A Audi tem automóvel novo no topo da gama de Sport Utility Vehicles (SUV). Chama-se Q8, nome que associamos ao A8, instantaneamente, a limusina mais exclusiva na gama do fabricante do Grupo VW. A base técnica é a mesma da 2.ª geração do Q7, de 2015, a plataforma MLB – também a arquitetura de Bentley Bentayga, Lamborghini Urus, Porsche Cayenne e VW Touareg. Os dois modelos da marca dos quatro anéis são muito semelhantes nas dimensões exteriores (5,052 m de comprimento e 2,994 m entre eixos para o 7, 4,999 m e 2,995 m, respetivamente, para o 8.) e nos conteúdos/recursos, mas desenhos e posicionamentos diferenciam-nos q.b., cumprindo-se, por isso, condição para a hipótese de coabitação num segmento de elite onde o consórcio alemão tem mão-cheia de trunfos.
O sucesso do X6, o precursor da arquitetura do SUV-Coupé, e a manutenção do ritmo de crescimento do formato em todos os segmentos importantes explicam o investimento em modelo que proporcionará mais vendas do que o A8, estima a Audi. No frente a frente com o Q7, obrigatório!, o Q8 diferencia-se pela imagem da carroçaria, muito mais desportiva – é o 1.º produto do género desenhado pelo patrão do design do emblema de Ingolstad, Marc Lichte. E eis a razão para a estreia de linguagem nova, com a combinação de grelha maior no rosto com linhas inspiradas no Quattro campeão nos ralis na década de 1980! Um ícone...
No Q8, lotação limitada a cinco passageiros – na verdade, recomendam-se só dois atrás, devido à largura limitada do lugar central, defeito que partilha quer com o BMW X6, quer com o Mercedes-Benz GLE. No Q7, até sete ocupantes... Todavia, cumprindo-se a recomendação, conforto formidável, sobretudo desfrutando-se de funcionalidades como a regulação longitudinal do assento (até 10 cm, no máximo) ou o ajuste da inclinação do encosto nos bancos posteriores. A mala tem 605 litros, capacidade aquém da do Q7: na variante de 5 lugares, armazém de carga com 890 litros! Em qualquer dos casos, possibilidade de rebatimento dos encostos traseiros, ação que aumenta sobremaneira a capacidade da bagageira do Q8, esticando-a para 1755 litros. O portão possui comando elétrico e a chapeleira recolhe automaticamente – acesso ao espaço e operações de carga e descarga ainda mais fáceis.
Na Audi, digitalização do automóvel prioritária. Afirma-o na geração nova de produtos, com o Q8 como expressão dessa orientação. No painel de bordo, Virtual Cockpit, nome do quadro de instrumentos digital (e, por isso, reconfigurável, com a personalização da apresentação de acordo com as preferências individuais do condutor). Somem-se-lhe os dois monitores táteis e a cores para controlo simples dos principais equipamentos e sistemas da viatura. O superior tem 10,1’’ e controla o info-entretenimento. O inferior, mais pequeno (8,6’’), integra climatização e aquecimento dos bancos dianteiros, entre outras funções. No segundo, todos os movimentos são acompanhados por clicks... Estes sinais sonoros, apoiados pela organização intuitiva de menus e submenus, permitem seleção de funções com os olhos na estrada, o que elogiamos, pelo contributo direto para a segurança.
De momento, a gama Q8 tem apenas o V6 3.0 TDI de 286 cv que testámos. Esta versão 50 TDI, no domínio da mecânica, sobressai, positivamente, pela qualidade de motor com fôlego acima da média tanto nas acelerações, como nas recuperações (demonstrou-o nas medições, que encontra inscritas na ficha técnica), é muito moderado no consumo (média real de 9,6 l/100 km), conduzindo-se de forma despreocupada, mas sem o pedal do acelerador em baixo e nunca produz ruídos e vibrações, pelo menos em excesso. A caixa contribui para esta avaliação. Trata-se de sistema automático de 8 velocidades, que inclui modo Sport que acelera o ritmo de passagem das relações, introduzindo-as em regimes mais reduzidos, além de função manual ativada de modo sequencial em patilhas (maiores, precisam-se!) no volante.
O Q8 dispunha de Pacote Desportivo S Line (7595 €) com rodas de 21’’ (pneus de verão Hankook Ventus S1 evo3, ou construtor sul-coreano a produzir equipamento para topo de gama alemão...) e suspensão pneumática adaptativa específica. Esta combinação não beliscava o conforto, pelo menos rolando-se sobre pisos regulares, garante precisão na condução e limita os movimentos da carroçaria em curva, durante transferências de massa, o que beneficia a agilidade.
Dispondo-se de suspensão adaptativa desportiva, regulação da altura ao solo de forma automática ou por ação do condutor. Adicionalmente, o Audi drive select ganha modo de condução suplementar (Offroad), que é somado aos programas allroad, comfort, efficiency, auto, dynamic e individual que encontramos em todos os Q8. Em autoestrada, a altura livre ao solo é de 164 mm. Aventurando-nos fora do asfalto, altura máxima de 254 mm, alguma capacidade de transposição de obstáculos – mas, muito cuidado, ou pintura arruinada. O Audi que testámos tinha outro extra que recomendamos, por beneficiar a aptidão do chassis e melhorar a experiência de condução: eixo traseiro autodireccional (1370 €)… As rodas posteriores movimentam-se até 5º na direção oposta ao movimento das dianteiras, simulando diminuição da distância entre eixos, para maior agilidade, ou até 1,5º na mesma direção, aumentando a distância entre eixos, virtualmente, para mais estabilidade direcional.