Ford Mustang 2.3 EcoBoost

'My little pony’

TESTE

Por Paulo Sérgio Cardoso 30-01-2018 00:16

Fotos: Gonçalo Martins

Para os fãs de automóveis, conduzir um Ford Mustang é um sonho tornado realidade! Nesta versão ‘básica’, com carroçaria Fastback e motor 2.3 turbo de 317 cv, custa menos do que o Mercedes C 250 d Coupé.

Símbolo da Ford? Não é necessário. Porque o Mustang encerra em si historial icónico e de personalidade distinta, que nem precisaria do cavalinho (da raça Mustang, claro está) a pular na grelha dianteira ou a correr na tampa da mala. O mesmo se passando com todo o ADN do modelo, que mesmo passados mais de 50 anos, mantém bem conservadas as bases e os traços que o ajudaram a escrever história entre os afamados Muscle Car americanos, tendo como rivais modelos como Dodge Charger ou Chevrolet Camaro.

Motor derivado do EcoBoost do Focus RS

Esta espécie de Porsche 911 à americana (enquanto mito), consegue importantes feitos em solo europeu. Consciente dos gostos dos clientes do Velho Continente, as afinações de suspensão são específicas, ao passo que sob o capot a marca como que se entregou a autêntica heresia ao colocar bloco sobrealimentado de quatro cilindros, com 317 cv retirados do 2.3 EcoBoost derivado do que equipa o Focus RS.

Pouco completa é a dotação tecnológica de segurança e assistências à condução. Mas, por este preço, não se pode ter tudo, estendendo-se as observações menos positivas aos plásticos utilizados no interior, mas que para os americanos representam... nada! Desde que lá estejam os dois suportes de copos (presentes!) e até bastantes locais de arrumo às pretensões radicais e desportivas, tudo perfeito.

Em carro com quase 5 metros de comprimento, parece que o espaço dedicado aos dois passageiros traseiros também passou ao lado na definição do caderno de encargos, onde qualquer um com cerca de 1,7 m irá bater com a cabeça no vidro posterior. Defeitos ou feitio? Cada um saberá de si... Os bancos dianteiros com ajustes parcialmente elétricos são cómodos e à frente dos olhos do condutor está o enorme capot que, em aceleração, tende a pontar ligeiramente em direção ao céu, como um cavalo selvagem erguendo as patas dianteiras.

Ótima motricidade

Parte deste feitio advém da conjugação das qualidades do motor 2.3 turbo e da ótima capacidade motriz, que para alguns até será em demasia! Mas o certo é que a Ford criou desportivo de grandes dimensões que se deixa guiar com à vontade, sem os temores que a portentosa imagem poderia inicialmente incutir. O volante bem que poderia ter diâmetro um pouco mais reduzido.

Como bom carro americano, mesmo de amortecimento mais firme e ao gosto europeu, o Mustang é cómodo e silencioso em autoestrada, embora nem nesse ambiente o consumo se afaste muito dos 9 litros aos 100 km. O motor 2.3 turbo, mesmo que bem conjugado com caixa manual de seis bem escalonadas relações, prefere rodar em regimes altos, altura em que o  Mustang começa, realmente, a oferecer outro gozo, mesmo que a sonoridade fique muito aquém da que apuramos na versão V8... Mas refira-se que o motor é extremamente cooperante nos regimes inferiores, não só facilitando a utilização quotidiana, como a permitir que se rode a ritmos calmos.

Nada de extremismos desportivos!

Com chassis reforçado para aguentar muito mais potência, e mesmo que o conjunto seja relativamente leve, o Mustang refinado nasceu para ser eficaz e rápido, preferindo movimentos de volante decididos e trajetórias limpas para mostrar a sua raça de cavalo de corrida. Para o condutor está disponível completo pacote de afinações, sendo possível escolher entre quatro modos de condução e conjugá-los com a força a exercer no volante e com os modos do ESP, incluindo patamar que apenas desliga o controlo de tração.

Claro que querendo-se aproveitar as aventuras permitidas pela tração traseira, em trabalho conjunto com o autoblocante, e puxando-se pelas rotações, o Mustang ganha rebeldia, com as reações a merecer algum estudo. Até porque caso os pneus dianteiras aqueçam em demasia, teimam em agarrar-se ao alcatrão, exigindo mais trabalho (artístico) para soltar a traseira. O sistema de travagem surpreendeu pela positiva, quer na resistência, quer na potência; já o comando da caixa poderia ser um pouco mais preciso.

Olhando para a correta composição do equipamento de série, podendo-se optar por tejadilho em cor contrastante com a da carroçaria (508 €), lamenta-se a ausência de sensores de estacionamento (só há câmara traseira e sem aviso sonoro), além de que, querendo-se caixa automática, devido ao aumento exponencial nas emissões de CO2, encaixe noutro patamar fiscal que faz o preço aumentar 10 mil euros!

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Ficha Técnica

Caracteristicas

FORD MUSTANG

2.3 Ecoboost

Motor
Arquitetura 4 cilindros em linha
Capacidade 2261 cc
Alimentação Injeção direta, Turbo, Intercooler
Distribuição 2 a.c.c./16 v
Potência 317 cv/5500 rpm
Binário 432 Nm/3000 rpm
Transmissão
Tração Traseira
Caixa de velocidades Manual de 6 velocidades
Chassis
Suspensão F Ind. Duplos triângulos
Suspensão T Eixo multibraços
Travões F/T Discos ventilados
Direção/Diâmetro de viragem Elétrica/12.2 m
Dimensões e Capacidades
Compr./Largura/Altura 4,784/1,916/1,381 m
Distância entre eixos 2,72m
Mala 408 litros
Depósito de combustível 59 litros
Pneus F 9jx19-255/40 R19
Pneus T 9jx19-255/40 R19
Peso 1730 kg
Relação peso/potência 5,5 kg/cv
Prestações e consumos oficiais
Vel. máxima 234 km/h
Acel. 0-100 km/h 5,8 s
Consumo médio 8 l/100 km
Emissões de CO2 179 g/km
Garantias/Manutenção
Mecânica 2 anos sem limite km
Pintura/Corrosão 3/12 anos
Intervalos entre revisões 20000 km
Imposto de circulação (IUC) 232,35 €

Medições

FORD

Acelerações
0-50 km/h 2.2 s
0-100 / 130 km/h 6 s
0-400 / 0-1000 m 14.5/26.6 s
Recuperações
40-80 km/h 3.ª 4.1 s
60-100 km/h 3.ª/4.ª/5.ª 3.9/5/6.6 s
80-120 km/h 4.ª/5.ª/6.ª 5.5/7.1/9.4 s
Travagem
100-0/50-0km/h 35.3/9.5 m
Consumos
Consumo médio 10.7 l/100km
Autonomia 551 km

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