O primeiro será sempre o primeiro e o DS 3 Crossback e-Tense ficará conhecido como o pioneiro dos crossover premium de segmento B com propulsão 100% elétrica, título que a marca francesa pode utilizar em exclusivo, porque primeiro... só há um! Ora, essa exclusividade está perfeitamente alinhada com a forma como a DS «vende» a sua gama de automóveis, recheando-os de pormenores que o destacam dos produtos das marcas generalistas, aproximando-os dos premium. Até no preço, sendo que essa é uma condição ainda um pouco mal-aceite pelo mercado, sempre reticente em valorizar novos candidatos à categoria mais exclusiva. Da parte que nos toca, a DS, e o DS 3 Crossback em particular, está vários furos acima dos produtos médios do segmento no que toca à qualidade e, porque não, no design.
No caso concreto da versão elétrica do SUV utilitário da DS, interessa referir que excluindo a designação e-Tense na carroçaria, nada a distingue das demais propostas da gama, situação que já não se verifica no interior, onde, aparentemente, tudo é igual (e é-o estruturalmente), até que começamos a conduzir o automóvel e percebemos que o painel de instrumentos digital e o ecrã central são, naturalmente, específicos das restantes versões, fornecendo informações referentes ao consumo energético, carga da bateria, autonomia elétrica e modos de condução. Registe-se ainda que o comando da caixa de velocidades posicionado no prolongamento da consola central (onde há seletor para escolher os modos de condução) é igual às outras versões do DS 3 Crossback com caixa automática. Por outro lado, não há, e não fazem falta nenhuma, patilhas no volante para troca de relações de caixa.
Nota positiva merece este automóvel no que toca à qualidade dos materiais utilizados, à qualidade de construção e ainda à ergonomia, com os comandos bem posicionados, posição de condução correta (um pouco elevada como é habitual em carros deste género) e ecrã do sistema de infoentretenimento muito bem colocado acima do tablier, evitando que o condutor tenha que baixar o olhar para o visualizar. No entanto, é sempre de evitar fazê-lo, como tem sido sucessivamente provado pelos testes realizados por diversas entidades de segurança rodoviária. O melhor mesmo é consultar a informação na instrumentação, que no caso do DS 3 Crossback e-Tense chega e sobra para nos mantermos a par do que se passa de relevante com o automóvel, nomeadamente da autonomia, questão de superior interesse quando guiamos um elétrico e que abordamos em seguida.
O DS 3 Crossback elétrico tem pack de baterias de iões de líto de 50 kWh de capacidade (a marca não divulga o valor útil, apenas o total) que aguenta carregamentos rápidos a 100 kW, sendo precisos 30 minutos para reabastecer 80%. Por outro lado, conte-se com 7h30m para carregamento total na wallbox de 7,4 kW, ou 5h se ligado a 11 kW, tendo a marca apostado forte na eficiência do sistema de refrigeração das baterias para que seja retirada a máxima eficácia dos carregamentos. De série, o DS 3 e-Tense traz dois cabos para maior versatilidade nos carregamentos.
A energia no pack de baterias faz movimentar motor de 136 cv que entrega a potência às rodas dianteiras, sendo utilizável através de três modos de condução – Eco, Normal e Sport –, sendo que o fabricante anuncia autonomia máxima na ordem dos 320 km em ciclo WLTP (em modo Eco), ou seja, já segundo condições reais de utilização. Quando iniciámos a condução com o elétrico da DS, a bateria estava a 100% e a autonomia indicava 210 km. Utilizámos o carro maioritariamente em modo Eco (potência limitada a 82 cv), forçando com frequência o carregamento através do modo B (desaceleração de 1,2 m/s2; o modo normal desacelera 0,5 m/s2, estando a potência limitada a 109 cv), o que nos permitiu percorrer, variando entre percurso urbano, estrada e autoestrada (incluindo desvio para efetuar as exigentes medições de arranque 0-100 km/h, mil metros de arranque e recuperações, que publicamos na ficha técnica), 247 km, restando ainda 34 km de autonomia. Nessa altura, até porque era hora de recolher, colocámos a bateria a carregar. O registo deixou-nos favoravelmente impressionados, ainda que fique aquém do valor anunciado e do que são capazes algumas propostas equivalentes em termos de tecnologia elétrica.
Nota elevada para o desembaraço do motor elétrico em qualquer dos modos de condução (naturalmente que variável tendo em conta a resistência/travagem que cada um deles aplica às rodas) e para a facilidade de condução do crossover elétrico da DS, automóvel que se move com agilidade em percursos urbanos e que mantém rolamento contido da carroçaria em curva, demonstrando ainda amortecimento competente, o que se traduz em bons níveis de conforto.
Em geral, gostámos bastante do DS 3 Crossback e-Tense. Desde logo porque o consumo energético não é elevado, o que assegura boa autonomia e, consequentemente, não eleva os níveis de ansiedade do condutor. É verdade que há propostas neste segmento com autonomia superiores, mas nenhuma iguala o nível de qualidade premium proposto pela DS no seu utilitário.