A Jaguar antecipa-se à concorrência com o I-Pace, crossover elétrico que celebra a estreia do fabricante britânico com 83 anos de história na comercialização de automóveis com esta tecnologia de propulsão a energia não poluente.
O crossover/SUV tem dois motores de potência 200 cv posicionados sobre cada um dos eixos do chassis que perfazem uma potência de 400 cv (294 kW), cada um transmitindo a energia motriz ao par de rodas a que está agregado, para tração integral, e caixa automática de relação única contínua. O conjunto propulsor é alimentado por uma bateria com 90 kWh de capacidade, que atribui ao veículo uma autonomia homologada, segundo o novo ciclo de medições WLTP muito mais próximo ao da utilização real do veículo, entre 470 km (TEL: Teste Energético Baixo) e 415 km (TEH: Teste Energético Alto), a que correspondem consumos entre 22 e 24,8 kW/h/100 km, respetivamente.
Estes registos estão, todavia, abaixo dos 27 kWh/100 km que obtivemos neste teste, conduzindo o crossover elétrico sem rigores pela economia (num protocolo similar ao que realizamos para os automóveis com motores de combustão e híbridos), percorrendo 330 km com praticamente uma carga de bateria. Arrancámos com esta a 98%, com o computador de bordo a indicar-nos 474 km de autonomia, e parámos junto ao carregador com 2% e 3 km restantes estimados pelo I-Pace.
Para uma carga, a bateria recarrega-se de 0 a 80% em 40 minutos com um carregador rápido de corrente contínua 100 kW ou, na habitação, praticamente até à capacidade total da bateria, utilizando um carregador de parede (wallbox) de corrente alterna de 7 kW, em pouco mais de dez horas. Na rede doméstica, sem wallbox, encher a bateria demora mais de 70 horas e injetar-lhe somente 90 km (para uma distância média diária) são necessárias mais de 7 horas.
O I-Pace não é, no desenho, um SUV convencional, mas uma berlina com carroçaria sobrelevada aerodinamicamente eficaz, para o que contribui a grelha frontal direcionando o ar para o capot, para-brisas e tejadilho. O fluxo de ar para refrigerar a bateria e o sistema de climatização passa através das alhetas ativas, no para-choques dianteiro, que se abrem ou fecham. Mas não são só estes os optimizadores da aerodinâmica do I-Pace, os puxadores das portas retráteis, à face da carroçaria, preservam um design limpo, emergindo do interior das portas só quando são necessários. Nas versões com suspensão pneumática (opcional), a altura do veículo ao solo baixa automaticamente 10 mm, a velocidades superiores a 105 km/h. Coeficiente aerodinâmico de 0.29 Cd é bastante bom.
A construção do I-Pace beneficia das vantagens proporcionadas pela plataforma específica para veículos elétricos. Por não haver motor à dianteira, foi possível ampliar o espaço no habitáculo avançando alguns componentes, e assim atingir uma cota referencial de 89 cm ao nível das pernas nos lugares posteriores e a inclusão de mais compartimentos para pequenos objetos, promovendo o sentido prático. A bagageira também beneficia deste desafogo, oferecendo uma capacidade bastante familiar, de 505 litros, que ascende para 1163 litros com o rebatimento total dos bancos de trás.
O vanguardismo tecnológico dos sistemas de informação e entretenimento está garantido com a tecnologia Touch Pro Duo – a mais avançada do Grupo Jaguar Land Rover –, que conjuga amplos ecrãs táteis e controlos multifunções rotativos na consola central.
Inerente às plataformas para veículos elétricos, também a dinâmica do I-Pace pôde ser otimizada. Desde logo, pela possibilidade de alargamento da distância entre eixos e pela instalação da bateria em posição mais baixa possível, entre os dois eixos, para conseguir uma distribuição de peso 50:50 e um centro de gravidade 130 mm mais baixo que no F-Pace, cujo proveito reflete-se bem na excelente estabilidade do SUV.
A arquitetura da suspensão, com triângulos duplos à frente e multibraços atrás, também ajuda, potenciando a agilidade sem depreciar o conforto de rolamento. A suspensão pneumática opcional com Sistema Dinâmico Adaptativo e o amortecimento variável contínuo proporcionam também uma condução desportiva e o compromisso com a comodidade dos ocupantes. A estas virtudes acrescentam- se a direção e o sistema de travagem. O condutor pode alterar grau da travagem regenerativa para maximizar a autonomia, permitindo-se conduzir praticamente apenas com o acelerador.
Regressando à motorização para frisar que apesar da eletrificação do seu novo SUV, a Jaguar concebeu-o sob os pressupostos da sua herança desportiva, garantindo-lhe potência para performances elevadas, como demonstra a tradicional aceleração 0-100 km/h em 4,8 s (medimos tão-só mais 0,1 s). O I-Pace dispõe de dois motores elétricos, de 200 cv cada, um por cada eixo, que geram rendimento máximo de 400 cv para proporcionarem ao SUV uma aceleração de 0 a 100 km/h em tão-só 4,8 s e a velocidade máxima de 200 km/h. Cada motor (incorporado numa transmissão epicíclica compacta de uma velocidade e diferencial), disponibiliza binário máximo de 696 Nm de forma instantânea às quatro rodas, para que o I-Pace adapte constantemente a distribuição da potência necessária entre o eixo dianteiro e o traseiro conforme as condições da estrada. As retomas são impressionantes pela rapidez e pujança sem fraquejo. Vide os menos de 2 segundos para recuperar de 40-80 km/h ou os também inferiores a 3 segundos entre 80-120 km/h. Prestações de desportivo, a que o I-Pace se equipara.