A conceção minimalista de 3 cilindros, a baixa capacidade cúbica (998 cc) e a inferior potência (111 cv) do motor do Vitara não parecem gerar estigmas à condução do SUV de 1230 kg. Aliás, o modo como o Vitara 1.0T progride em estrada é pouco diferente de com o 1.4T (4 cilindros e 140 cv), apesar do esforço acrescido nalguns registos, quer ao nível das acelerações (mais 3 s até aos 100 km/h), quer nas retomas de velocidade, e ainda com limitações imputadas à transmissão manual de 5 velocidades que está associada ao motor mais pequeno. Amiúde, há a sensação de que a mecânica pede 6.ª que... não existe. Pela positiva, a caixa tem escalonamento bem definido (não demasiado alongado) e o seu seletor é preciso e suave.
Outro aspeto fulcral é o baixo ruído do propulsor, apesar da arquitetura tricilíndrica, e as reduzidas vibrações ou ressonâncias que trespassam para o habitáculo, cuja insonorização não sequer aparenta falhas, apesar de alguns revestimentos e materiais isolantes de inferior qualidade. Essa exigência é extensiva aos forros e plásticos junto dos painéis das portas e da consola central. Todavia, nada de grave! A acústica do bloco de 1 litro não é muito distinta da de um propulsor de 4 cilindros, ganhando-lhe claramente em eficiência no consumo de combustível.
E é precisamente o menor rendimento face ao 1.4T que se compensa com o consumo médio também mais baixo, inclusive com registos abaixo do valor oficial em ciclo WLTP. Sem preocupações pela economia na condução é possível alcançar médias entre 6,2 e 6,6 l/100 km, melhores do que os 7,2 l/100 km homologados pela Suzuki.
Outra surpresa é que esses resultados não se agravam muito quando se recorre ocasionalmente ao programa Sport, o qual gera resposta mais imediata do acelerador, do motor, das trocas de caixa e da direção (pouco diferente até do modo Auto...), assim como ao sistema All Grip 4x4 (intermitente atrás e com hipótese de bloqueio central (Lock, através do modo Snow), este último capaz de assegurar maior segurança em estrada quando as condições pioram, quase à semelhança de um... jipe, mesmo numa versão/mecânica deste tipo.
É ainda evidente que este Vitara surpreende no capítulo da dinâmica, quer pelo conforto do amortecimento, quer pelas atitudes em curva, mediante reduzidas oscilações da carroçaria, e isto apesar do formato e da altura mais pronunciada (18,5 cm na distância ao solo). O comportamento gerado pelos pneus Continental Conti EcoContact5 (215/55 R17) é igualmente meritório, tanto pelo conforto e baixo ruído, quer pela eficácia ligada ao sistema de travagem (36,6 metros a partir de 100 km/h, sem evasivas ou afundanço exagerado à frente). Tudo funciona! Para que o cenário fosse perfeito bastaria eliminar ou dissolver as batidas mais secas da suspensão nos pisos degradados e incrementar a precisão de resposta da direção, cuja assistência não se altera assim tanto com o modo Sport. Já agora, a capacidade do 1.0T nas reprises também podia ser mais ampliada. Nas incursões TT, note-se, é ainda possível aproveitar a comodidade (e a segurança) do sistema HDC, o qual controla automaticamente a velocidade (e implicitamente a tração) nas descidas íngremes.
De volta à estrada, destaca-se a presença de várias ajudas eletrónicas, entre as quais a travagem de urgência, aviso de colisão, ângulo morto e alerta de faixa, além do reconhecimento de sinais. O alerta de tráfego à retaguarda e a câmara traseira são bastante úteis, mas não há sensores acústicos de parque.
A mecânica 1.0 turbo a gasolina (de 3 cilindros) é a porta de entrada da nova gama Vitara, tratando-se de uma versão muito competitiva, até pouco distante da variante 1.4T de 140 cv (4 cilindros) em termos de prestações e... desempenho. A condução é confortável e eficaz, sem que haja demasiado esforço face ao peso e ao formato do próprio modelo, tendo ainda a vantagem de integrar sistema 4x4 adaptativo. O consumo moderado é outro aspeto a favor.