Toyota CHR 2.0 Hybrid Premier Edition

Apressar o passo

TESTE

Por Paulo Sérgio Cardoso 19:45

Fotos: Gonçalo Martins

Foi com enorme subtileza que a Toyota atualizou a gama do conhecido crossover C-HR, modelo que desde que nasceu, em 2016, foi já entregue a mais de 400 mil clientes em solo europeu, com oito em cada dez vendas a cargo da versão híbrida, com 1.8 e motor elétrico a resultar em 122 cv.

Face ao manifesto de preferências, a marca nipónica decidiu focar a atualização do C-HR no alargamento da oferta mecânica (entre outros pormenores), com a adoção do recente conjunto híbrido encimado pelo muito eficiente 4 cilindros a gasolina de 2 litros, estreado na gama Corolla, com potência máxima combinada de 184 cv, mais alinhado com o cunho desportivo e a envolvência de condução que sempre caracterizaram modelo que concorre diretamente com Nissan Qashqai & Cia.

Para iguais versões de equipamento, a Toyota pede mais 2800 € pelo 2.0. Mas no caso da unidade testada, afeta à versão de lançamento Premier Edition, está exclusivamente ligada à nova e mais potente motorização, caracterizando-se por elementos exclusivos, caso da pintura laranja e tejadilho negro, bem como pelas jantes pretas de 18’’. O interessante recheio de equipamento complementa-se, por exemplo, com estofos revestidos a pele preta, ajustes elétricos para o banco do condutor, cuidado sistema de som JBL, navegação, luzes dianteiras LED direcionais e adaptativas, além de forte aposta nos elementos de segurança e auxílio à condução, onde não falta aviso de saída de faixa com correção automática no volante, cruise control adaptativo, aviso de ângulo morto, sensores de estacionamento com câmara traseira e muito útil aviso sonoro de aproximação de veículo na traseira aquando a realização de manobra (de parca visibilidade) à saída de estacionamento. Entre os pormenores, lugar para a inclusão de luzes na base dos espelhos retrovisores que projetam no chão a sigla «C-HR», à noite.

O interior foi apenas ligeiramente retocado, com a Toyota a focar-se na introdução de novo e mais prático sistema de infoentretenimento, que não obstante manter o monitor tátil de 8’’, vê a funcionalidade melhorada com a introdução de alguns botões físicos, seja para aceder aos diversos menus, seja o comando rotativo do volume do som, sempre uma melhor solução do que qualquer tátil. Este sistema multimédia tem agora a possibilidade (finalmente) de poder associar-se ao software dos smartphones, com projeção (espelho) dos mesmos no monitor central, através de Apple CarPlay e Android Auto. Por melhorar ficou ainda o grafismo de todo o sistema, que continua de aspeto antiquado (incluindo o mapa do sistema de navegação), em particular face ao restante ambiente a bordo. Intacto permaneceu, também, o painel de instrumentos, mais analógico que digital, onde continua a não ser muito prático navegar pelos menus do computador de bordo, os quais são projetados na pequena zona central da instrumentação. Para chegar ao menu dos modos de condução (Eco, Normal e Sport) é preciso saber que estes existem, uma vez que estão escondidos nas diversas configurações – gostaríamos de botão para acesso direto a esta função...

Embora crossover de conceito, o C-HR nunca foi conhecido pelo sentido prático e cariz familiar, oficializando uma certa escravidão ao design. Por isso, as bolsas nas portas continuam a ser demasiado estreitas e a reduzida zona vidrada lateral traseira parece encolher ainda mais a sensação de espaço, atrás. A bagageira é curta face ao valor médio do segmento.

Bem melhor no C-HR será tudo o que está intimamente ligado com a facilidade de condução, conforto e dinamismo. Além do travão de parque elétrico, o facto do arranque acontecer sempre em modo puramente elétrico como que confere uma vertente de descontração e acalmia em todos os inícios de viagem. A direção é leve, o raio de viragem curto e os movimentos todos suaves, apoiados na transmissão do tipo eCVT que a Toyota utiliza para orientar os conjuntos propulsores híbridos.

De volta ao 2.0 Hybrid de 184 cv

Esta nova e mais potente variante de 2 litros tem o condão de se apresentar mais silenciosa e serena quando são pedidas acelerações mais vigorosas ou rolando-se em autoestrada, onde também é agora mais simples manter ritmos elevados com menor sensação de esforço generalizado – a velocidade máxima surge limitada a 180 km/h. As performances medidas, além de serem bem melhores face às do 1.8 de 122 cv, não pedem muito mais combustível à troca, não só devido à recordista eficiência térmica deste novo bloco (41%), como à bem-conseguida gestão do módulo híbrido. Como tal, mesmo em autoestrada dificilmente os consumos ultrapassarão os 6 l/100 km, mas são os registos em esfera urbana que mais surpreendem: rolando-se normalmente, ao ritmo do trânsito, e agregando cidade com vias rápidas, será fácil manter o computador de bordo em torno dos 5 litros, possível mesmo de baixar para cerca de 4,5 l/100 km com pára-arranca à mistura – não esquecer que o C-HR permite que se force a circulação em modo puramente elétrico (EV), existindo para tal carga na bateria. É também possível acompanhar a percentagem de tempo em que este Toyota híbrido funciona com o motor térmico desligado ao longo de determinado percurso, sendo vulgar conseguir períodos a rondar os 50% de consumo zero.

A suspensão foi igualmente acertada para esta motorização 2.0 (os amortecedores são específicos), surpreendendo pela forma como conforto, rigidez e dinamismo surgem associados. Mesmo com jantes de 18’’, o C-HR rola com imensa serenidade sobre qualquer género de piso, sem ruídos de amortecimento, sacudidelas indesejadas ou mesmo o mínimo barulho parasita a bordo. Depois, a direção é talvez a melhor de todos os Toyota de índole mais familiar, atuando com precisão, rapidez e até consistência informativa inesperada, fator a que não será alheia a plataforma de baixo centro de gravidade (para SUV) que muito ajuda ao condutor a interpretar as reações da carroçaria, sempre muitíssimo bem controladas. Até o pedal de travão parece ser dos menos esponjosos e mais progressivos ao longo do curso entre toda a classe dos híbridos – o sistema regenerativo da energia libertada pela travagem tem este efeito.

Face ao sucesso e à originalidade (vencedora) do C-HR, não era fácil à Toyota mexer no modelo... Por isso, as principais alterações exteriores são de pormenor e principalmente focadas nas assinaturas visuais a cargo das óticas LED. Reforço, sim, ao nível da integração e utilização do novo sistema multimédia na zona central do tablier, mais intuitivo, completo e agora permitindo trabalhar/espelhar os smartphone (embora de grafismo ainda possível de atualizar...), novas ajudas à condução e, acima de tudo, a introdução de mais vigorosa máquina híbrida, com recurso ao novo motor 2.0 capaz de 184 cv em conjunto com o motor elétrico. Agora sim, o C-HR pode ser mais e melhor explorado dinamicamente, fruto de mais vigoroso desempenho e superior capacidade de circulação em autoestrada. Tudo sem afetar os consumos...

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Ficha Técnica

Caracteristicas

TOYOTA C-HR

2.0 Hybrid Premier Edition

Motor térmico
Arquitetura 4 cilindros em linha
Capacidade 1987 cc
Alimentação Inj. direta e indireta
Distribuição 2 a.c.c./16v
Potência -
Binário -
Motor elétrico
Tipo -
Potência -
Binário -
Bateria -
Capacidade da bateria
Módulo Híbrido
Potência 184 cv
Binário 190 Nm/4400-5200 rpm
Transmissão
Tração Dianteira
Caixa de velocidades Automática, do tipo eVCT
Chassis
Suspensão F Ind. McPherson
Suspensão T Ind. duplos triângulos
Travões F/T Discos ventilados/Discos
Direção/Diâmetro de viragem Elétrica/10,4 m
Dimensões e Capacidades
Compr./Largura/Altura 4,395/1,795/1,555 m
Distância entre eixos 2,64m
Mala 358 litros
Depósito de combustível 43 litros
Pneus F 8jx18 - 225/50 R18
Pneus T 8jx18 - 225/50 R18
Peso 1485 kg
Relação peso/potência 8,1 kg/cv
Prestações e consumos oficiais
Vel. máxima 180 km/h
Acel. 0-100 km/h 8,2 s
Consumo médio 5,3 l/100 km
Emissões de CO2 119 g/km
Garantias/Manutenção
Mecânica 7 anos ou 160.000 km
Pintura/Corrosão 3/12 anos
Intervalos entre revisões 15000 km
Imposto de circulação (IUC) 204,21 €

Medições

TOYOTA

Acelerações
0-50 km/h 3,2 s
0-100 / 130 km/h 8,3/13 s
0-400 / 0-1000 m 16,1/29,1 s
Recuperações
40-80 km/h (D) 4 s
60-100 km/h (D) 4,5 s
80-120 km/h (D) 5,4 s
Travagem
100-0/50-0km/h 36/9,1 m
Consumos
Consumo médio 5,7 l/100km
Autonomia 754 km

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