No automóvel da Citroën que fica a meio caminho entre crossover e berlina e que também em matéria de posicionamento funciona agora como espécie de dois-em-um (já que o novo Cactus não substitui apenas o modelo da 1.ª geração, lançado em 2014, passando a fazer também as vezes do convencional C4, que saiu de cena discretamente sem sucessor) há reforço de peso a assinalar: dupla mecânica composta por moderna e refinada unidade Diesel 1.5 BlueHDi, na declinação mais potente de 120 cv, com caixa automática de 6 velocidades.
O agregado disponível a partir das versões Shine e também na inédita série especial Cool & Comfort, desenvolvida para tornar o C4 Cactus mais apelativo junto de clientela que valoriza o equipamento standard. Assumindo o estatuto mais elevado dentro da gama deste modelo, estas versões acrescentam aos conteúdos que já são de série no nível Shine, bancos Advanced Comfort, conjunto que inclui o Pack City Camera Plus (ajuda ao estacionamento traseiro e dianteiro com câmara de visão traseira visível no ecrã táctil de 7”) e o sistema de chave mãos livres.
O estreante bloco 1.5 BlueHDi, de injeção direta common-rail, de 16 válvulas e 2 árvores de cames à cabeça, com 120 cv, já é capaz de cumprir a restritiva norma Euro 6.2d ao nível das emissões poluentes (mais exigente em matéria de NOx, óxidos de azoto), a qual será obrigatória só a partir do ano 2020. Avanços que se devem às mexidas que incidiram essencialmente na eletrónica, assim como pela inclusão de catalisador específico SRC e aditivo AdBlue, o suficiente para que a Citroën reclame ganhos na eficiência de 4 a 6% face ao anterior turbodiesel 1.6 BlueHDi que saiu de cena. Valores mais fáceis de comprovar em laboratório do que em estrada nas voltinhas de todos os dias, já que a média de 6 l/100 km que registámos ao volante do C4 Cactus com o novo Diesel, por exemplo, estava perfeitamente ao alcance da anterior mecânica 1.6 a gasóleo. Só que este valor referencial é agora mais fácil de obter!
Por outro lado, com mais 20 cv que o outro 1.5 BlueHDI que existe na gama, este é motor mais cheio e disponível. E, evidentemente, o acréscimo da caixa automática (o Diesel de 100 cv só pode contar com caixa manual) empresta outra facilidade de condução ao C4 Cactus e, como não será difícil de adivinhar, um acréscimo no preço (mais 2300 euros), que ainda assim se mantém entre os mais competitivos e concorrenciais na categoria.
Contas feitas, consideramos que esta é uma combinação muito boa, com a unidade produzida a meias com a especialista Aisin a casar muito melhor com o Diesel do que, por exemplo, com o 1.2 Puretech a gasolina, mostrando-se extremamente suave, com escorregamento no ponto certo e uma rapidez assinalável, pecando apenas pelo momento de passagem de caixa sempre feito pela certa. Há na consola central um botão que ativa programa Sport para as passagens de caixa, mas até esse é de tipo mais conservador. Ainda assim, para automóvel com relação peso-potência que está longe de ser espetacular (sobretudo se conduzimos com a família a bordo), é a caixa automática que mais ajuda a esconder alguma falta de vitamina, porque faz o mil-e-quinhentos parecer imediatamente disponível, independentemente da velocidade.
Medindo só 4,17 metros, o C4 Cactus apresenta cotas interiores de habitabilidade que satisfazem os requisitos de um compacto familiar, e o mesmo para a bagageira, com volumetria entre 358 e 1170 litros, com os bancos posteriores rebatidos. A posição de condução não é a mais envolvente, mas tem todos os comandos essenciais à mão de semear.
No comportamento dinâmico do automóvel francês conte-se com o típico privilégio ao conforto. Até porque o novo C4 Cactus estreia tecnologia de amortecedores com batentes hidráulicos progressivos, em estreia na Europa (C5 Aircross lançou-a na China). Entre os benefícios, mais capacidade de processamento, competência a filtrar irregularidades do piso; mais eficácia a conter oscilações da carroçaria.