A nova geração do Fiesta mantém a estrutura física que há muito conhecemos no utilitário, o que é o mesmo que dizer que mesmo sem emblema ou a designação do modelo na carroçaria, é fácil reconhecê-lo como um Fiesta. O que só pode ser algo de positivo, pois é elevada a taxa de repetentes na compra do utilitário da oval azul...
Visualmente, torna-se evidente que a grande revolução acontece no interior, ainda que um olhar mais atento denuncie alguma teimosia em alguns elementos, como veremos adiante. E revolução porquê? Simplesmente porque a Ford seguiu as tendências atuais e colocou um monitor tátil no centro do tablier, o qual permitiu eliminar quase 20 botões na consola central em relação ao modelo anterior. O resultado é uma imagem muito menos cansativa e utilização menos confusa que merece aplauso, tanto mais que o sistema de infoentretenimento é muito fácil de utilizar.
Por outro lado, já não gostámos tanto do desenho dos botões do volante e de alguns elementos da instrumentação, claramente decalcados das gerações anteriores e que proporcionam uma sensação de dejá-vu num habitáculo que se pretende novo e moderno. Do género: «tudo isto parece novo, mas onde é que eu já vi isto…». Além disso, há a realçar que a ergonomia é cuidada, com colocação correta de todos os elementos referentes à condução e à gestão do bem-estar e de informação, além da boa visibilidade geral para todos os ângulos, o que facilita sobremaneira a condução em qualquer ambiente, assim como as manobras de estacionamento.
Construção sólida
Depois, ficamos muito bem sentados em frente ao volante, com os bancos desportivos forrados em tecido (de série) a garantirem conforto e estabilidade, mesmo nas viragens mais fortes. Ao avaliar a qualidade, e tal como aconteceu em relação ao design, mais uma vez ficámos divididos: nota elevada para a borracha utilizada no tablier, mas nota apenas razoável para os plásticos rijos e pouco agradáveis ao toque na zona inferior do tablier, porta-luvas, prolongamento da consola central e portas. O Fiesta mostra solidez assinalável em quase todo o habitáculo, não sendo de esperar desgaste prematuro ou ruídos parasitas e merecendo até louvor pelo rigor da fixação do forro do teto, pouco comum em produtos deste segmento.
Espaço... 'nim'
Sobre a habitabilidade, e em comparação com alguns concorrentes, não há elogios a fazer ao Fiesta. Entramos, e a sensação é a de um espaço acanhado, sobretudo atrás; auxiliados pela fita métrica confirmamos a apreciação empírica. O comprimento para pernas nos bancos traseiros é diminuto (70 cm), enquanto a largura se fica por 1,20 metros. A altura, com 91 cm, é razoável.
A bagageira do utilitário da Ford tem mais 3 litros de capacidade que antes, e apenas 303 litros. Uma das razões para as limitações em termos de espaço do Fiesta é o aproveitamento da base rolante do modelo anterior, sendo que a distância entre eixos aumentou somente 4 mm. Poupa-se em investimento, perde-se alguma competitividade.
Motor enérgica, mas 'ai' a economia!
Onde o Fiesta tem trunfos muito importantes é nas mecânicas, nomeadamente nas versões equipadas com o premiadíssimo motor 1.0 EcoBoost, como é o caso da unidade que testámos, com variante de 125 cv do tricilíndrico. Confirmou a elasticidade e o pulmão que o fez famoso, sendo bem auxiliado pela bem escalonada caixa manual de seis velocidades para responder com desenvoltura à carga que colocámos no acelerador. Este motor utiliza-se por instinto, sendo fácil encontrar as zonas de maior força, o que contribui para uma condução cómoda e despachada em qualquer situação.
Só não ficámos muito convencidos com os consumos. A média do nosso teste foi de 6,7 l/100 km. É certo que há que alimentar 125 cv, os quais são até bastante trabalhadores, mas ainda assim consideramos o valor demasiado elevado. E claro que a coisa piora bastante se cedermos à tentação de ir à procura dos limites da mecânica e do chassis. É que o Fiesta tem tudo para despertar o piloto que há em nós...
Condução segura e divertida
O chassis do utilitário da Ford é um dos seus pontos mais fortes, mercê do grande equilíbrio na resposta às variações de direção e praticamente não adornando. Também aqui não há grande novidade, pois o Fiesta há muito que é considerado um dos utilitários mais divertidos de guiar graças à sua grande agilidade e rapidez de reação. Contudo, o alargamento das vias nesta geração aumentou os níveis de estabilidade independentemente da velocidade, transmitindo ao condutor ainda maior sensação de segurança e mais aderência à estrada.
Mas o que é ainda mais gratificante no Fiesta é o nível de conforto. Ou melhor, o tipo de conforto: o utilitário da Ford tem contacto com a estrada ao nível de segmento superior, muito semelhante aliás ao que encontramos em alguns produtos premium e que gostamos de chamar de «firmeza confortável», a qual se caracteriza por um contacto extremamente sólido com o asfalto, mas também contando com muito boa absorção das irregularidades do piso.