A Hyundai renovou imagem e conteúdo do i20, produto do segmento B que muitos lucros tem granjeado à marca sul-coreana. Desde 2014, no lançamento da segunda geração, que o utilitário tem vindo sempre a aumentar o seu volume de vendas, sendo que o fabricante acredita que esta lavagem será fundamental para o crescimento da representatividade do produto no segmento.
Testámos a versão 1.2 MPI de 84 cv, uma das quatro propostas a gasolina para o i20. Diesel, não há. Não deixa de ser interessante a aposta da Hyundai na já velhinha mecânica atmosférica de quatro cilindros em simultâneo com o 3 cilindros sobrealimentado 1.0 TGD-I de 100 cv ou 120 cv, ambos vendidos por preços equivalentes, e quando a maior parte da concorrência aposta já em soluções destas, ou seja, mais modernas.
Em relação ao 1.2 MPI, que já tão conhecido é, há que relembrar que o seu maior trunfo é mesmo a suavidade de funcionamento, sendo as vibrações e o ruído muito contidos. Vantagens dos 4 cilindros... Por outro lado, o agradável refinamento não se traduz em agradabilidade de condução ou eficácia, muito por responsabilidade da pouca fluidez entre caixa e embraiagem, que torna difícil encontrar o melhor ponto, impedindo arranques suaves. Depois, a caixa tem escalonamento muito longo, obrigando a levar amiúde a mão ao seletor de caixa à procura de maior energia, até porque o 1.2 é pouco expedito abaixo das 3000 rpm... E que dizer das recuperações acima da 3.ª velocidade a não ser que exigem uma paciência de santo? Pois, é isso mesmo que queremos dizer: são demoradas que dói. Ora, se a ideia é beneficiar os consumos, temos a dizer que também isso não é plenamente conseguido. Vejamos: a rolar numa estrada nacional em 5.ª velocidade, a ritmo contido, sem variações de maior, os consumos ficarão certamente abaixo dos 5 litros aos 100 quilómetros. Contudo, no caso de variações mais frequentes no andamento, enfrentando subidas, por exemplo, e exigindo mais trocas de caixa, então... upa upa!, a coisa sobe facilmente para médias na casa dos 7 ou 8 litros. Contas feitas, com a correspondente quilometragem efetuada em cidade e autoestrada, apurámos média de 7,6 l/100 km, um valor exagerado às prestações do i20 1.2 MPi e que confirma que menos potência não representa maior consumo.
Dentro do que conseguimos exigir ao chassis às limitações da mecânica, temos a dizer que se mostrou sempre à altura das provocações, fazendo do i20 um automóvel estável, fácil de manusear e seguro, afinal aquilo que de mais importante se pede a um utilitário.
Mais relevante nos produtos deste segmento é o conforto, e nisso o i20 cumpre com nota alta, revelando solidez incomum no segmento no contacto com o asfalto, com a suspensão a lidar muito bem com qualquer tipo de irregularidade ou degraus na estrada. E sim, quando falamos em degraus referimo-nos às lombas.
Por fim, referência ao habitáculo sólido e aparentemente imune a ruídos parasitas durante bastante tempo, pese embora a larga maioria de plásticos rijos que compõem o espaço. Referência para a boa posição de condução e também para a menos boa colocação do ecrã de 7’’ – devia estar posicionado um pouco mais acima na consola central, evitando que o condutor tenha que desviar tanto os olhos da estrada para o operar –, que integra funcionalidades de multimédia e conectividade e compatível com Apple Car Play e Android Auto.
Na unidade que testámos, vestida com nível de equipamento Style Plus, devemos realçar a riqueza do recheio, que inclui, por exemplo, sistema de Aviso de Saída Faixa de Rodagem (LDWS), item pouco frequente no segmento.