Jeep Cherokee 2.2 TD 4X2 AT9 Limited

Quarentão em forma

TESTE

Por João da Silva 24-12-2018 09:00

Fotos: Gonçalo Martins

A imagem do Cherokee foi perdendo identidade ao longo dos anos (e passaram já 44 desde o lançamento do modelo original!), mantendo apenas a grelha com sete barras verticais típica dos modelos Jeep como réstia de uma alma que se foi perdendo em nome da consensualidade ou, para sermos mais claros, para agradar ao maior número de pessoas possível. O que é comum vende, essa é que é essa. Não queremos com isto dizer que o Jeep Cherokee é pouco atrativo, nada disso, mas a verdade é que não fosse a já referida grelha e toda a história visual do SUV norte-americano teria desaparecido.

Nesta atualização, há que realçar os retoques no habitáculo, onde encontramos novos e melhores materiais e maior rigor na montagem, parecendo realmente feito para durar sem ruídos parasitas importantes, o que revela o esforço da Jeep em procurar uma realidade bastante diferente daquela que caracteriza muitas marcas americanas.

Referência ainda para a nova arrumação da consola, com o botão do travão elétrico de estacionamento a posicionar-se agora na moldura do seletor da caixa de velocidades, e para a colocação das patilhas para troca de relações (nas versões de caixa automática) no volante. De notar que dependendo do nível de equipamento, o novo Jeep Cherokee pode ser equipado com ecrã TFT de 7 ou 8,4 polegadas no painel de instrumentos. Nesta unidade aqui analisada, com nível Limited, ecrã de 7’’. Para gerir o sistema de navegação, o computador de bordo, os alertas de segurança, o cruise control adaptativo Plus e o sistema áudio Beats, tudo de série, há ecrã tátil de 8,4’’ no topo da consola central, muito intuitivo e fácil de operar.

De resto, o Cherokee continua a ser um carro espaçoso, transportando cinco pessoas em condições de conforto bastante boas. A bagageira tem volumetria variável entre 448 e 570 litros, consoante a posição dos bancos traseiros, sendo valores perfeitamente adequados a este tipo de automóvel. Os bancos posteriores rebatem na proporção 60:40, mas não há informação sobre o valor da bagageira com a carroçaria na configuração de dois lugares.

Registe-se, também, que não há versão de sete lugares, uma lacuna que consideramos muito importante no automóvel norte-americano.

Quanto a motores, o Cherokee está disponível em Portugal com o 2.2 MultiJet II Turbodiesel, mecânica com dois patamares de potência, 150 ou 195 cv. No primeiro caso, só com caixa manual de 6 velocidades, o segundo com caixa automática de 9 relações. A transmissão pode ser dianteira ou integral em ambas as motorizações.

Testámos a variante mais potente, com tração dianteira, uma proposta que se destaca de forma muito negativa pelo ruído de funcionamento elevado, sobretudo acima das 2500 rpm. Mas atenção, esse ruído estapafúrdio não aparece somente em aceleração, mas também ao ralenti. Confessamos que há muito tempo que não conduzíamos automóvel com motor tão barulhento…

Depois, a aceleração não é nada de extraordinário para um automóvel com 195 cv, cumprindo 0-100 km/h em 9,5 segundos. Um pouco mais convincentes são as recuperações, mas ainda assim nada de fantástico tendo em conta os 450 Nm de binário máximo. É certo que o Cherokee não é um peso-pluma (1830 kg), mas esperávamos melhor. E o que dizer da caixa automática de nove velocidades, hesitante como vimos poucas. Acelerando forte, ela fica a pairar, tornando cada ultrapassagem numa crise de nervos, pois caixa e turbo demoram a responder. A baixa velocidade ou nos arranques, a coisa não é muito melhor, como se prova pelo 0-50 km/h em 3,5 segundos. Como ponto mais positivo, encontrámos a suavidade a baixa rotação. Para finalizar a apreciação ao motor/caixa, o consumo: apuramos 7,5 l/100 km de média, não muito longe do valor anunciado (6,1 l/100 km), o que não ameniza o facto de ser exagerado.

Na condução, a nossa apreciação melhora bastante. Não é um automóvel com filtragem irrepreensível na passagem por buracos ou lombas sonoras, transmitindo ao habitáculo boa dose de energia resultante do impacto, mas não consideramos que isso seja um defeito importante, até porque é suave e silencioso no contacto com asfalto em bom estado. Por outro lado, sobre a dinâmica, é certo que a carroçaria rola em curvas de maior apoio e a velocidade elevada, mas numa condução em ritmos normais, sem exageradas e provocadoras oscilações de direção, o Cherokee revela-se bom de guiar, com direção certinha e travões bem afinados.

Por fim, referência para os equipamentos de segurança de série, que incluem o pack Touring: cruise control ativo, aviso de transposição de faixa de rodagem Plus, alerta de colisão frontal Plus e sistema de travagem avançado.

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Ficha Técnica

Caracteristicas

JEEP CHEROKEE

2.2 TD 4X2 AT9 LIMITED

Motor
Arquitetura 4 cilindros em linha
Capacidade 2184 cc
Alimentação Inj. direta CR, TGV, Intercooler
Distribuição 2 a.c.c./16v
Potência 195 cv/3500 rpm
Binário 450 Nm/2000 rpm
Transmissão
Tração Dianteira
Caixa de velocidades Automática de 9 velocidades
Chassis
Suspensão F Ind. McPherson
Suspensão T Ind. McPherson
Travões F/T Discos ventilados/Discos
Direção/Diâmetro de viragem Elétrica/11,6 m
Dimensões e Capacidades
Compr./Largura/Altura 4,623/1,859/1,669 m
Distância entre eixos 2,705m
Mala 448 - 570 litros
Depósito de combustível 60 litros
Pneus F 7,5jx18 - 225/55 R18
Pneus T 7,5jx18 - 225/55 R18
Peso 1834 kg
Relação peso/potência 9,4 kg/cv
Prestações e consumos oficiais
Vel. máxima 205 km/h
Acel. 0-100 km/h 9,1 s
Consumo médio 6,1 l/100 km
Emissões de CO2 161 g/km
Garantias/Manutenção
Mecânica 2 anos sem limite km
Pintura/Corrosão 3/12 anos
Intervalos entre revisões 20000 km
Imposto de circulação (IUC) 255,71 €

Medições

JEEP

Acelerações
0-50 km/h 3,6 s
0-100 / 130 km/h 9,5 s
0-400 / 0-1000 m 16,9 s
Recuperações
40-80 km/h (D) 3,8 s
60-100 km/h (D) 5,2 s
80-120 km/h (D) 6,1 s
Travagem
100-0/50-0km/h 39/9,1 m
Consumos
Consumo médio 7,5 l/100km
Autonomia 800 km

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