Os monovolumes compactos eram até há muito pouco tempo o tipo de automóvel mais procurado por famílias numerosas, mas têm vindo a ser progressivamente substituídos pelos SUV de sete lugares como grandes transportadores familiares. Contudo, ainda há alguns resistentes com méritos, casos de Opel Zafira, recentemente modernizado, e de Kia Carens, uma proposta sempre muito atrativa em termos de qualidade/preço. Vejamos então o que vale um e outro neste duelo entre versões turbodiesel.
Começando pela habitabilidade, qualidade sempre muito importante quando se pensa transportar a família e respetiva bagagem, ligeira vantagem do Carens nos lugares dianteiros, com mais 8 centímetros em largura. Todavia, quando avaliamos a fila intermédia, quanto a nós mais relevante no tipo de carros em análise, o Zafira destaca-se com mais espaço em comprimento (variável graças às calhas que permitem mover os bancos num curso, variando a distância para os bancos da frente entre 52 e 80 cm; 48-72 no Carens) e também em largura, com mais 3 cm que o rival coreano.
Por fim, na 3.ª fila de bancos, cujo acesso é melhor no Zafira, viajamos com maior conforto no Opel do que no Kia. A explicação é simples: os bancos são ligeiramente mais altos, o que oferece maior conforto para posicionar as pernas, e os encostos são mais inclinados do que os dos bancos do Carens, o que traz evidentes vantagens a quem tem que ocupar aquele espaço durante algum tempo. Atenção: nenhum dos dois carros é fantástico no espaço/comodidade que oferece na terceira fila, mas o Opel é um pouco melhor.
Igualmente relevante em carros de vocação assumidamente familiar são as bagageiras. E aí, a vantagem do carro alemão é esmagadora, seja qual for a configuração do habitáculo. Com cinco lugares, 218 litros à maior para o Zafira; com sete lugares, mais 49 litros e com dois lugares, mais 142 litros. E quanto a espaço estamos conversados.
Sobre os habitáculos, é ainda importante referir que o Opel tem qualidade globalmente superior. Não que não tenha alguns plásticos menos bons, mas em geral é um espaço muito bem conseguido, quer em termos de aparência, quer na solidez com que todos os elementos estão montados. A ergonomia é razoável, assim como a posição de condução. Elevada, claro, como é típico nos monovolumes, mas correta e pouco cansativa. No Kia é um pouco mais complicado encontrar a melhor posição de condução, mas os materiais que revestem o habitáculo também não merecem, em geral, crítica negativa, mas são claramente inferiores ao do Zafira.
A modernização do monovolume alemão incidiu também na mecânica, com o Diesel 1.6 CDTI a receber gestão eletrónica mais evoluída que subiu a potência para 134 cv e o binário para 320 Nm, sendo mais eficiente que a anterior versão do 4 cilindros a gasóleo. Contudo, esta mecânica não entusiasma, mostrando-se até um pouco anémica em subidas mais pronunciadas. Todavia, em terreno plano e sem grandes exigências, acaba por cumprir na realização de uma condução fluida e tranquila.
De elogiar são os consumos: durante a realização do nosso teste, apurámos média de 6 litros a cada 100 quilómetros, um valor muito convincente para o tipo de automóvel, até porque o Zafira não é propriamente leve (1725 kg) e mais ainda se a lotação estiver completa. Ligeiramente mais potente, o 1,7 litros do Kia não tem um desempenho muito diferente do 1,6 litros do Opel, mostrando-se pouco eficaz em aceleração ou quando o terreno inclina. Contudo, recupera melhor que o Opel.
Ambos os carros são confortáveis, com supremacia ligeira do Zafira, mas sobre o comportamento dinâmico, ainda que seja de salientar a boa estabilidade de ambos, temos que destacar a menor tendência para o rolamento em curva do Opel. Não tanto que se possa dizer que seja ágil, mas é inegável que em condução acelerada sentimos maior desenvoltura do que no mais molengão Carens.