Eis a transição energética que começa a fazer sentido, como alternativa aos motores térmicos convencionais, menos eficientes e com emissões superiores! É nessa equação que surgem os sistemas híbridos, com recurso a apoio elétrico extra, atingindo-se outro tipo de resultados ao nível da eficiência energética (leia-se consumo de combustível) e na proteção ambiental. A sofisticação tecnológica permite esse objetivo, sem que o rendimento anunciado e as performances não sejam beliscadas por esse tipo de estratégia, implicitamente mais sustentável.
No caso do CR-V da Honda é mesmo a primeira vez que a marca propõe um SUV com mecânica híbrida na Europa, através do denominado sistema Multi Mode Drive (i-MMD) que agrega dois motores elétricos, um motor a gasolina 2.0 i-VTEC (de 145 cv, ciclo Atkinson) e uma bateria de iões de lítio (1,8 kWh), sendo possível atingir a potência máxima combinada de 184 cv. Nada mau!
O pack das baterias está colocado na traseira (sob a estrutura dos bancos e da carroçaria) e a única suspeição de que existe é dada pela saída de ventilação encaixada no encosto posterior à direita (na vertical), escutando-se amiúde o fluxo de ar essencial para o arrefecimento desse módulo. A primeira impressão é a de que a porta esteja mal fechada ou o vidro aberto. Mas não! E esse zumbido acaba depois por quase desaparecer!
De resto, o isolamento acústico interior é elevado, apesar das dimensões e do tamanho generoso do habitáculo, em especial dos lugares atrás (rebatimento 60:40 dos bancos assegura um estrado plano), a que se junta também a enorme bagageira (497 litros úteis na configuração standard). Prático e bastante funcional, sem dúvida, colocando-se entre os melhores da classe e com vários detalhes (e locais para guardar objetos) acima dos da concorrência, sobressaindo, por exemplo, a consola central com várias divisões de arrumação.
O baixo ruído e a serenidade da propulsão híbrida é outro dos aspetos que importa elogiar, desdobrada pelos modos ECON (económico), Sport e EV, este último estritamente elétrico (máximo de 2 km), ativados através de teclas na consola. Como já se disse, o rendimento máximo é de 184 cv e as recuperações são operadas sem esforço, com o arranque até 100 km/h em apenas 8,4 s, ligeiramente abaixo do valor anunciado.
Menos agradável é o ruído e o arrastamento típico que é gerado pela caixa de variação contínua (e-CVT) nas acelerações bruscas ou em maior esforço, interrompendo a suavidade do agregado mecânico i-MMD e o silêncio que existe nas velocidades estabilizadas. Para evitar esse efeito é possível aprender a conduzir de forma menos bruta, com mais cuidado e/ou tolerância. É um... híbrido! Se se tiver isso em mente, esse transtorno é quase anulado pela menor pressão que se passa a fazer no pedal do acelerador. Com mais jeitinho para que se possa ter outra tranquilidade, recorrendo até às patilhas inseridas no volante para que haja maior regeneração da própria energia cinética, a partir das travagens, por exemplo. É que no outro ponto da equação está também o baixo consumo, sendo possível médias de 5 a 5,2 l/100 km, sem grande esforço ou cuidado. E de forma natural, sem comprometer sequer as prestações, embora a velocidade máxima esteja limitada (180 km/h).
Note-se que a conceção deste novo CR-V também elevou a fasquia ao nível da qualidade de condução, quer na resposta da direção, quer no controlo da carroçaria em curva, aí com reduzidas oscilações. Nas travagens à bruta (38,4 m desde 100 km/h) é que se reflete mais o peso, a altura e o formato, sem evasivas, mas com a frente a afundar.
Os níveis de ruído e de vibração em estrada são baixos (Bridgestone 235/60 R18 ) e a suspensão determina um elevado conforto, conjugado com a atuação silenciosa da mecânica nas velocidades estabilizadas. Eficiente e suave, sendo possível ligar o modo ECON para menor gasto de combustível (autonomia acima de 1000 km) ou o cruise-control ativo para regular a velocidade (travando e acelerando de forma automática...) e controlá-lo a meio das faixas de rodagem corrigindo as trajetórias.