Hyundai Kauai Electric Premium

Tanto frenesim!

TESTE

Por João ouro 19-01-2019 12:00

Fotos: Gonçalo Martins

O nome Kauai deriva de uma ilha distante. Lá longe, para os lados do arquipélago do Havai, onde geralmente impera um certo espírito de descontração, como aquele que se transmite a partir dos famosos Ukulele, instrumentos musicais da família dos cavaquinhos. Basta escutar...

Nem de propósito, a versão Electric do modelo da Hyundai com esse nome parece ajustar-se a esse tipo de ambiente/ atmosfera, mesmo tratando-se de uma variante puramente elétrica, na qual poderá surgir amiúde a eterna desconfiança acerca da autonomia. Chegará ? Essa é a questão mais comum que sempre ocorre na cabeça de um condutor de automóvel elétrico, sendo quase impossível não ir controlando o valor estimado em certos percursos, mediante a carga existente (ou não) na bateria. Este processo psicológico é bem resolvido no Kauai, tendo em conta as inúmeras informações diretas que são dadas pelo computador de bordo, através do monitor no topo do tablier (de 8’’) e do próprio painel de instrumentação à frente do volante, num grafismo que é legível, direto e fácil de entender. Sem subterfúgios e indicando-se também a média (kWh/100 km) do consumo e a gestão previsível da carga energética.

Melhor do que essa variedade de informação é a autonomia efetivamente comprovada, uma vez que não se excluem valores bastante próximos de 430 a 460 km com a bateria a 100%, algo que deixa qualquer condutor ainda mais à vontade do que no caso de outros adversários/modelos elétricos recentes, tais como Nissan Leaf ou Renault Zoe, por exemplo. E isso não é de estranhar, uma vez que este Hyundai recorre a pack de baterias de maior capacidade (64 kWh), embora seja depois castigado no momento das operações de recarga. Ou seja, interessa saber que numa ligação/tomada doméstica convencional o tempo de abastecimento atingirá cerca de 31h, baixando para 9h35m no caso de se optar por wallbox específica de 7,4 kVa. Mesmo assim ainda é muito! Já nos postos públicos de carga rápida (até 80% do total da carga), esses tempos atingem 1h15 m (a 50 kW) e cerca de 54 minutos (100 kW), segundo a própria marca.  É melhor, mas há ainda que contar com outro tipo de constrangimentos, tais como filas de espera ou avarias inesperadas desses postos, além dos custos inerentes às tarifas em vigor.

Já agora, os consumos médios colocam-se entre 12,5 kWh e 14 kWh, às vezes mais, mas tudo depende da condução (existem 4 modos: ECO, ECO+, Comfort e Sport) e do trajeto, sendo possível otimizar os valores através da capacidade de regeneração da energia cinética, imposta pelo dedilhar de patilhas no volante (4 níveis), sem prejuízo, por exemplo, do ritmo em ambiente citadino. Nessas condições, aliás, é possível esticar bastante a autonomia e chegar perto dos dados mais otimistas projetados pela marca. Ou seja, os tais 482 km anunciados não são totalmente impossíveis, ainda mais se a condução ajudar! Valerá a pena fazê-lo se o objetivo primordial for poupar. Exemplificando: com a bateria a 60% e configurando o modo ECO+ (limite até aos 90 km/h), a autonomia estimada atinge 276 km, baixando para 264 km (corte de 12 km) no Comfort e para 253 km no Sport (23 km). E esta escala segue sempre a mesma lógica! Se se pensar nos longos períodos de carga doméstica (15 a 16h com a bateria a 60% e até 100%), então, é provável que haja maior precaução. Outra cronometragem avulsa: são necessárias (quase) 11 horas para que a carga da bateria aumente cerca de 30%, desde 70% até 96%, por exemplo. Quase metade de um dia!

Se se ativar o modo Sport, então, a energia ainda se esgota mais depressa, mas, atenção, é difícil resistir ao temperamento do Kauai nessa configuração. E a advertência é séria, uma vez que é possível ser esmagado pela tremenda capacidade de aceleração e pelas reações tão, tão imediatas. Como é frequente nos automóveis elétricos, mas, desta vez, ainda com maior substância à potência de 150 kW (204 cv). E é tanta a energia que há dificuldade de a controlar nos arranques à bruta, sendo melhor não desligar o controlo de tração, senão o Kauai patina demais, desliza e não é eficaz. Mas, depois é vê-lo a voar, literalmente, capaz de gerar um certo espanto ao nível das recuperações, sem hesitações da transmissão automática. Nas curvas rápidas pressente-se o peso, a distância ao solo e as tendências de subviragem devido à elevada potência, embora seja fácil corrigi-lo. Confortável? Sim, sim! Mas à direção exigir-se-ia outra precisão a tanto frenesim...

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Ficha Técnica

Caracteristicas

HYUNDAI KAUAI

ELECTRIC Premium

Motor
Tipo Síncrono de íman permanente
Potência 150 kwh/204 cv
Binário 395 Nm
Bateria Iões de lítio
Capacidade útil 64 kWh
Tempo de carga (0-80%) 54 m (100 kW) / 9h35 h (7 kW)
Transmissão
Tração Dianteira
Caixa de velocidades Automática, 1 velocidade
Chassis
Suspensão F Ind. McPherson
Suspensão T Eixo Multibraços
Travões F/T Discos ventilados/Discos
Direção/Diâmetro de viragem Elétrica/10,6 m
Dimensões e Capacidades
Compr./Largura/Altura 4,180/1,800/1,570 m
Distância entre eixos 2,6m
Mala 332 - 1114 litros
Depósito de combustível -
Pneus F 7jx17 - 215/55 R17
Pneus T 7jx17 - 215/55 R17
Peso 1743 kg
Relação peso/potência 8,54 kg/cv
Prestações e consumos oficiais
Vel. máxima 167 km/h
Acel. 0-100 km/h 7,6 s
Consumo médio 14 kWh/100 km
Autonomia 482
Garantias/Manutenção
Mecânica 5 anos sem limite km
Pintura/Corrosão -
Bateria 8 anos ou 200.000 km
Imposto de circulação (IUC) 0 €

Medições

HYUNDAI

Acelerações
0-50 km/h 3 s
0-100 / 130 km/h 6,9 s
0-400 / 0-1000 m 15,1 s
Recuperações
40-80 km/h (D) 2,7 s
60-100 km/h (D) 3,3 s
80-120 km/h (D) 4,3 s
Travagem
100-0/50-0km/h 38,6/10,3 m
Consumos
Consumo médio 14 kWh/100km
Autonomia 460 km

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