A ‘fórmula’ parece resultar: as versões Stepway já representam mais de 50% do total de vendas da gama Dacia no nosso país; mais de 60% das vendas do popular Sandero são Stepway e cerca de metade dos monovolumes Lodgy entregues têm o badge que distingue esta variante mais ‘aventureira’. No Logan MCV, além da distância ao solo aumentada em 5 cm, o suficiente para encarar estradões de terra batida com outro à vontade, há as habituais aplicações laterais em plástico que protegem a carroçaria de pedradas ou da vegetação mais densa. Na dianteira e na traseira, as proteções são em cromado acetinado, iguais às barras de tejadilho longitudinais, que são de série e que lhe conferem ar mais modernaço, apesar das linhas sóbrias e sem grandes truques de estilo. Menos ‘morna’ está também a apresentação do interior, mesmo sem inovações importantes. Além dos logótipos específicos que identificam a série Stepway nos encostos dos redesenhados bancos, a grande novidade é mesmo o muito prático ecrã táctil de sete polegadas para controlar quase todas as funções do sistema MEDIA Nav Evolution, com tecnologia Bluetooth e navegação com visualização 2D e 3D (birdview).

Depois, há novos materiais na consola central, novos revestimentos nas portas e um novo volante de quatro braços. Existe agora uma bolsa de arrumação para telemóvel, um porta-objetos na parte lateral da consola e um novo espaço para uma garrafa na consola central. Atrás, os passageiros passam a ter disponível uma tomada de 12 V para carregamento de dispositivos portáteis. Mas, em ergonomia não se poderá pedir o mesmo apuro da relação com o preço. Aliás, é assumida a imagem de menor modernidade ou mesmo de inferior qualidade de construção e montagem, com privilégio à simplicidade em detrimento do supérfluo. A funcionalidade continua a ser a característica dominante, destacando-se a instrumentação simples e intuitiva, tanto na legibilidade como no manuseamento. E se a qualidade do interior se mantém condizente com o posicionamento de baixo custo do modelo, no espaço para os passageiros e na bagageira não há poupança…

A mais acessível carrinha do segmento B, apresenta cotas habitáveis de fazer inveja a alguns dos melhores players na categoria acima, espacialmente desafogada em comprimento, sobretudo no espaço para pernas dos passageiros traseiros. Mais trunfos de ordem racional, mala com bons acessos e capacidade para ótimos 573 litros (mais 52 litros que na mala da carrinha Mégane, por exemplo…), volumetria que pode ser aumentada até aos 1.518 litros com o rebatimento dos bancos traseiros. A versão mais aventureira do Logan MCV apresenta-se com recurso conhecido sob o capot, o motor 1.5 dCi de 90 cv e 220 Nm, que está acoplado a caixa manual de 5 velocidades bem escalonada, mas com seletor que não é brilhante em precisão. Felizmente, o motor facilita o trabalho da transmissão, pois há força em todos os regimes. O bloco não é o mais refinado, mostrando-se sempre audível, também revelando insonorização insuficiente.
Dinamicamente, a carrinha romena destaca-se por apresenta pisar sólido, com alguma estabilidade, mesmo mostrando comprometimento exagerado com a comodidade, que tem como consequência oscilações desestabilizadoras da carroçaria. O amortecimento também é macio, com ligações ao solo de curso bastante amplo, sobressaindo a competência para filtrar as irregularidades do piso, mesmo no trem posterior que monta esquema simplista com eixo de torção. E, atenção, à medida que a superfície em que roda se torna mais irregular, menos parece sofrer com vibrações e algumas sacudidelas mais secas, reforçando a perceção de solidez estrutural de produto que foi pensado para… resistir. Só a direção, não convence, durinha e pouco informativa, demasiado filtrada.