O Stonic é automóvel compacto, moderno e de linhas irreverentes, com que a sul-coreana Kia quer combater os sucessos emocionais de Nissan Juke ou Renault Captur. Foi modelo elaborado segundo os padrões do mercado europeu, onde o fabricante asiático quer impor-se definitivamente pela imagem. Não só a de enorme fiabilidade, que passa com a oferta de garantia de 7 anos ou 150 mil quilómetros, também a que é conferida pelo design com bons rasgos de originalidade e a boa dose de irreverência numa embalagem de medidas compactas: 4,1 metros de comprimento é quase o mesmo do que o Soul e menos 30 cm que o Sportage. Sem esquecer trunfos como a funcionalidade e uma ótima relação preço/equipamento.
No interior, espaço q.b. para acolher cinco ocupantes. Quatro adultos viajam em ótimas condições de conforto, mas o quinto já tem de negociar o espaço em largura nos lugares posteriores, como acontece na maioria dos concorrentes. Acreditamos que um desenho mais irreverente do painel de bordo (copiado do Rio) combinaria melhor com as linhas modernas da carroçaria, mas a marca coreana preferiu a aposta num desenho simples e um painel de bordo com poucos botões, sobressaindo os comandos rotativos para controlo do sistema de ventilação. Pelo menos assim, o que perde em originalidade, ganha na ergonomia impecável.
Os acabamentos são cuidados e a junção entre os elementos está bem feita, o que impede que os plásticos duros que compõem grande parte de cockpit possam ser fonte de ruídos parasitas. E o recheio em matéria de itens de conforto é completo, integrando elementos como o cruise control, o ar condicionado ou as práticas ligações Bluetooth ou USB, sistema de navegação e ecrã tátil (7 polegadas) e câmara de estacionamento traseiro.
Nesta versão ensaiada, que é a mais recheada da gama a gasolina, o mais competitivo tricilíndrico da gama, com turbo, de um litro de cilindrada e 120 cv, surge associado a caixa automática 7DCT de sete relações. Casamento feliz.
O motor T-GDI, que foi aplicado pela primeira vez no Ceed, revela um funcionamento agradável, mas o destaque em unidade de tão pequeno tamanho é mesmo a consistência das prestações. Desempenho exemplar em trajetos urbanos, embora não tendo potência para correrias desenfreadas, mas mais do que suficiente disponibilidade em aceleração para garantir condução tranquila e sem sobressaltos. E a presença de caixa automática, conferindo descanso ao pé esquerdo, faz da condução um ato mais zen, em que basta acelerar e travar, permite ganho de qualidade de vida a quem se senta atrás do volante.
O 3 cilindros de apenas 1 litro é par à altura desta 7DCT, pois com 120 cv e generosa dose de binário, mostrando vivacidade logo desde as baixas rotações, permite à competente transmissão trabalhar com eficácia nas trocas, quase sem interrupção de regime nas acelerações e nas necessárias desmultiplicações. O escalonamento desta caixa de 7 relações é acertado, talvez até curto demais em motor que apresenta genica, o que culmina em consumos médios acima da concorrência, especialmente em cidade. De resto, condução fluída e descontraída, como se deseja no lufa-lufa de todos os dias: com o mínimo de stress.
Dinamicamente, o Stonic é pequeno SUV mais do que capaz. Ao contrário da arquitetura técnica do primo Hyundai Kauai, que admite duas ou quatro rodas motrizes, o Kia é baseado na plataforma do Rio e permite apenas tração dianteira. O comportamento do Stonic em estrada é beneficiado pelo acerto das suspensões, embora em privilégio assumido ao conforto. Mas também em estabilidade, o novo Kia está ao nível dos mais dinâmicos da categoria, oferecendo condução agradável, sem adorno excessivo em curva. A direção mostra-se alinhada com aquele nível de eficácia, sendo direta e razoavelmente comunicativa, levezinha no trato urbano. O condutor senta-se em posição elevada mas correta, em banco com regulação em altura e com bom apoio lateral em curva