A diferença é mínima, uma vez que há apenas 7 cv a favor do novo bloco de 6 cilindros da Mercedes-Benz e deste GLE, em detrimento do motor que equipa o X5 da BMW. Nada de mais, até porque essa potência (272 cv contra 265 cv) é depois eliminada nas medições efetivas e esbatida em várias variáveis. Como quem diz: anulada no próprio alcatrão! Num caso como noutro, o que mais surpreende é a quase leveza da condução em estrada, tendo em conta o tipo de estrutura, as carroçarias e os formatos SUV, com pesos bem acima das duas toneladas. A destreza dinâmica é (mesmo) inegável, como se observa em todas as medições, desde as acelerações (menos de 7 s até 100 km/h), passando pelas recuperações (entre 3 a 5 segundos), as quais são ligeiramente melhores no BMW, cuja qualidade de condução é ainda superior. E, de facto, esse é um pressuposto que poderá condicionar todos os restantes, face à elevada eficácia do chassis e das suspensões do X5, nomeadamente nos trajetos de perfil encadeado e em curva, como se se tratasse de outro qualquer... BMW. Inclusive com o tato parecido ao de um Série 3 ou de um Série 5, por exemplo, só para se ter uma ideia objetiva do que se pretende dizer!
De certa forma esse é o maior trunfo da 4.ª geração do X5, tendo sido projetado para obedecer o melhor possível em curva e anular as prováveis transferências de massa (ainda para mais com amortecedores adaptativos), sem prejuízo da altura e com níveis de conforto elevados, não abdicando sequer de aptidões off-road interessantes: ângulo de entrada de 25º, saída com 22º e ventral de 20º, além dos 214 mm na distância livre ao solo. No GLE esses valores também apontam para uma prática de todo-o-terreno que poderá surpreender os menos avisados: ângulos de entrada e saída com 25º, rampa com 17º (ventral) e altura ao solo a partir de 200 mm. Por acréscimo, a versão testada integra pack Off-Road específico (2350 €) com redutoras (tecla Low Range na consola) e sistema automático para descida de declives inclinados (DSR), neste último caso com possibilidade de ajustar a velocidade. Não há impossíveis!
Note-se que no caso do GLE as mexidas efetuadas também abrangeram a vertente aerodinâmica e o conforto em estrada é elevado, também por culpa da suspensão pneumática (Airmatic), a qual consegue superar todas as contrariedades do asfalto, coadjuvada pelos Pirelli PZero 275/50 (à frente e atrás) com jantes de 20’’, incluídas na linha AMG. O X5 também utiliza o mesmo tipo de borracha da Pirelli, embora com medidas mais largas: 275/35 à frente e 315/30 atrás com jantes de... 22’’. Pois!
Esse conjunto (opção) assegura grande firmeza, baixo ruído e extremo conforto, embora o GLE seja um pouco melhor no último parâmetro, a que se junta um habitáculo bem insonorizado, aí quase à semelhança do X5, ambos com ótima qualidade de materiais e acabamentos, contando ainda com sistemas de apoio à condução evoluídos e conteúdos avançados de infotainment. Entre estes, destaque para os enormes monitores digitais (de 12,3’’) no tablier e à frente dos volantes, sendo também possível elogiar no Mercedes-Benz o novo Head-up Display, o qual projeta mais dados e informações numa zona com excelente campo de visão no para-brisas, com três círculos gráficos possíveis de configurar de forma isolada, quase como acontece nos ecrãs de bordo. Para já, nesta matéria, não se conhece melhor!
Ainda no GLE, a linha AMG (opção) também reforça o impacto exterior, nomeadamente pela diferenciação que é dada pela grelha específica, frisos, spoilers e jantes. Por dentro, há ainda inúmeros pormaiores exclusivos e o habitáculo é bastante amplo, existindo mais centímetros a partir dos bancos traseiros do que no X5, este prejudicado pela posição menos elevada dos assentos.
A distância até aos encostos da frente (75 cm) é melhor no GLE do que no caso do adversário (71 cm), mas, em ambos, o lugar do meio é apertado e pouco aconselhável para viagens longas, mesmo que o túnel da transmissão do BMW (4x4 oblige) até tenha uma dimensão menos incómoda. Repare-se que o SUV do construtor de Munique também cresceu por fora (36 mm no comprimento, 66 mm na largura e 19 mm em altura) e a distância entre eixos aumentou 42 mm, pelo que o habitáculo conquistou vários centímetros em sítios estratégicos, ainda assim abaixo do GLE. Este último conta com mais 7 cm atrás do que antes (no comprimento), por culpa da maior distância entre eixos (8 cm), ao mesmo tempo que a altura disponível ao teto progrediu 3,3 cm.
Ambas as bagageiras são gigantescas e os acessos muito práticos (comando elétrico), embora a abertura dupla do portão do X5 possa ser um pormenor mais funcional, igualmente de abertura/fecho automático, ao mesmo tempo que a entrada/altura do plano de carga está numa posição mais cómoda. Já o rebatimento dos encostos dos bancos traseiros (40:20:40) é fácil de efetuar a partir de teclas existentes nas laterais.
De regresso à dinâmica, interessa salientar o ótimo desempenho das mecânicas Diesel, sem vibrações indesejáveis, em especial nas velocidades estabilizadas, aí com menor ruído por parte do agregado do Mercedes-Benz, embora o consumo médio seja um pouco mais elevado: cerca de 9,9/100 km contra 9 l/100 km do X5. Nada mau, face às toneladas a jogo e às inerentes prestações. A transmissão automática 9G-Tronic do GLE tem um desempenho à altura, sendo eficaz e rápida nas trocas (com patilhas no volante), mesmo que o modo Sport até pudesse alterar de forma mais categórica essa matriz. No X5, apesar da menor potência, o ímpeto é ligeiramente superior e as reações mais imediatas, ainda mais se se configurar o programa Sport (além do ECO Pro e do Comfort).
A resposta perentória da caixa automática (da ZF, de 8 relações) é outro aspeto a elogiar, sem hiatos ou arrastamento, contribuindo para a já mencionada supremacia dinâmica. O tato da condução é direto, leve e preciso (direção ativa integral por 1300 €), inclusive nas travagens à bruta, tendo-se alcançado 35,2 m a partir de 100 km/h. Nada habitual num SUV do género, só ao alcance dos melhores, sem dúvida! E não é demais repetir essa ideia, permitindo diferenciá-lo face ao novo GLE, e isto apesar da grande eficácia e do conforto deste último, por vezes quase sem se sentir a velocidade. É a tal leveza que é comum a ambos...
É quase um sacrilégio que um confronto entre grandes SUV familiares seja decidido pelo lado da vertente dinâmica, mas isso também explica o tipo de evolução que estes automóveis têm tido. Há, de facto, aspetos parecidos (e equivalentes) entre as versões testadas, desde as mecânicas Diesel (272 cv no GLE e 265 cv no X5), passando pelas tecnologias (segurança ativa/passiva incluída) e pelos equipamentos propostos. Tudo de topo, avançado e muito... moderno. Nada falta! A diferença maior é dada pela extrema eficácia do chassis do X5 e pela destreza que impõe na condução, acima da do GLE, mesmo que este até consiga superiorizar-se ao nível do conforto.