Foi com a primeira geração do X5, há quase 20 anos, que a BMW abriu portas a um subsegmento que apelidou de SAV (Sports Activity Vehicle) e que tem sido profícuo em resultados próprios, como atestam as mais de 2,2 milhões de unidades X5 comercializadas ao longo das três primeiras gerações. Agora, com a chegada da quarta vida do SAV, novo capítulo, encimado pelo aumento das dimensões exteriores que o colocam no topo da categoria em matéria de espaço e imponência na estrada, e pela riqueza e sofisticação dos conteúdos, superiores até aos do topo de gama Série 7, coladas às que a BMW também recentemente mostrou no novo coupé de luxo, o Série 8.
A linguagem do design exterior e interior do novo X5 não fala de uma revolução extrema, mas sim numa linha de continuidade, evolutiva do que a BMW tem preconizado nas últimas décadas. Aprecie-se ou critique-se o resultado final, o certo é que o habitáculo transpira a modernidade, quer pelas soluções de ergonomia escolhidas, quer pelos materiais e qualidade de revestimentos. Como é habitual no segmento, tudo estará intimamente ligado à quantidade (e valores!) dos extras...
A imagem interior surge marcada pelo conceito de Live Cockpit, diferenciada por painel de instrumentos digital de 12,3’’ e monitor central tátil (que agrega tecnologia de controlo por gestos, mais engraçada para mostrar aos amigos do que propriamente prática...) de iguais dimensões para controlo das funções de bordo. Mas o grafismo escolhido para a instrumentação, com velocímetro e taquímetro visualmente demasiado afastados, pode suscitar dificuldades de consulta numa vista rápida: ou se consegue perceber a que velocidade se roda, ou a que regime o motor vai... Mas à frente dos olhos do condutor podem ser igualmente exibidas informações do sistema de navegação ou as capas dos álbuns de música reproduzidos.
Na central de comandos, em torno da alavanca da caixa automática de 8 velocidades, o comando rotativo do iDrive (quanto a nós, ainda a forma mais intuitiva para navegar nos diversos menus) e os botões que gerem os modos de condução, a altura da suspensão pneumática (uma das estreias desta geração X5) e ainda o botão de arranque/ignição agora aqui colocado.
Os bancos da unidade testada, os opcionais Comfort (1340 €) com multiplicidade de ajustes elétricos (caso da dupla regulação das costas ou dos apoios laterais) juntamente com os revestimentos em pele Merino Coffee (1300 €) contribuem fortemente para a sensação de conforto e requinte a bordo, ao que é ainda possível aliar o efeito luxuoso conferido pela zona superior do tablier revestida a pele. Os pormenores de iluminação ambiente (em LED, multicolor) também ajudam a elevar a sensação de bem-estar a bordo.
Depois, alie-se um quase sem número de tecnologias de suporte à condução, que vão das câmaras de ajuda ao estacionamento com diversas vistas e ampliações e assistente de marcha-atrás (o veículo consegue repetir, de forma automática, em marcha-atrás, os últimos 50 metros realizados em frente), head up display (agora de dimensões bem mais generosas e de ampla visibilidade, além de poder incluir duas vistas e diversos conteúdos informativos), faróis laser com alcance máximo de 500 metros (quase o dobro da tecnologia LED) e assistente de máximos ativo. O opcional Assistente de Condução Profissional inclui itens de condução semiautónoma, sendo capaz não só de manter o veículo na faixa de rodagem, como de seguir o carro da frente (cruise control ativo) como ainda adaptar de forma automática a velocidade de cruzeiro ao limite de velocidade. Caso o condutor retire as mãos do volante por período de tempo superior ao estipulado pelo sistema, o veículo abranda de forma automática até parar. O que mais impressiona em todas estas tecnologias é a forma integrada como tudo funciona, de modo intuitivo, fluido e facilidade de retirar proveito da utilidade.
O opcional Sistema Travel & Comfort (210 €) é mais um dos sinais de orientação para tempos e exigências modernas, ao incluir duas tomadas USB do Tipo C (mais finas e que estão a ganhar terreno face às até agora utilizadas) e suportes nos encostos dos bancos dianteiros para aparelhos multimédia. À frente porta-copos com funções independentes de aquecimento e arrefecimento – 260 €!
Perante tamanha sofisticação, extensível à abertura e fecho elétrico não só da tampa da mala como à plataforma inferior, ficou por incluir uma chapeleira de cobertura da mala mais... avantgarde, do que o habitual esquema manual de enrolador e encaixes laterais...
Os objetivos de sofisticação são extensíveis à dinâmica e ação na estrada. Esta versão M50d soma o diferencial M à suspensão desportiva, conjunto que na unidade testada foi ainda aprimorado mediante eixo dianteiro pneumático (1300 €), jantes de 22 polegadas (1040 €) e direção ativa integral (1300 €) com rodas traseiras direcionais. Com este conjunto, o X5 nunca perde o lado mais cómodo que deve estar presente num SUV de luxo, onde as imperfeições da estrada não chegam a ter oportunidade de assim serem apelidadas, tal a forma como são ultrapassadas e dissimuladas, sem chegar ao habitáculo.
Por outro lado, o gigante X5 parece encolher quando tudo se pede ao Diesel de quatro turbos e se afinca no trabalho da direção e transmissão. A capacidade de aceleração é estrondosa mesmo para veículo de mais de 2,3 toneladas, as respostas de acelerador e caixa de velocidades são imediatas e até o sistema de escape surge de voz engrossada, capaz de atribuir emoção extra ao habitual trabalho de um Diesel. A seleção dos modos de condução tem o condão de adequar na perfeição as afinações às intenções, em particular a resposta do diferencial traseiro, que consegue confluir ao eixo posterior grande parte dos 760 Nm de binário. E, assim, um grande SUV ao melhor estilo da M!