Ao primeiro olhar revela-se toda a essência do novo Fiesta ST: a grelha de radiador com uma malha exclusiva, o difusor traseiro que integra a dupla ponteira de escape, o spoiler traseiro são tudo elementos que apontam para a diferença.
No interior, os bancos Recaro certificam que o condutor irá sentir-se bem amparado mesmo em estradas mais sinuosas e resolvidas em ritmos mais afoitos, enquanto se notam algumas outras marcas de desportividade, como nos pedais perfurados em alumínio, na face do punho do seletor de velocidades igualmente em alumínio ou na inscrição ST no volante de aro de superior diâmetro.
Mas o mais potente dos Fiesta tem mais relevante cartão de visita, que se esconde debaixo do capot: em estreia, bloco de 3 cilindros EcoBoost, turbo, de 1,5 litros, capaz de render expressivos 200 cv/290 Nm. É o primeiro desportivo com motor com esta arquitetura com tecnologia que desativa um dos 3 cilindros, se as necessidades de utilização/pressão no acelerador não obrigarem a uma entrega superior a 95 Nm – só não funciona em 1.ª velocidade. Mas quem diria!?
Ainda antes de se esmagar o pedal da direita para espicaçar convenientemente a mecânica, já se percebe que este Fiesta engrossa a voz, com forte rouquidão que emerge do escape (é trabalhado, mas nada artificial) e se torna mais dramático à medida que as rotações do motor sobem ou que a carga do acelerador aumenta, em nada fazendo crer que sob o capot trabalha pequenote 3 cilindros! Depois, além da entrega muito progressiva por parte do mil-e-quinhentos, é mecânica tão forte na resposta inicial e na disponibilidade de binário desde muito baixos regimes (cortesia da combinação turbo de baixa inércia e muito alta rotação), que parece mesmo existir lá à frente muito mais motor. Claro que é mais convincente a partir das 2000 e até às 6000 rpm, mas desde que o regime se mantenha balizado entre as 1500 e as 4500 rpm qualquer retoma de velocidade se realiza de forma expedita, sinal também de que o escalonamento da caixa serve os propósitos desportivos deste modelo, rápida e precisa.
Mas há mais: se há marca que sabe que um pequeno desportivo vale pelo todo e não apenas pela velocidade que pode atingir em linha reta é a Ford. E, provando que este Fiesta ST consiste em bem mais do que o utilitário dotado com motor de ponta carregado de potência, estão as credenciais dinâmicas muito acima da média. Desde logo, porque os engenheiros da Ford conseguiram dar ao Fiesta ST uma afinação do chassis que confere tendência sobreviradora, pouco habitual em carros de tração dianteira, e que se expressa nalguma facilidade em soltar a traseira, seja porque entrámos depressa demais, seja por levantarmos o pé a meio da curva ou porque tivemos pressa em esmagar o pedal da direita antes de endireitarmos a direção.
E se a marca da oval azul sabe como tornar uma direção rápida e precisa na resposta… A ideia que fica é a de que mesmo atirando à bruta o carro para dentro de uma curva fechada conseguimos de lá sair sem grandes malabarismos. É o efeito combinado de uma suspensão rebaixada, taragens (muito!) mais duras das molas e dos amortecedores e ferramentas como um eixo traseiro com nova tecnologia de molas, não uniformes e com vetorização de força. Entre os opcionais mais focados na dinâmica, a Ford propõe o Pack Performance constituído por autoblocante mecânico Quaife, indicador de passagem de caixa antes do motor aflorar o red line e função de arranque controlado, launch control, que limita o regime do motor às 3000 rpm para otimizar arranques a fundo.