Para o Mokka X tudo podia ter sido diferente desde o início, mas o facto de ter sido classificado como Classe 2 nas portagens nacionais (eixo da frente com altura acima de 1,10 metros) fez abrandar a provável expectativa de sucesso, algo que se confirmou noutros mercados europeus. No entanto, esse contratempo deixa agora de existir e é ultrapassado graças à denominada lei de Mangualde, responsável pela mudança do critério atribuído à definição de Classe 1 ou 2 nas referidas portagens. O equívoco é desfeito porque o Mokka X passa a integrar a categoria de veículos que a partir deste ano não excedem... 1,30 m na altura do eixo da frente (tal como a nova geração de comerciais ligeiros do Grupo PSA produzidos na unidade de Mangualde...), segundo a norma de exceção adensada à legislação existente. Decreta-se assim que o utilitário-SUV da Opel passe a pagar Classe 1, entre tantos outros modelos, embora lhe seja exigido o pagamento por meio automático (Via Verde), como já acontece noutras exceções. Outra vida, outras possibilidades de êxito! Assim é.
Se o estigma acaba por desaparecer, subsiste a interminável luta de classe numa categoria preenchida por vários adversários difíceis, como é o caso do Countryman, cujo conceito (e dimensão) se equipara ao do Opel, embora revestido por uma fórmula tipicamente Mini e com imagem exclusiva, ainda mais na versão Sherwood Edition. Esta propõe mais equipamento standard pelo mesmo valor, numa vantagem que atinge 4150 € para o cliente. Mais por menos! E se o nome é sugestivo, a relembrar as florestas do lendário Robin dos Bosques, é plausível que não se esteja a vender gato por... lebre, sem beliscar sequer a imagem do célebre defensor dos desafortunados na velha Inglaterra.
O recheio é explícito, sendo possível destacar o volante desportivo em pele, as jantes especiais de 18’’, barras de tejadilho Silver, para-choques diferenciados (design exterior off-road), faróis Full-LED adaptativos e vidros atrás escurecidos, entre outros detalhes. O up-grade opcional é ainda operado através da pintura metalizada (Light White), dos bancos com formato desportivo (em tecido/pele) e da câmara à retaguarda. No Mokka X, a versão Innovation não fica atrás, tendo interior revisto e muito completo, ao qual é possível acrescentar alguns elementos de segurança ativa, como o alerta de faixa de rodagem e o aviso de colisão, incluídos no pack Opel Eye (por 500 €). Se se comparar tudo, há ligeira vantagem do Mini, muito por culpa da inclusão dos faróis Full-LED adaptativos, os quais custam 1100 € na lista do adversário. Mas, atenção, o Opel propõe o preço final mais baixo (menos 1500 €), mesmo quando se junta o custo de alguns opcionais presentes na unidade testada. Já agora, os intervalos entre revisões equivalem-se, assim como as garantias, embora à semelhança doutros Mini (e da BMW), o Countryman contempla manutenção gratuita durante 5 anos ou 100.000 km.
As mecânicas turbodiesel divergem nalguns aspetos essenciais (no número de cilindros, por exemplo), embora os resultados alcançados não sejam assim tão díspares. Já se sabe que a unidade tricilíndrica do Mini não é tão potente quanto a 1.6 CDTI da Opel (116 cv face a 136 cv), mas certas medições são equiparáveis, embora haja sempre vantagem do lado do Mokka X. Isso acontece nas acelerações principais e também nas recuperações (em especial na 5.ª relação, aí com notória desvantagem do Mini), tendo o motor CDTI melhor progressão nos regimes intermédios do que o do oponente.
Já a baixa rotação não há grande esforço, mas também aí o Mokka X se consegue distanciar perante o rival. Sempre melhor, embora não tenha a mesma condução! Já lá vamos...
Outra aferição parecida é a dos consumos médios, com valores próximos dos 6 litros/100 km (aditivo AdBlue e normativa de emissões Euro 6d-Temp). O automóvel da Opel consegue, por vezes, médias inferiores, mas como acontece no Countryman o ruído de funcionamento Diesel podia ser mais discreto, não entrando tanto no habitáculo. Neste último, além disso, a arquitetura de 3 cilindros não é nada estridente e a acústica pouco diverge da dos 4 cilindros do Opel.
Condução firme ‘à Mini’
As transmissões manuais associadas têm 6 relações, tendo o seletor do Mini engrenamento firme e preciso, ou seja, de tato mais duro, algo que também sucede ao nível da direção e dos pedais. Em suma, apesar do tamanho familiar (e do habitáculo prático), o Countryman conduz-se como um... Mini, tendo um comportamento mais reativo do que o Opel, algo que se traduz pela direção exata e pelo amortecimento direto, neste último caso sem grande prejuízo do conforto em estrada, exceção feita nos momentos em que enfrenta pisos maus. As reações do conjunto chassis/carroçaria permitem anular oscilações exageradas em curva, apesar da maior altura ao solo face aos Mini convencionais (a plataforma é a mesma dos BMW X1 e X2), numa atitude diferenciada da do Opel, este sim a revelar maior adorno nas trajetórias sinuosas/encadeadas, ainda assim sem inseguranças. É fácil entender que a distância ao solo está acima da de um Corsa, por exemplo, mas as atitudes dinâmicas são corretas, nada evasivas e de controlo fácil. Mas, por outro lado, a condução não tem o feeling da do Countryman, sendo menos entusiasta, quase banal! E isto apesar da limitação inerente às prestações do modelo britânico, que nem sequer dispõe da alternativa Modos de Condução nesta unidade. Com pneus Continental Conti Eco Contact5 215/60 R17, o Mokka X a jogo não é tão firme e... hirto ao nível da suspensão, algo que o conforto também agradece, especialmente nas estradas irregulares, tendo uma resposta civilizada nessas condições, mesmo sem anular certas batidas.
Resta dizer que o habitáculo do Opel é amplo q.b., mas o Countryman cresceu alguns centímetros nesta geração e é mais versátil. Sem estigmas...
O lançamento do Mokka (segmento B, mas com dimensões de categoria acima) ocorreu em finais de 2012, tendo sido atualizado em 2016 com o acréscimo da letra X. Diferente por fora e por dentro, mais espaçoso e com outros conteúdos, o SUV da Opel tem agora outra oportunidade no mercado nacional mediante a alteração da lei das portagens, passando a ser tributado como Classe 1. Essa mudança fará toda a diferença, abrindo até outras perspetivas, mesmo que o segmento esteja preenchido por vários concorrentes de peso. Neste embate face ao Mini Countryman (2.ª geração, 2017) não se porta nada mal, num duelo sem preconceitos, mas com diferenças...