A nova carrinha Focus cresceu 11,2 centímetros em comprimento face à antecessora, totalizando agora 4,67 metros. Este crescimento traduz-se numa melhoria do desafogo para as pernas dos passageiros do banco traseiro, que usufruem agora de 72 centímetros entre o encosto do seu banco e as costas dos bancos dianteiros, mais quatro centímetros do que antes. Não há muitas carrinhas compactas com índices superiores.

No caso do Opel Astra Sports Tourer, o espaço em comprimento para pernas é inferior em 4 centímetros. A vantagem da carrinha da Ford regista-se também na largura, quer à frente (mais 4 cm), quer atrás (mais 2). Diferenças há a referir, ainda, na comodidade de quem ocupa o lugar do meio por causa do túnel central: o do Focus é bastante baixo em relação ao do Astra, pelo que há maior facilidade em arrumar os pés no primeiro. Quanto ao resto, tratam-se de dois automóveis onde é possível acomodar três pessoas de forma aceitável nos lugares traseiros, até porque o lugar do meio não tem, em ambos, grandes saliências no assento e encosto. Não são, naturalmente, lugares normais, mas também seria injusto dizer que são desconfortáveis.

Recuando um pouco mais até às bagageiras, há que elogiar, desde logo, o fantástico crescimento de 118 litros na volumetria do compartimento do Focus SW, que passou de 490 para 608 na configuração de 5 lugares e de 1516 para 1653 litros com o rebatimento total dos encostos dos lugares traseiros (também rebatíveis na proporção 60:40), operação que pode ser efetuada através do botão da nova função Easy Fold Seats, oferecendo, assim, piso totalmente plano. Neste segmento, apenas Skoda Octavia Break e Kia Ceed SW têm mala maior. Perante o que acabámos de escrever, é fácil de deduzir que a bagageira do Opel Astra ST é menor: são nada mais, nada menos, do que 68 litros face ao compartimento do Focus SW, um valor significativo quando avaliamos produtos assumidamente pensados para as famílias. Com o rebatimento dos encostos dos bancos traseiros (60:40), a mala do Opel estica para 1630 litros (apenas 23 abaixo do Ford), mas nota-se a falta de sistema que permita realizar esta operação a partir da bagageira. Contudo, no compartimento de carga há que destacar o prático sistema FlexOrganizer de calhas laterais e redes divisórias que facilita o acondicionamento de volumes.

Na zona dianteira do habitáculo, e começando pelo Ford, encontramos materiais bons (borrachas moles) intercalados com menos bons (plásticos rijos), numa conceção globalmente sólida e bem terminada. Nota bastante elevada merece a ergonomia, nomeadamente a colocação do ecrã central acima do tablier através de uma solução flutuante que aconselhamos, pois evita que o condutor desvie demasiado os olhos da estrada ou que tenha que afastar muito a mão do volante para operar o sistema de infoentretenimento. Elogios, ainda, para a posição de condução, a qual permite ao condutor ficar perfeitamente enquadrado com volante, pedais e demais instrumentos.
O habitáculo do Astra imita o do Ford no nível de qualidade, com materiais globalmente de bom nível e montagem rigorosa e cuidada. Optámos por tirar-lhe um ponto na ergonomia devido à colocação do ecrã numa posição mais baixa. Atenção, não é má, mas a do Focus é melhor e isso tem que ser valorizado pontualmente. Gostámos também da posição de condução, a qual não tem falhas, bem como dos bancos, que são forrados a pele e tecido de série no nível de equipamento Innovation, uma vantagem face ao revestimento exclusivamente em tecido dos bancos do Ford. Há forro a couro em opção, que custa 760 €. E já que falamos de equipamentos, de notar que o Ford tem pontuação superior ao Opel no equipamento de conforto por causa da caixa automática, a qual entendemos pontuar neste item. Contudo, o Astra tem diversos elementos a mais, como a chave mãos livres (381 €) a câmara traseira de ajuda ao estacionamento e o sistema de estacionamento automático, equipamentos que a Ford propõe em opção, por 407 €.
Quanto às mecânicas, igualdade na arquitetura (4 cilindros) e tipo de alimentação e ligeira dissemelhança na cilindrada e potência. O 1.5 EcoBlue do Focus SW tem 1,5 litros e 120 cv, enquanto o Turbo D do Astra ST tem 1,6 litros e 110 cv, copiando-se no binário máximo de 300 Nm. Divergências há, ainda, nas caixas de velocidades, com caixa automática de 8 velocidades no Ford e manual de 6 no Opel, condição que desde logo torna a condução do primeiro mais cómoda.

Depois, em aceleração, vantagem do automóvel mais potente, que no clássico 0-100 km/h demora menos 1,7 segundos que o rival. Tendo em conta a caixa de velocidades que equipa o Focus e, portanto, a melhor gestão do binário disponível, é também o carro do emblema da oval azul que melhor recupera, como se pode comprovar através das medições que publicamos na ficha técnica. Contudo, todo esse desembaraço paga-se nos consumos, com o Opel a ganhar vantagem de 0,6 litros na média apurada aos cem quilómetros.
E aproveitamos o Astra estar em alta p ara referir que é também o automóvel alemão o mais confortável dos dois, qualidade que alia, aliás, a comportamento exemplar em curva – a direção elétrica, com assistência progressiva, convence em precisão – e, de uma forma geral, garantindo compromisso ótimo entre eficácia e conforto, mesmo se se note alguma sensibilidade em mau piso. Mas nada que se compare à sensibilidade revelada pela Focus SW equipada com pneus de 18’’ que prejudicam bastante a comodidade quando o piso está degradado ou na transição de lombas sonoras ou buracos. Por outro lado, que maravilha é levar ao limite este magnífico chassis num encadeamento de curvas ou numa rotunda mais larga, onde os contidos movimentos da carroçaria e o enorme controlo dinâmico garantem momentos muito divertidos. E isto com motor Diesel só com 120 cv.

Não é difícil encontrar justificações para a vitória do Focus SW, que só espanta na verdade por tão apertada. A carrinha da Ford, produto moderníssimo, tem vastos argumentos de valor, começando desde logo pela habitabilidade e volumetria da bagageira, uma das maiores do segmento; depois, o comportamento dinâmico é referencial, sendo a carrinha mais divertida de guiar da categoria; por fim, no caso concreto deste confronto, conta com caixa automática que lhe garante acelerações e recuperações bastante mais rápidas que as do rival, o Astra ST, uma carrinha competentíssima e que, apesar de menos potente, vendeu cara a derrota.