marcante atitude aguerrida, condizente com o caráter impetuoso, do redesenhado duplo farol dianteiro em LED às vistosas saídas de escape. A volumetria mais acentuada no conjunto depósito/motor, com a traseira sobrelevada, guiador largo e poisa-pés em posição alta a contribuírem para imagem compacta e posição de condução agradável. Dentro do estilo, claro está! ‘Enrolados’ sobre a dianteira, em banco com distância ao solo mais própria de uma trail (justificada pela altura do bloco V2), encontramos bons dotes ergonómicos, com pernas fletidas em atitude naturalmente desportiva a garantirem bom controlo em curva. E que, sem prejuízo para a acessibilidade dos pés ao solo graças ao perfil esguio do selim, é mais confortável do que aparenta à primeira vista.

Também a suavidade e bom toque geral surpreende nos sistemas de embraiagem e travagem hidráulicos fornecidos pela Brembo, responsável também pelas pinças dianteiras M50 (monobloco e de fixação radial) de enorme progressividade e bom tato em cidade ou situações de trânsito, mas sem descurar terrífica potência de desaceleração digna de uma superbike. Note-se que o excelente sistema de ABS MP 9.1, desconectável, fornecido pela alemã Bosch é único componente estrangeiro nesta italiana. E temos ainda a suspensão como importante contributo para o bem-estar a bordo, sendo a imponente forqueta fabricada pela bolonhesa Mupo – com suporte inferior em alumínio maquinado e bainhas com tratamento DLC para maior resistência e menor fricção – a proporcionar um início de curso de grande sensibilidade, capaz de limar asperezas do asfalto maltratado e até das ruas em paralelo. Mas, sublinhe-se, sem nunca abdicar da necessária eficácia nos ritmos mais elevados, encaixando na perfeição com a estrutura em tubos de aço que serve de quadro e com possibilidade de regulações capaz de preencher os requisitos de todos os ‘pilotos’. Mesmo dos mais experientes candidatos ao Mundial de MotoGP…

Lista de equipamentos premium que continua com as jantes Brembo em alumínio forjado ou os pneus Pirelli Diablo Rosso III, de composto duplo, ajuda importante na eficácia e precisão em curva como na rapidez em mudanças de direção. Garantia de enorme agilidade e diversão que exige, numa segunda fase, bom acerto do mono amortecedor, regulável em todos os parâmetros incluindo a altura, para minimizar o aligeiramento da dianteira sob as mais fortes acelerações. E que acelerações! O bloco V2, naturalmente tímido em baixas rotações, reclamando com algumas vibrações e comportamento mais brusco, alegra-se em aceleração, sobretudo quando passa das 4000 rpm, com resposta melhorada da injeção Magneti Marelli controlada por centralina Athena (italiana, pois claro). Subidas de regime brutais, com controlo absoluto a cargo do punho direito, sem filtros eletrónicos, obrigando a boa dose de experiência para gerir a entrega de potência, sem deixar levantar a frente em demasia ou desperdiçar cavalos com o escorregar da roda traseira. Altura em que a versão mais recente do conhecido bloco Bialbero Corsa Corta, com provas dadas desde 2005, exprime-se em toda o esplendor, com forte rugido ampliado pelo escape especificamente criado pela Zard que, além de garantir cumprimento do Euro4 em termos de emissões e ruído, contribuiu para melhorias no consumo de combustível. E que exalta ruidosamente cada passagem da caixa de velocidades, onde a grande suavidade é ampliada pela embraiagem hidráulica de grande macieza pela assistência e com sistema deslizante que autoriza as reduções mais brutas. Em perfeita sintonia com a fogosidade e irreverência colocadas em elevado patamar numa moto que brilha pela cuidada montagem feita por artesãos qualificados. E cujo maior óbice reside na muito escassa proteção aerodinâmica oferecida pela minimalista carenagem frontal.

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