A Citroën reforça a presença no segmento de SUV, onde está um quarto das vendas mundiais e um maná de receitas. Modelo de topo de gama que o fabricante francês estreou no mercado chinês e que foi montra de uma inovação tecnológica condizente com a sua herança histórica, o privilégio ao conforto.
O C5 Aircross baseia-se na plataforma modular EMP2 do Grupo PSA, partilhada com os modelos das marcas do consórcio presidido pelo português Carlos Tavares, Peugeot 3008/5008, o DS 7 Crossback e o Opel GrandlandX, e mede 4,50 metros de comprimento por 1,68 metros de altura, para o que contribui os 23 cm de distância ao solo. Medidas de SUV de gama média e com um design harmonizado com o estilo contemporâneo da Citroën, em que se inclui a abrangente possibilidade de personalização da imagem e dotação farta de equipamento nas versões mais altas, caso da Shine da unidade testada.
Há até 30 combinações entre as sete cores de carroçaria, e tejadilho e espelhos exteriores contrastantes, em preto, e ainda três packs compostos por inserções coloridas nos para-choques, nos aqui discretos Airbump (aplicações plásticas na carroçaria parecidas com almofadas de ar, que são elemento de estilo estreado pela primeira geração do C4 Cactus) e quatro conjuntos de jantes de liga leve até 19 polegadas com desenho exclusivo.
Acrescentam-se cinco ambientes distintos para o habitáculo, incluindo uma escolha diversificada de materiais de revestimento, dos tecidos ao couro Nappa. Nota-se esmero na construção, mas sobressaem componentes em plástico rígido, que não promovem a projeção de estatuto que a Citroën pretende com (e para) este SUV. Todavia, a bordo respira-se modernidade, com extensa digitalização dos monitores, com painel digital de 12,3’’e ecrã tátil de 8’’ nas funções de infoentretenimento, ao centro do imponente tablier.
Sofisticação também promovida pelo conforto, em linha com a tradição da Citroën, que não prescindiu (sem espanto) dos bancos dianteiros Advanced Comfort (estreados no mais recente C4 Cactus), concebidos com uma espuma estruturada e de maior espessura, associada a uma mousse de elevada densidade. Além da comodidade aumenta igualmente a durabilidade dos assentos. Técnica à parte, o resultado agrada, embora beneficie do forte contributo das suspensões, da sua afinação branda, favorecendo a filtragem das irregularidades e o conforto de rolamento. Os bancos dianteiros podem dispor, em opção, de aquecimento e de massagens.
Os bancos da segunda fila não dispõem desta cortesia e a sua habitabilidade não é referencial no segmento, mas são individuais, deslizantes (num curso de 15 cm), rebatíveis e reclináveis (em cinco posições, de 19 a 26,5°) e ainda escamoteáveis, permitindo negociar espaços com a bagageira, com que formam uma plataforma plana de carga em solidário ao piso duplo desta. A volumetria de carga são 580 litros e com os bancos posteriores deitados chega aos 1630 litros. Capacidades suficientes para atribuições familiares, e para aceder mais facilmente àquele espaço, o portão dispõe de acionamento elétrico e sistema mãos livres, bastando passar o pé sob o para-choques para ordenar à abertura automática (de série na versão de topo de gama Shine).
Para o conforto, que é a nota dominante do C5 Aircross, contribui ainda o isolamento acústico do habitáculo e do compartimento do motor, onde funciona o igualmente suave e sonoramente discreto motor Diesel de 1,5 litros, de 130 cv. O mesmo comedimento só nos consumos, em média, abaixo dos 6 litros/ 100 km, porque não se contém na agilização das prestações do SUV de 1430 kg, com a profícua cooperação da muitíssimo bem apreciada caixa automática de oito velocidades que tem feito carreira no Peugeot 3008/5008.
O privilégio ao conforto não fica por aí, e tem o seu principal contribuinte na suspensão com batentes hidráulicos progressivos nas quatro rodas. Aqueles são dois, um de distensão e outro de compressão. Em compressões e distensões ligeiras, a mola e o amortecedor controlam os movimentos verticais sem necessidade de solicitar os batentes hidráulicos. Em compressões e distensões fortes, a mola e o amortecedor trabalham concertadamente com os batentes hidráulicos, que abrandam os movimentos de forma progressiva, evitando os esticões mais bruscos quando os elementos atingem o limite de curso.
Ao invés de um batente mecânico convencional, que absorve a energia, mas que reenvia uma parte da mesma, o hidráulico absorve e dissipa essa energia. O objetivo é bem conseguido, projetando o SUV para a ribalta da classe generalista.
Em contrapartida, há mais movimentos da carroçaria, tornando o C5 Aircross menos ágil e dinâmico do que o seu parente na PSA, o Peugeot 3008. Todavia, o Citroën não arrisca um retrocesso ao passado bamboleante dos primeiros SUV, apenas adorna mais em curva do que a média dos seus homólogos mais modernos. Sem afetar a estabilidade e ainda menos a segurança.