Para os fãs de automóveis, conduzir um Ford Mustang é um sonho tornado realidade! Nesta versão ‘básica’, com carroçaria Fastback e motor 2.3 turbo de 317 cv, custa menos do que o Mercedes C 250 d Coupé.
Símbolo da Ford? Não é necessário. Porque o Mustang encerra em si historial icónico e de personalidade distinta, que nem precisaria do cavalinho (da raça Mustang, claro está) a pular na grelha dianteira ou a correr na tampa da mala. O mesmo se passando com todo o ADN do modelo, que mesmo passados mais de 50 anos, mantém bem conservadas as bases e os traços que o ajudaram a escrever história entre os afamados Muscle Car americanos, tendo como rivais modelos como Dodge Charger ou Chevrolet Camaro.
Motor derivado do EcoBoost do Focus RS
Esta espécie de Porsche 911 à americana (enquanto mito), consegue importantes feitos em solo europeu. Consciente dos gostos dos clientes do Velho Continente, as afinações de suspensão são específicas, ao passo que sob o capot a marca como que se entregou a autêntica heresia ao colocar bloco sobrealimentado de quatro cilindros, com 317 cv retirados do 2.3 EcoBoost derivado do que equipa o Focus RS.
Pouco completa é a dotação tecnológica de segurança e assistências à condução. Mas, por este preço, não se pode ter tudo, estendendo-se as observações menos positivas aos plásticos utilizados no interior, mas que para os americanos representam... nada! Desde que lá estejam os dois suportes de copos (presentes!) e até bastantes locais de arrumo às pretensões radicais e desportivas, tudo perfeito.
Em carro com quase 5 metros de comprimento, parece que o espaço dedicado aos dois passageiros traseiros também passou ao lado na definição do caderno de encargos, onde qualquer um com cerca de 1,7 m irá bater com a cabeça no vidro posterior. Defeitos ou feitio? Cada um saberá de si... Os bancos dianteiros com ajustes parcialmente elétricos são cómodos e à frente dos olhos do condutor está o enorme capot que, em aceleração, tende a pontar ligeiramente em direção ao céu, como um cavalo selvagem erguendo as patas dianteiras.
Ótima motricidade
Parte deste feitio advém da conjugação das qualidades do motor 2.3 turbo e da ótima capacidade motriz, que para alguns até será em demasia! Mas o certo é que a Ford criou desportivo de grandes dimensões que se deixa guiar com à vontade, sem os temores que a portentosa imagem poderia inicialmente incutir. O volante bem que poderia ter diâmetro um pouco mais reduzido.
Como bom carro americano, mesmo de amortecimento mais firme e ao gosto europeu, o Mustang é cómodo e silencioso em autoestrada, embora nem nesse ambiente o consumo se afaste muito dos 9 litros aos 100 km. O motor 2.3 turbo, mesmo que bem conjugado com caixa manual de seis bem escalonadas relações, prefere rodar em regimes altos, altura em que o Mustang começa, realmente, a oferecer outro gozo, mesmo que a sonoridade fique muito aquém da que apuramos na versão V8... Mas refira-se que o motor é extremamente cooperante nos regimes inferiores, não só facilitando a utilização quotidiana, como a permitir que se rode a ritmos calmos.
Nada de extremismos desportivos!
Com chassis reforçado para aguentar muito mais potência, e mesmo que o conjunto seja relativamente leve, o Mustang refinado nasceu para ser eficaz e rápido, preferindo movimentos de volante decididos e trajetórias limpas para mostrar a sua raça de cavalo de corrida. Para o condutor está disponível completo pacote de afinações, sendo possível escolher entre quatro modos de condução e conjugá-los com a força a exercer no volante e com os modos do ESP, incluindo patamar que apenas desliga o controlo de tração.
Claro que querendo-se aproveitar as aventuras permitidas pela tração traseira, em trabalho conjunto com o autoblocante, e puxando-se pelas rotações, o Mustang ganha rebeldia, com as reações a merecer algum estudo. Até porque caso os pneus dianteiras aqueçam em demasia, teimam em agarrar-se ao alcatrão, exigindo mais trabalho (artístico) para soltar a traseira. O sistema de travagem surpreendeu pela positiva, quer na resistência, quer na potência; já o comando da caixa poderia ser um pouco mais preciso.
Olhando para a correta composição do equipamento de série, podendo-se optar por tejadilho em cor contrastante com a da carroçaria (508 €), lamenta-se a ausência de sensores de estacionamento (só há câmara traseira e sem aviso sonoro), além de que, querendo-se caixa automática, devido ao aumento exponencial nas emissões de CO2, encaixe noutro patamar fiscal que faz o preço aumentar 10 mil euros!