A Dacia já vendeu 37.254 unidades em Portugal desde que chegou ao nosso país em 2008 (números até março deste ano), sendo que entre nós o Sandero é o modelo mais vendido da marca romena, com 46% das vendas. Nesta atualização de gama, a Dacia aposta forte na Série Limitada Adventure (criada a partir do versão aventureira Stepway, que constitui 65% das vendas do Sandero), bem como nas versões GPL (Gás de Petróleo Liquefeito), procurando assim preencher o espaço deixado pelo Diesel, cada vez menos procurado neste utilitário, como o provam as encomendas já existentes: 69% gasolina, 27% Bi-Fuel, 4% Diesel. No final de 2018, era já forte o indicador do crescimento do GPL no Sandero, com as vendas a registarem 50% para as versões a gasolina, 21% Diesel e 29% GPL. Uma nota: em 2018, 67% dos automóveis GPL vendidos em Portugal eram Dacia…
Começando a nossa análise pela característica mais importante do Sandero que testámos, ser Bi-Fuel, um ponto prévio: devido a uma aberrante lacuna na nossa legislação, as versões Bi-Fuel não beneficiam de redução de ISV (exclusivo de versões 100% a GPL, que não existem…), nem de redução de Imposto único de Circulação (IUC).
Portanto, quem compra uma versão Bi-Fuel pretende, mais do que tudo, beneficiar do preço baixo do GPL face aos outros combustíveis. Tendo em conta que o Sandero consome 9,2 l/100 km de GPL (valor oficial é de 8,2) e que o depósito de Gás de Petróleo Liquefeito tem 32 litros, a autonomia sem gastar gota de gasolina é de 347 km.
Se optarmos por utilizar apenas gasolina, sendo o consumo médio apurado de 7,5 l/100 km (valor oficial, 6,5 l/100 km), percorremos 666 km com um depósito de 50 litros. Introduzindo aqui a versão exclusivamente a gasolina, proposta por 13.762 €, menos 642 €, percebemos que a segunda fica paga ao fim de 10.700 km. Convenhamos, não é um mau negócio.
E os entraves à utilização do GPL têm vindo a desaparecer: está já provado que a tecnologia é fiável e seguríssima, o discriminatório dístico GPL azul já deixou de ser obrigatório, estes veículos já podem estacionar nos parques de estacionamento subterrâneos, há 370 postos de abastecimento espalhados pelo território Continental e 100% da rede de concessionários Dacia tem pelo menos um técnico certificado para qual quer intervenção de manutenção ou reparação.
Finalmente, a utilização em modo gás não difere quase nada de quando o carro está a utilizar gasolina (o TCe 90 está equipado com dois sistemas de injeção distintos), sendo a operação de passagem de uma solução para a outra muito fácil de efetuar, bastando premir um botão na consola central. Tudo certo e simples até aqui, não fosse o botão algo de muito arcaico e que inclui um medidor muito pouco preciso da quantidade de GPL ainda no depósito. É de rever e de trocar por uma solução mais refinada.
Depois, a utilização de qualquer das soluções permite uma condução fluída, ainda que a pouca força do motor obrigue a recorrer à caixa em subidas mais pronunciadas ou para efetuar uma ultrapassagem mais apressada. E para comprovar isto basta dar uma vista de olhos pelas medições.
O Dacia Sandero não é, também, o mais confortável dos carros, acusando a falta de filtragem em pisos rugosos ou na travessia de buracos ou lombas sonoras, transmitindo ao habitáculo ruídos e energia resultante dos impactos. E por falar em habitáculo, este continua a pautar-se pela simplicidade na decoração e pela austeridade dos materiais e acabamentos.
Por fim, destaque para a nova série limitada Adventure, que acrescenta à dotação base da versão Stepway novas jantes de 16 polegadas, ar condicionado automático, sistema multimédia com ecrã tátil de 7” com sistema de navegação, e compatível com Android Auto e Apple CarPlay, e ainda câmara de marcha-atrás.
A Dacia vai continuar a apostar no GPL através das versões Bi-Fuel, uma solução que lhe tem garantido muitas vendas e lucros. No caso concreto do Sandero que testámos, consideramos que se trata de um carro bastante interessante para quem quer comprar um meio de locomoção relativamente barato e sem custos exagerados de manutenção, sobretudo no que concerne à despesa com combustível. Isto, optando por utilizar maioritariamente o GPL.