Na atual geração do Fiesta (a 7.ª desde 1976), a Ford tem carroçaria inspirada nos crossovers que batizou com nome próprio Active, precisamente para diferenciação dos demais membros da família.
Mas se já associa a imagem aventureira deste automóvel a radicais momentos de evasão por trilhos e caminhos austeros, não vá por aí… O Fiesta Active, apesar da camuflagem de veículo de lazer que exibe, numa espécie de convite à evasão por caminhos não asfaltados, não é mais que utilitário estradista. Os frisos laterais em plástico reforçado que protegem a carroçaria dos (habituais) toques, eventuais pedradas ou perigos para quem se arrisca com carro por caminhos revoltos, conferem-lhe toda aquela imagem de robusto jipezinho de cidade. Até a pintura cinza metalizada na zona inferior dos para-choques dianteiro e traseiro simula a existência de placas de deslizamento ou proteções específicas dos órgãos mecânicos que nos habituámos a ver nos crossovers. Mas, é, basicamente, isto: mais estilo que outra coisa.
A versão Active está especialmente gizada para acrescentar alguma versatilidade ao comum automóvel de segmento B, que se esgota, porém, numa maior confiança para subir e descer passeios ou para atalhar caminhos com outro à vontade por estradões de terra batida, desde que nada exigentes. Os menos de 2 cm adicionais à altura da carroçaria ao solo somados à ausência de tração integral, não garantem diferenciação dinâmica relevante da berlina de cinco portas.
Em contrapartida, na imagem, claríssima piscadela de olho a clientela jovem, com especial gosto por atividades radicais na natureza, cujo orçamento não estica para chegar aos mais modernaços crossovers à disposição no mercado nacional.
Com poupadíssimo motor a gasóleo de 120 cv, o Fiesta mais aventureiro está disponível por preços que arrancam nos 26.000 €, com dotação de equipamento que assenta na bem recheada oferta da versão Active+. São de série várias ajudas eletrónicas à condução, como o sistema de reconhecimento de sinais de trânsito ou o aviso de saída de estrada com manutenção em faixa. E à lista juntam-se elementos como o sistema de navegação, estofos parcialmente em couro, sistema de som Premium B&O e programa específico com três modos de condução (Normal, ECO e Slippery, próprio para pisos escorregadios), mimo invulgar na classe. O programa intervém no funcionamento do controlo de tração e garante-nos alguma liberdade de movimentos, se circularmos sobre gravilha e terra, que limitam a aderência.
Na dinâmica, o Active é 100% Fiesta, comporta-se de forma saudável, movimentando-se ágil, silenciosa e suavemente em pisos regulares, características que deve à adoção de soluções específicas que compensaram os 18 mm suplementares na altura (livre) da carroçaria ao solo. Por exemplo, a largura das vias aumentou 10 mm, as barras estabilizadoras e as molas são novas e até a direção com assistência elétrica tem regulação à medida.
O 1.5 EcoBlue tem 120 muito expeditos cavalos bem orientados por caixa manual de 6 velocidades (elogia-se a precisão do seletor), com escalonamento que contribui para a moderação nos consumos, com média referencial de 5,8 l/100 km, conduzindo sem preocupações.