Ford Focus ST 2.3 EcoBoost

Fora de série!

TESTE

Por Vítor Mendes da Silva 01-03-2020 13:50

Fotos: Gonçalo Martins

A Ford adquiriu o estatuto de referência na indústria automóvel na elaboração de carros com um comportamento fora de série em estrada, principalmente no fundamental segmento médio, onde o expoente máximo do prazer de condução chama-se Focus RS. Contudo, imediatamente abaixo deste portento, a oval azul tem o ST, que é desportivo um pouco mais discreto e racional.

Atualmente na quarta geração, o Focus ST conseguiu manter a aura de compacto civilizado, com o qual se pode conviver no dia-a-dia, embora não lhe faltem nervo ou imagem. Nesta nova vida, o novo ST apresenta-se cirurgicamente engalanado para transpirar maior agressividade no seu design e mesmo tempo satisfaz algumas necessidades funcionais (maior apoio aerodinâmico, superior caudal de ar a passar pelas entranhas para efeitos de refrigeração, etc). A decoração específica incluiu um spoiler traseiro maior, escape duplo lateral, extrator no para-choques traseiro e maxilas dos travões em vermelho e, claro, belíssimas jantes de liga leve de 19”.

Passamos para o interior, onde a apresentação é mais sóbria, em tons quase totalmente cinzentos e um ou outro pesponto colorido (nos excelentes bancos Recaro total ou parcialmente revestidos em pele, volante). A alavanca da caixa manual está na posição certa e a leitura do painel de instrumentos digital de 4,2” sem falhas.

Não menos importantes são as alterações na mecânica neste ST IV. A começar pela substituição do motor 2.5 pentacilíndrico, por mais moderna mecânica 2.3 EcoBoost, conhecida do… Mustang. Trata-se de um quatro cilindros em alumínio, sobrealimentado por um turbocompressor twinscroll de baixa inércia e com wastegate de comando eletrónico, a debitar 280 cv às 5500 rpm (o Focus ST anterior tinha um 2.0 turbo de 250 cv) e o binário nos 420 Nm. Entre outros segredos para obtenção de ótimo rendimento do propulsor, a instalação de um sistema anti-lag que mantém o acelerador ligeiramente aberto quando o condutor levanta o pé do pedal, para manter a turbina em movimento e anular o tempo de resposta do turbo, quando volta a acelerar. O motor coloca-se em modo stand-by pelo toque do botão start, colocando desde logo o condutor em sentido pela sua sonoridade rouca, que chega ao habitáculo de forma muito menos filtrada do que num Focus normal.

Este trabalho acústico favorece a experiência dinâmica e é bastante mais evidente sempre que ativado os programas mais desportivos, outra novidade. Pela primeira vez, o ST dispõe de modos de condução, podendo optar-se entre Wet/Normal/Sport/Track, este último associado ao Performance Pack, que acrescenta parafernália de ferramentas de inspiração vincadamente racing, como é o caso da função Launch Control, a permitir arranques verdadeiramente disparados. Esmagando-se o pedal da direita, em rápidos 2,7 segundos, o Focus ST já vai lançado a 50 km/h e não precisa de muito mais que 13 segundos para galgar 400 metros de alcatrão. Sempre com músculo disponível às solicitações do pedal da direita. Números que ajudam a perceber que, a contundente resposta do motor desde os mais baixos regimes confere ao ST aquele caráter prático que favorece a convivência no dia-a-dia, mas é mesmo nos momentos de condução desportiva em estradas sinuosas que realmente seduz. Dependerá do momento.

Com mood mais familiar, ideal para explorar as potencialidades do modo Normal, o Focus conduz-se com leveza e som discreto do motor. Já ativando-se o botão S no volante para acesso direto ao modo Sport, o compacto da Ford transfigura-se, o acelerador fica bem mais sensível, a direção mais pesada, o amortecimento mais firme e as passagens podem ser feitas sem levantar o pé do acelerador.

A arquitetura da suspensão não varia face às versões mais potentes do muito bem comportado Focus atual, mas as molas e amortecedores aqui montados têm taragens mais firmes (estando o chassis 10 mm mais perto do solo), para poderem conter de forma eficaz os movimentos da carroçaria, potenciados pelas superiores velocidades em curva. O amortecimento subiu 30%, nas rodas da frente e 13%, nas de trás; as barras estabilizadoras são mais espessas.

No ST, a Ford ainda optou por montar autoblocante eletrónico, com embraiagens de acionamento hidráulico, uma estreia em carros de tração dianteira, oferecendo a capacidade de desviar 100% do binário para a roda com mais aderência, sistema inteligente que processa inputs de vários sensores para antecipar a resposta.

Assim, o comportamento em curva torna-se quase irreal, a meio caminho entre o normal num carro de tração dianteira de produção em série e um automóvel de competição. A inserção em curva é muito precisa e a compostura que mantém a velocidades de passagem já elevadas impressiona quase tanto como a tremenda facilidade com que se pode brincar com a traseira: na maioria dos tração à frente jogar com acelerador a meio da curva apenas serve para causar instabilidade; no mais recente ST da Ford, incrível como podemos fazê-lo para ajudar a colocá-lo nos eixos.

Na passagem de testemunho entre gerações, o sistema de travagem viu a sua resistência à fadiga aumentar quatro vezes face ao sistema anterior. Já a direção é 15% mais direta que nos outros Focus, com apenas duas voltas de topo a topo, além de ter uma geometria específica.

A caixa manual de seis velocidades teve o seu curso reduzido para assegurar engrenamentos mais lestos, mais desportivos. O seletor é igualmente rápido e preciso, outro recurso técnico à medida de motor que parece não ter fragilidades. E com função de ponta-tacão eletrónico nas reduções... Um must!

A condução da nova geração do Focus ST não deixa dúvidas: estamos perante o segundo desportivo da hierarquia Focus; o primeiro a combinar de forma tão brilhante o caráter discreto e mais civilizado de compacto que não compromete na condução de todos os dias e credenciais dinâmicas que lhe garantem o estatuto de fora de série quando o assunto é condução desportiva.

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Ficha Técnica

Caracteristicas

FORD FOCUS

ST 2.3 Ecoboost

Motor
Arquitetura 4 cilindros em linha
Capacidade 2261 cc
Alimentação Inj. direta, turbo, intercooler
Distribuição 2 a.c.c./16 v
Potência 280 cv/5500 rpm
Binário 420 Nm/3000-4000 rpm
Transmissão
Tração Dianteira
Caixa de velocidades Manual de 6 velocidades
Chassis
Suspensão F Ind. McPherson
Suspensão T Ind. Multibraços
Travões F/T Discos ventilados/Discos
Direção/Diâmetro de viragem Elétrica/11,3 m
Dimensões e Capacidades
Compr./Largura/Altura 4,388/1,979/1,458 m
Distância entre eixos 2,7m
Mala 375-1354 litros
Depósito de combustível 52 litros
Pneus F 235/40 R18
Pneus T 235/40 R18
Peso 1508 kg
Relação peso/potência 5,4 kg/cv
Prestações e consumos oficiais
Vel. máxima 250 km/h
Acel. 0-100 km/h 5,7 s
Consumo médio 7,9 l/100 km
Emissões de CO2 179 g/km
Garantias/Manutenção
Mecânica 2 anos sem limite de km
Pintura/Corrosão 3/12 anos
Intervalos entre revisões 30000 km
Imposto de circulação (IUC) 238,66 €

Medições

FORD

Acelerações
0-50 km/h 2,7 s
0-100 / 130 km/h 6 s
0-400 / 0-1000 m 13,9 s
Recuperações
40-80 km/h 3.ª 3,5 s
60-100 km/h 3.ª/4.ª/5.ª 3,3/4,4/5,3 s
80-120 km/h 4.ª/5.ª/6.ª 4,8/6/7,1 s
Travagem
100-0/50-0km/h 33,7/8,8 m
Consumos
Consumo médio 8 l/100km
Autonomia 650 km

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