Será a vista de traseira a que melhor clarifica a presença do novo BMW Série 3, com afilados grupos óticos em LED, capazes de vincar um pouco da personalidade em falta à vista frontal, cujo semblante é por demais semelhante ao de outros modelos da marca. Mas é também pela vista traseira que chegamos a um dos pontos que melhor define a nova geração Série 3: o aumento das dimensões, com o comprimento agora a tocar nos 4,7 metros, a distância entre eixos a aumentar 41 mm e as vias a resultarem igualmente mais largas (43 mm à frente e 21 mm atrás).
Paralelamente ao novo quadro dimensional, a BMW reduziu o peso em mais de 50 kg, apurou a aerodinâmica (cd de 0.23) e manteve o equilíbrio das massas entre eixos (50:50). No plano prático, juntou, ainda, bagageira de maiores dimensões (480 litros) com um dos acessos mais amplos e práticos falando-se de berlina de quatro portas. A agora também mais ampla superfície lateral vidrada ajuda a ampliar a sensação de espaço interior, além de ajudar à promoção da visibilidade. A tudo isto soma-se a linha descendente do tablier (do vidro para o interior) que ajuda a que o habitáculo se torne mais desafogado. Para clarificar tudo isto, as nossas medições de espaço interior deram a conhecer muitos centímetros reservados para as pernas dos passageiros traseiros (73 cm, mesmo quando no lugar do condutor se senta alguém com cerca de 1,8 m) e largura habitável referencial no segmento. Face à configuração de tração traseira (ou integral) o túnel central mantém-se pronunciado e pouco afável para as pernas de quem se senta ao meio.
Outro passo evolutivo da gama Série 3 prende-se com o equipamento de série, agora com oferta dos faróis LED, climatização independente para três zonas (ou seja, os passageiros traseiros podem regular a temperatura), rebatimento tripartido (40/20/40) do banco traseiro, sensores de estacionamento, de chuve e de luz. A estes elementos podem agora juntar-se ainda mais mordomias de conforto e, principalmente, de tecnologia, seja de assistência à condução, seja ligadas ao infoentretenimento. Toada evolutiva que acompanha a nova disposição ergonómica dos principais comandos, com foco na simplicidade de interação. Caso dos botões dos modos de condução que surgem à esquerda da alavanca da caixa, ou do botão de arranque/ignição que agora também aí reside. A zona central do tablier está orientada para o condutor, incluindo o monitor que aceita comandos táteis ou operacionalidade através do botão rotativo e teclas de atalho direto para os diversos menus. Todos os botões têm tacto refinado, à exceção dos comandos dos vidros elétricos, cujo material (plástico) é algo duro. Ainda no capítulo da ergonomia, são de salientar os novos comandos de ajuste manual dos bancos dianteiros, bem mais fáceis de operar que até agora.
O 320d será a versão mais procurada, pelo menos enquanto não chegar o novo plug-in híbrido, 330e. Sob o capot, reside agora um totalmente novo bloco de 4 cilindros turbodiesel, não obstante os dados técnicos serem semelhantes aos da anterior geração, caso da cilindrada ou potência (190 cv). Mas o certo é que este novo motor é substancialmente mais sereno, com pouco ruído ao ralenti e barulho ou vibrações extremamente contidas em aceleração – este é um dos principais sinais de refinamento do novo Série 3 e do 320d em particular.
Além de suave, o novo bloco de 4 cilindros (que também dará origem ao 318d de 150 cv) é ainda mais expedito a subir de regime, quase não se queixando de trabalhar em baixas rotações. A fluidez e espontaneidade de resposta são dois novos atributos, em conjugação com o trabalho da caixa automática de 8 velocidades – que na unidade testada estava presente na variante desportiva, incluindo trocas ainda mais rápidas, patilhas no volante e função launch control. Foi precisamente com recurso ao programa de aceleração otimizado que conseguimos 6,5 s na aceleração 0-100 km/h, insígnia de respeito na categoria. Aliás, todas os tempos aferidos nas acelerações e lestas retomas de velocidade igualam (ou suplantam!) os do anterior 325d de 224 cv, o que atesta bem não só o fulgor da mecânica, como o enquadramento com as restantes características do modelo, caso do peso contido, da aerodinâmica otimizada ou baixo atrito.
Os modos de condução conseguem moldar as sensações face ao intento do condutor, mudando o tato da direção, resposta ao acelerador e a fleuma nas trocas de caixa. Entre as novidades está a inclusão da função velejar no modo Comfort (até agora só disponível em EcoPro), que permite associar consumos regrados à utilização mais cómoda e direta do Comfort face ao Eco.
Nas ligações ao solo, a BMW estreia amortecedores de batentes hidráulicos cujo trabalho resulta extremamente meritório na conjugação de serenidade de rolamento com dinâmica bem controlada e expedita – em opção, suspensão desportiva M ou amortecimento adaptativo. De facto, não fosse o ainda presente ruído de rolamento (que poderá ter origem nos Pirelli Cinturato P7), o novo 320d rola com suavidade bem mais aproximada à do Série 5, com o condão de nada se perder nos intentos dinâmicos. O aumento das vias muito contribui para que o Série 3 dissimule as velocidades elevadas, sinal da qualidade do chassis e ligações ao solo. A direção, que apresenta uma ligeireza oleada que nada cansa em utilização urbana, vai ganhando consistência informativa sem nunca perder a referida leveza. A suspensão, sendo confortável, controla bem todos os movimentos oscilatórios, com a particularidade de permitir movimentos rápidos e decididos ao eixo dianteiro.
Mesmo com 400 Nm de binário, as rodas traseiras motrizes raramente dão sinais de querem descolar do alcatrão, ao passo que a eletrónica do DSC (controlo de estabilidade) está bem afinada a conjugar segurança com intensidade emotiva dinâmica, pelo que o Série 3 resulta agora ainda mais fácil de conduzir depressa, com refinamento extra colocado nos comandos, nas reações ainda mais suaves e ruído bem contido.
As ajudas à condução estão bem calibradas, caso do assistente ativo de faixa ou de ângulo morto, só pecando por todas estarem incluídas em pack opcional. O mesmo se passando com o painel de instrumentos digital que apenas pode ser adquirido em conjunto com um dos sistemas de navegação. Já os conteúdos da versão de equipamento Line Sport (2400 €) compõem bem a imagem e a funcionalidade, somando os bancos desportivos em pele e tecido, acabamentos e frisos negros ou mesmo o sistema de iluminação interior. Curiosidade: a BMW junta o agradável ao útil, com o filamento LED das portas a piscar a vermelho, alertando que a mesma está mal fechada! O ambiente noturno ganha presença e intensidade, existindo também luzes exteriores de acompanhamento que quase desenham um tapete ao lado das portas dianteiras...
Além de o preço continuar alinhado com a concorrência, o novo 320d alia consumos regrados a performances de luxo, sendo fácil manter médias entre os 6 e os 6,5 l/100 km.