Peugeot 208 1.2 Puretech 130 EAT8

Campeão da audácia

TESTE

Por Paulo Sérgio Cardoso 22-03-2020 18:15

Fotos: Gonçalo Martins

Não será difícil à seta de Cupido espetar-se no peito de quem cruze o olhar com a nova geração do Peugeot 208. Desde as formas às proporções, até à preocupação com o detalhe, como a integração e efeito (de garras) das óticas LED das luzes diurnas (à frente ou atrás), passando pelos pormenores que ajudam a aprimorar a versão GT Line, com recurso a elementos decorativos negros nas capas dos retrovisores, contorno dos vidros laterais e cavas de roda ou ainda pela dupla saída de escape cromada que dá voz a esta (atualmente) versão topo de gama, a cargo do três cilindros a gasolina 1,2 litros, turbo, de 130 cv.

Querendo ser diferente de todos, o 208 também aceita que o tejadilho seja pintado a preto, que combina com a faixa traseira negra que une as óticas traseiras e que permite salientar ainda mais o efeito dos três risquinhos sempre acesos das óticas traseiras. Para a versão GT Line está ainda reservada a reminiscência ao saudoso 205 GTi onde, tal como este, a sigla surge na base do pilar traseiro.

No interior surge a mais recente interpretação do conceito i-Cockpit, nesta versão acompanhada pelo original e atrativo painel de instrumentos com efeitos tridimensionais e de múltiplos cenários informativos. À sua frente, o pequeno volante que é já imagem de marca da Peugeot, mas que tem tanto de emocionante e apetecível de segurar, como de problemático em conjunto com o referido painel de instrumentos elevado, por dificultar a consulta do mesmo. Ou seja, mesmo que a posição de condução seja ótima, envolvente e confortável, com bancos muito cómodos e grande amplitude de ajustes, haverá condutores que terão de arranjar solução de compromisso para poder apreciar todo o vanguardismo gráfico da instrumentação 3D.

A zona central do tablier continua a fazer justiça ao tema da digitalização, com sistema de infoentretenimento em monitor tátil de 7’’ incluindo sistema de navegação nesta versão GT Line, sendo opcional (640 €) o de 10’’ presente na unidade testada. Para controlo do mesmo, além da possibilidade de toque, existem teclas (igualmente sensíveis ao toque, não necessitando de muita pressão) que acedem diretamente aos diversos menus. A navegação é intuitiva, os gráficos atrativos, com as opções de personalização a incluir a escolha de entre oito cores para a iluminação de diversas zonas do habitáculo, ajudando a tornar o interior ainda mais especial e acolhedor, à noite.

Também à noite se destaca o trabalho das óticas LED, de ótimo alcance e com comutação automática de máximos, com o 208 a somar outras e variadas ajudas à condução, deixando apenas o aviso de ângulo morto e o cruise control adaptativo com correção automática da presença na faixa de rodagem (algo intrometida com a serenidade da condução, devido às constantes intervenções na direção...) nas opções. Mas o mais interessante é que o 208 não se limita a ser uma montra de tecnologia em ação, resultando particularmente bem a interação do condutor com tudo o que existe a bordo, em particular devido às atualizadas soluções ergonómicas e apelo estético de comandos e grafismos.

A versão GT Line inclui três modos de condução que ajudam a traçar a personalidade dinâmica – a versão de 130 cv do 1.2 Pure Tech surge apenas associada à caixa ZF de 8 velocidades, não existindo no segmento modelo com igual número de relações automáticas. Este conjunto motor/caixa é outra das mais-valias, não só por permitir performances quase ao nível de um pequeno desportivo (e em Sport o modulador de som no habitáculo como que engrossa a voz da mecânica!), como também ajuda à fluidez de utilização quotidiana, não obstante ser difícil fazer o consumo baixar dos 7 l/100 km.

A experiência de condução resulta ligeira e ágil, com correta insonorização da mecânica e com direção muito bem afinada para uma quase ideal interação dinâmica de precisão e rapidez. As ligações ao solo são igualmente de enorme competência e correta solidez, sabendo conjugar a comunicação da estrada com nível de conforto para toda a família.

Família... É aí que podem surgir os principais handicaps do novo 208, em particular num país como Portugal, em que tantas vezes o utilitário faz a vez de único automóvel lá de casa... Se os lugares dianteiros são extremamente cómodos, sente-se, desde logo, que o habitáculo é estreito, sensação que acaba por afetar ainda mais quem se senta no banco traseiro: além de pouco espaço para pernas, tem nas costas demasiado direitas e recuadas outro dos elementos contra o conforto e acessibilidade. Solução para tentar ganhar espaço nesta (competente) plataforma que permite albergar motorizações térmicas/elétrica, mas onde também o espaço de carga saiu prejudicado, sendo escasso para férias.

Não restam dúvidas quanto ao sentimento apetecível em torno do novo 208, em que o vanguardismo consegue resultar em funcionalidade (à exceção da habitabilidade...), embora sem esquecer que a qualidade geral do habitáculo se camufle mais no design e conjugação de superfícies do que no toque suave dos materiais.

O novo 208 tem o condão de não ser apenas mais um concorrente no segmento dos utilitários. É um pequeno automóvel capaz de despertar paixões, com uma estética única e interior em que apetece... estar. A condução é envolvente e ligeira e só as dimensões úteis do habitáculo e mala podem ser apertadas para uso familiar. Motorização e equipamento topo de gama fazem-se pagar.

Ler Mais

Ficha Técnica

Caracteristicas

PEUGEOT 208

1.2 Puretech 130 GT Line

Motor
Arquitetura 3 cilindros em linha
Capacidade 1199 cc
Alimentação Inj. direta, turbo, intercooler
Distribuição 2 a.c.c./12v
Potência 130 cv/5500 rpm
Binário 230 Nm/1750 rpm
Transmissão
Tração Dianteira
Caixa de velocidades Automática de 8 velocidades
Chassis
Suspensão F Ind. McPherson
Suspensão T Eixo de torção
Travões F/T Discos ventilados/Discos
Direção/Diâmetro de viragem Elétrica/10,4 m
Dimensões e Capacidades
Compr./Largura/Altura 4,055/1,745/1,430 m
Distância entre eixos 2,54m
Mala 265 litros
Depósito de combustível 44 litros
Pneus F 205/45 R17
Pneus T 205/45 R17
Peso 1165 kg
Relação peso/potência 9 kg/cv
Prestações e consumos oficiais
Vel. máxima 208 km/h
Acel. 0-100 km/h 8,7 s
Consumo médio 5,7 l/100 km
Emissões de CO2 128 g/km
Garantias/Manutenção
Mecânica 2 anos sem limite de km
Pintura/Corrosão 3/12 anos
Intervalos entre revisões 25000 km
Imposto de circulação (IUC) 102,81 €

Medições

PEUGEOT

Acelerações
0-50 km/h 3,4 s
0-100 / 130 km/h 9,4/15,6 s
0-400 / 0-1000 m 16,6/30,8 s
Recuperações
40-80 km/h (D) 4,2 s
60-100 km/h (D) 5,4 s
80-120 km/h (D) 6,7 s
Travagem
100-0/50-0km/h 36,8/9 m
Consumos
Consumo médio 7 l/100km
Autonomia 628 km

Conte-nos a sua opinião 0

TESTE