O Duster está profundamente mudado, e ainda mais a variante nacional. Sim, à portuguesa, porque há uma alteração fundamental que apenas diz respeito ao nosso mercado, em virtude do critério que classifica a classe dos veículos nas portagens das autoestradas.
Assim, foi preciso que a Dacia desse um jeitinho na suspensão à frente e a rebaixasse até se chegar à altura exigida pelas concessionárias na atribuição de Classe 1, nada menos do que 1,10 metros medidos à vertical do eixo dianteiro. Evita-se, então, que este best-seller, espécie de SUV/TT, não seja castigado como Classe 2 (o que faz toda a diferença...), mesmo que haja perspetivas de mudança (em breve) desse critério.
Para esse efeito, a alteração executada é de fábrica e reside na aplicação de amortecedores específicos com apoios de molas rebaixados em 20 mm (à frente), num processo que também reduziu a altura ao solo de 21 cm para 18,6 cm e afetou o ângulo de ataque em TT: 27º em vez de 30º, sendo este último valor indicado para as versões 4x4, por exemplo. Nada de grave!
A atuação e o curso das molas varia em função do peso de cada versão (motor e equipamento oblige) e essa especificação exigiu homologação europeia diferenciada. Nada que o Duster não mereça, tendo em conta o sucesso! Em teoria, aliás, essa mexida projetará uma melhor atitude dinâmica, aproximando-o mais do asfalto, uma vez que o centro de gravidade é elevado. Mas, já se sabe, não há milagres e as reações obtidas em autoestrada testemunham essa característica, dando conta da sensibilidade a ventos laterais quando se circula depressa, a par da pouquíssima precisão da direção nos golpes repentinos. Caso seja provocada, a nova direção é demasiado leve nesses casos e faz balançar a carroçaria, gerando uma certa instabilidade. A baixa velocidade não é assim, sendo que a assistência elétrica propõe menos esforço do que antes (35%), pelo que as manobras são mais fáceis. Outra excelente surpresa é o comportamento fora do alcatrão, quer pelos ângulos TT e altura ao solo, quer pelo conforto obtido em estradões de terra duros e exigentes. Grande Duster!
Mantém a tradicional solidez estrutural, agora reforçada em várias zonas com aplicação doutro tipo de materiais (no vão do motor, por exemplo, que até abre com amortecedores) e maior espessura de vidros e do para-brisas. A insonorização a bordo foi aperfeiçoada e o ruído de estrada não é elevado, apesar das ressonâncias provocadas pelos retrovisores e pelas barras (cromadas) no tejadilho. Com jantes em liga leve de 17’’ e pneus Bridgestone Dueler 215/60, as reações são firmes em mau piso, numa atitude que continua no asfalto liso, sem beliscar o conforto. A solução à tuga também origina esse tipo de acerto. Firme e hirto! Pena que a direção não tenha resposta mais precisa. Nesta versão dCi, esse sintoma, aliás, até é mais atenuado ( ao TCe de 125 cv) e a carroçaria oscila menos quando se ataca o volante sem critério, até porque as reações a curvar são previsíveis. Conduz-se bem e as travagens a fundo não correm nada mal, sem afundanço da dianteira ou bloqueio (ABS oblige). O bloco dCi 110 é vivaço, nada aborrecido e as prestações encontram-se num bom plano, bem ajudadas pela caixa manual (nada longa e precisa q.b.). Com modo ECO ligado o consumo coloca-se entre 5,2 e 5,6 l/100 km. E, como é costume, o preço não admite rivais. Baixo!