Toyota GR Supra 2.0 Signature

Máquina eletrizante

TESTE

Por José Caetano 27-02-2021 08:00

Fotos: Gonçalo Martins

Na Toyota, versão nova do GR Supra. Desenvolvido e produzido em colaboração com a BMW, o desportivo de dois lugares ganha motor com 4 cilindros, 2 litros e 258 cv. A mecânica de origem BMW, generosa, não ‘belisca’ a imagem de máquina eletrizante! Primeiro teste.

Em 2019, a Toyota reintroduziu na gama automóvel que tem um lugar próprio no Olimpo dos desportivos: Supra! E a marca socorreu-se de colaboração com a BMW tanto para o desenvolvimento como para a produção. Este coupé fabricado pela Magna Steyr, na Áustria, nas mesmas linhas de montagem da geração nova do roadster Z4, o modelo com que partilha muitos componentes e órgãos, honra a história gloriosa dos antecessores e impressiona tanto pelas capacidades dinâmicas como pela imagem.

Escrevemo-lo anteriormente e reafirmamo-lo: o Supra não é um sucedâneo do Z4. Não, sublinha-se! Este casamento de conveniência entre os dois fabricantes tem mais vantagens do que desvantagens, mas o desenho do Toyota é mais disruptivo no exterior do que no interior, onde as impressões digitais dos alemães refletem-se tanto no hardware como no software, com o sistema de info-entretenimento a apresentar-se co- -mo expressão máxima do impacto da BMW no projeto da Toyota. Na segunda versão da gama, novidade sob o capot longilíneo. E, assim, preserva-se a imagem de marca associada ao Supra desde os A40/50 baseados no Celica... O motor de 4 cilindros e 2 litros é fornecido pela BMW, a exemplo da mecânica de 6 e 3 litros que equipa a variante de topo do GR Supra. Todavia, também neste caso, o motor passou pelas mãos dos técnicos da Toyota Gazoo Racing, que introduziram uma mão cheia de mudanças para otimização do rendimento, independentemente do regime de funcionamento. A distribuição variável é acionada por máquina elétrica para controlo muito mais preciso da abertura e do fecho das válvulas da admissão e de escape, o que aumenta a disponibilidade de binário e a rapidez de resposta ao pedal do acelerador. A atuação da turbina contribui para a mesma impressão de rapidez de reação.

O comportamento do motor 2.0 Turbo, nas acelerações e nas recuperações, sublinha a orientação desportiva do GR Supra. Na comparação com o topo de gama, que tem 340 cv, este automóvel com 258 cv é só 0,9 s mais lento no arranque 0-100 km/h. Nos dois, a velocidade máxima encontra-se limitada eletronicamente a 250 km/h. O 3.0 ganha o confronto na maioria das medições, mas perde-o ao nível da eficiência. Este 4  cilindros é muito enérgico, mas o carácter temperamental da mecânica não é incompatível com moderação no consumo, nos ruídos e nas vibrações.

A caixa automática de 8 velocidades contribui para o prazer na condução do GR Supra. O sistema inclui controlo de arranque (Launch Control) e programa manual que ativamos sequencialmente em patilhas no volante. As passagens das relações são ultrarrápidas, selecionando- se o modo de ação mais desportivo (Sport), uma alternativa ao ativo por defeito (Normal). O diferencial ativo ambém participa na agilidade, precisão e rapidez do Toyota. Este mecanismo tem comando elétrico que adapta a resposta em função de diversos parâmetros (direção, acelerador, travões, etc.), utilizando- os para determinar a repartição do binário entre as rodas posteriores. Próximo dos limites da aderência, garante mais estabilidade nas travagens e, ainda, potência máxima nas saídas de curvas realizadas em aceleração, devido ao nível excecional de tração.

O motor de 4 cilindros é muito mais compacto e leve do que o 6 cilindros… O Supra 2.0 tem menos 100 kg do que o 3.0, por isso apresentando centro de gravidade mais baixo e repartição equitativa do peso entre os eixos (50-50%), características que beneficiam o desempenho dinâmico do Toyota, por melhorarem tanto as características de inércia do automóvel como o equilíbrio do chassis, que mantém a direção direta e rápida, a suspensão com sistema de amortecimento variável adaptativo (Normal ou Sport) e o equipamento de travagem potente e resistente à fadiga. Nesta versão, pneus Pilot Sport Super em jantes de 18’’ produzidos à medida pela Michelin – os posteriores são mais largos (275 contra 255), o que também favorece a aderência. Na estrada, podendo-se, condução eletrizante!

No habitáculo, no centro do painel de bordo, monitor de 8,8’’ a cores. O monitor admite comandos táteis das funções do automóvel. Esta seleção também pode realizar-se de forma manual em seletor rotativo arrumado na consola entre os bancos, como acontece nos auto- -móveis da BMW, ao lado do comando que ativa o modo de condução mais desportivo (Sport). A instrumentação digital (conta-rotações colocado no centro do mostrador digital) e o volante têm desenhos específicos, ambos minimalistas. Assim, garante-o a Toyota, eliminam- se todas as fontes de distração capazes de limitarem a concentração do condutor na pilotagem do Supra. A prática valida a teoria.

Os acessos ao cockpit não são muito amplos (nem podia sê-lo, considerando as dimensões e as formas da carroçaria!), mas os bancos com regulações elétricas têm apoios laterais de qualidade. Gostámos da posição de condução, muito baixa, não gostámos das limitações enormes à visibilidade resultantes da superfície vidrada reduzida nem da ausência de compartimentos para arrumação ou da capacidade da bagageira, que tem apenas 290 litros, só mais nove do que a mala do BMW Z4. Menos mal: é possível chegar-se-lhe a partir do interior, devido à ausência de separador entre o habitáculo e o compartimento de carga, ignorando a barra anti-aproximação montada atrás dos encostos, que liga as barras da suspensão posterior (melhora q.b. a rigidez do chassis, o que beneficia, diretamente, a estabilidade, a precisão, a rapidez e a segurança em curva).

O equipamento do GR Supra 2.0 Signature é muitíssimo completo (consultando-se a lista de opcionais, encontra- se apenas a pintura metalizada…). De série, entre outros elementos, Head-Up Display e pacote Supra Safety com assistências eletrónicas modernas, nomeadamente regulador de velocidade ativo com função Stop & Go (garante-se condução mais relaxada em engarrafamentos e semáforos) e travagem automática com reconhecimento de ciclistas e peões, alerta de saída involuntária da faixa de rodagem (o sistema é capaz de atuar na direção) e reconhecimento de sinais de trânsito.

Na 5.ª geração do Supra, alternativa ao 6 cilindros com 3 litros e 340 cv. Na versão nova, mecânica de 4 cilindros e 2 litros com 258 cv, também de origem BMW. Este automóvel tem menos 100 kg do que o 3.0, por isso contando com centro de gravidade mais baixo e repartição equitativa do peso entre eixos (50-50%), características que beneficiam o comportamento do Toyota, por melhorarem tanto as características de inércia do automóvel como o equilíbrio do chassis. O 2.0 é reativo aos movimentos no acelerador, independentemente do regime de funcionamento, o que combina com a orientação desportiva de coupé com imagem impactante.

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Ficha Técnica

Caracteristicas

TOYOTA SUPRA

GR 2.0 SIGNATURE

Motor
Arquitetura 4 cilindros em linha
Capacidade 1998 cc
Alimentação Injeção direta, turbo, intercooler
Distribuição 2 a.c.c./16 v
Potência 258 cv/5000-6000 rpm
Binário 400 Nm/1150-4000 rpm
Transmissão
Tração Traseira
Caixa de velocidades Automática de 8 velocidades
Chassis
Suspensão F Ind. McPherson
Suspensão T Ind. Multibraços
Travões F/T Discos ventilados
Direção/Diâmetro de viragem Elétrica/10,4 m
Dimensões e Capacidades
Compr./Largura/Altura 4,379/1,854/1,299 m
Distância entre eixos 2,47m
Mala 290 litros
Depósito de combustível 52 litros
Pneus F 255/40 ZR18
Pneus T 275/40 ZR18
Peso 1380 kg
Relação peso/potência 5,34 kg/cv
Prestações e consumos oficiais
Vel. máxima 250 km/h
Acel. 0-100 km/h 5,2 s
Consumo médio 7,5 l/100 km
Emissões de CO2 170 g/km
Garantias/Manutenção
Mecânica 7 anos/160.000 km
Pintura/Corrosão 3/12 anos
Intervalos entre revisões 30000 km
Imposto de circulação (IUC) 239,37 €

Medições

TOYOTA

Acelerações
0-50 km/h 2,0 s
0-100 / 130 km/h 5,1 / 8,0 s
0-400 / 0-1000 m 13,4 / 24,6 s
Recuperações
40-80 km/h (D) 2,4 s
60-100 km/h (D) 2,9 s
80-120 km/h (D) 3,4 s
Travagem
100-0/50-0km/h 34,3 / 8,8 m
Consumos
Consumo médio 8,3 l/100km
Autonomia 626 km

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