No primeiro modelo exclusivo da Cupra, mesmo com a forte tónica desportiva inerente à nova marca do universo Seat, carroçaria CUV (Crossover Utility Vehicle) para ligação umbilical ao formato da moda. Imerso em originalidade, o Formentor não descura condução emotiva e forte personalidade dinámica.

A Cupra, braço desportivo da Seat, assumiu a sua autonomia enquanto marca em 2018 e lançou-se com o Cupra Ateca, baseado no Seat com o mesmo nome. Já este Formentor é o primeiro modelo nascido de raiz para ser um Cupra 100% autónomo da casa mãe, apresentando-se com formato de SUV desportivo, entre compacto e coupé, com alcunha de CUV, repleto de personalidade visual (e podemos desde já adiantar que a dinâmica também!), chamando a atenção a olhares curiosos nos dias que decorreu este teste – a pintura mate e as jantes acobreadas, dois elementos de personalização, dão uma ajuda!
O Formentor é pouco maior que um Ateca, mas menos preocupado com as questões familiares. O seu mote é emotivo, desvendando a veia premium a que a Cupra aspira, bem patente nesta versão, com mecânica 2 litros turbo a gasolina, de 310 cv, domada por tração integral e caixa automática, que faz frente a modelos como BMW X2 M35i ou Mercedes-AMG GLA 35, ambos de 306 cv... mas mais caros.
O foco nas pretensões e na imagem desportiva da Cupra acaba por vir ainda mais ao cimo nesta versão do Formentor, onde não existe referência externa ao nome do modelo, apenas à marca! Marcantes são as proporções da carroçaria, de capot longo e bojudos ombros traseiros (vias largas), quase com modos de muscle car americano... mas mais alto! E esta sensação explica-se assim que o condutor toma rédeas atrás do volante, bem sentado em verdadeiras baquets integrais (com ótimos apoios laterais, sem beliscar o conforto e ergonomia), em posição rebaixada, com o longo capot sempre presente no horizonte visual. O centro de gravidade é de tal forma baixo que é fácil ao condutor esquecer que está aos comandos de um SUV/CUV.

A vista periférica interior desvenda habitáculo mais estreito do que o esperado, com reduzidas zonas vidradas, mas de uma qualidade que impressiona positivamente, com revestimentos cuidados no tablier e pegas das portas, acompanhados por atenções decorativas, tendo como mote o tom acobreado que é imagem da Cupra. Os elementos digitais surgem em força, com instrumentação em ecrã de 10,25’’ a permitir variados (e modernos) cenários e riqueza informativa, estando acompanhado pelo generoso monitor tátil de 12’’ no centro da consola central, aglomerando todas as funções de bordo.
O sistema multimédia tem gráficos atraentes, mas não é fácil conseguir uma navegação fluída e intuitiva entre os vários menus, também devido à multiplicidade de opções e definições. Ligeiramente abaixo existem (os únicos) comandos autónomos para o volume e temperatura da climatização, mas que também não são fáceis de lidar e não possuem iluminação, à noite – ao contrário do restante habitáculo, com excelente ambiente noturno e vários tons para a iluminação de todas as zonas.
O botão de ignição está colocado no volante (à direita), o mesmo se passando com o comando Cupra (à esquerda) que permite comutar os modos de condução. Já o botão do ESP está na consola central, à frente do comando da caixa de velocidades, surgindo a tentação de a ele recorrer para acordar o motor. Pormenores que requerem período de habituação...

Personalidade dinámica
Os modos de condução (Comfort, Sport, Cupra, Offroad e Individual) e a possibilidade de ajustes individuais permitem personalizar a firmeza da suspensão (14 níveis!), peso da direção, trabalho da caixa automática, sensibilidade do acelerador e até sonoridade a bordo (três níveis artificiais, mas bem conseguidos, por intermédio das colunas do sistema de som) e dando ao condutor real e distinto envolvimento com a condução. Que vai de uma extrema suavidade na utilização do motor 2 litros a gasolina, com fluidas trocas de caixa e um robusto e confortável contacto com o alcatrão, a uma inesperada intensidade dinâmica, de ligação umbilical com a estrada, seja por intermédio de uma direção muito bem calibrada e direta (2 voltas entre topos), quer pelo controlo dos movimentos da carroçaria em curva, com amortecimento que não chega a ser de firmeza insuportável (por exemplo, pareceu menos rude face ao Cupra Ateca), mas sim muito bem conseguido na interação com o trabalho da tração integral. Trabalho que fica corroborado pela constante sensação de que o chassis aguentaria ainda mais (e mais!) velocidade em curva, mesmo perante as credenciais desportivas dos 310 cv do motor 2 litros – nota-se um fosso na quebra de rotação entre trocas das relações intermédias da caixa, mal que está intimamente ligado com a aferição das emissões.

Igualmente impressionante é o poder de travagem do opcional sistema Brembo (apenas 34 metros para imobilização a partir dos 100 km/h) que vem reforçar o caráter do Cupra Formentor: não é apenas um SUV rápido pelos méritos dos 310 cv, mas sim um verdadeiro desportivo, que não coloca de lado a veia refinada para uso quotidiano.
O caráter diferenciador do Formentor vai ajudar a fazer da Cupra uma marca de paixões. Como é, também, a condução deste SUV desportivo, repleta de personalidade e intensidade. O habitáculo fala uma linguagem moderna, com foco na digitalização e envolvência desportiva do condutor, não faltando mão-cheia de equipamentos vanguardistas de conforto e de segurança. Apenas o software do sistema multimédia poderá ser de navegação algo lenta e pouco intuitiva entre os muitos menus e funcionalidades.