A Cupra, marca desportiva criada em 2018, na base da Seat Sport, tem no Formentor o seu primeiro modelo desenvolvido internamente e com design próprio, recorrendo a plataforma e a motorizações utilizadas pela Seat, que é do Grupo VW.
O Formentor, que recebe o nome de um cabo da ilha de Maiorca, nas Baleares, apresenta-se com o formato da moda, a meio caminho entre SUV e coupé – a marca define-o como crossover –, mede 4,450 metros de comprimento, 1,839 m de largura e 1,511 m de altura. Tecnicamente, o automóvel assenta na plataforma MQB Evo, arquitetura moderna do Grupo VW que partilha com a geração nova do Leon e, por consequência, a mesma distância entre eixos de 2,680 metros. As medidas exteriores do segundo modelo com características de SUV a envergar o logótipo de estilo tribal da Cupra, depois do Cupra Ateca, tornam-no 10 cm mais baixo do que este, aproximando-o da berlina/carrinha Leon.

Cupra é a marca desportiva da Seat. Todavia, não se compromete com o desempenho exclusivamente desportivo dos seus automóveis e apesar do seu posicionamento comercial (ainda) de nicho, a rentabilidade financeira impõe a proposta de produtos menos elitistas, menos caros e mais facilmente vendáveis. O exemplo é a disponibilidade do Formentor com a motorização a gasolina 1.5 turbo de 150 cv, partilhada com a Seat, que configura a versão de entrada de gama, neste teste com caixa manual de seis velocidades e, em opção, com automática DSG de sete relações. O 1.5 TSI não é a mecânica mais potente que se poderia esperar em desportivo genuíno, tal como o binário máximo de 250 Nm a partir das 1500 rpm está longe de conferir-lhe impetuosidade comparável àquele. Também a transmissão, apesar do escalonamento correto, não ajuda a agilizar as performances, e como em quase todas as motorizações que dispõem da caixa automática DSG, esta funciona bem melhor. Por estar disponível, desde logo se recomenda.
O motor 1.5 TSI desliga dois dos quatro cilindros a velocidades de cruzeiro com baixa carga ou em desaceleração para baixar o consumo e as correspondentes emissões de CO2. Menos cilindros a funcionar, menor quantidade de combustível injetado e queimado, logo consumos (mais) comedidos. Mas nem tanto. O sistema, que passa discretamente o motor ao modo de 2 cilindros, não é assim tão profícuo na eficiência para o consumo, que em média circunda a fasquia dos 8 litros por 100 km, praticando uma condução normalizada em ciclo misto.

O Formentor 1.5 TSI, contudo, não degenera aos genes desportivos da Cupra no desempenho dinâmico, que corresponde à pretensão da imagem exterior do crossover e também do interior, que apesar da construção e conceção serem idênticas às da atual geração do Leon, exibe elementos suficientemente diferenciadores para nos sentir-nos noutra… marca. Além de a qualidade da montagem e dos materiais e a dotação de equipamento alinharem-se pelas da nova geração daquele modelo da Seat. Embora faltando potência ao 1.5 TSI para cumprir com os requisitos desportivos, a dinâmica do Formentor compensa-a em grande parte, privilegiando o prazer na condução, pela agilidade, precisão da direção, rapidez de resposta e segurança de todas as reações. Incluindo a firmeza algo excessiva da suspensão, condição para a otimização do controlo dos movimentos nas transferências de massa, penalizadora sem gravidade do conforto de rolamento. Esta versão garante um equilíbrio bastante satisfatório entre requisitos dinâmicos e familiares, que é, com o preço, o mais acessível da gama, sem dúvida a sua principal mais-valia. No programa de condução do Cupra 1.5 TSI, apenas três programas predefinidos, Comfort, Sport e Individual, suprimindo-se o mais desportivo Cupra, ex-libris das motorizações mais potentes. Mais um sinal do despojo desportivo desta versão. Nas desprovidas de tração integral (que acrescentam àqueles o modo Offroad) e de caixa automática (como é o caso desta em teste), o software regula apenas a velocidade de resposta da mecânica ao acelerador, o tato da direção e as atuações da climatização e do regulador de velocidade ativo. Esclareça-se que o modo Sport não confere superior desportividade relevante ao Formetor.

A posição de condução é muito boa e correta, a Cupra acertou ao concebê-la mais baixa e desportiva do que na esmagadora maioria dos SUV/crossover. Os bancos dianteiros contribuem para a ideal sustentação lateral do corpo em curva, ainda que não sejam os do tipo bacquet, mais desportivos e os encostos de cabeça integrados, reservados para as versões superiores.
No interior, o painel de instrumentos é digital de 10,25’’ e configurável, com gráficos específicos e desenhos que aludem ao conceito da marca. Também a instrumentação pode configurar-se à medida das exigências, adaptando os grafismos e as informações ao estilo da condução. O monitor do sistema de infoentretenimento (12’’) concentra a maioria dos comandos das funções de bordo, razão por trás do número reduzido de botões no interior do Cupra.

O habitáculo é desafogado e tem capacidade para cinco ocupantes, embora, procurando-se conforto, desaconselha-se a utilização do banco central traseiro, mais estreito e menos ergonómico do que os laterais. A bagageira tem generosa capacidade de 450 litros na configuração normal.
O motor a gasolina 1.5 de 150 cv não é a mecânica mais potente que se poderia esperar num desportivo genuíno, e também a transmissão manual, apesar do escalonamento correto, não ajuda a agilizar as performances. Contudo, o Formentor não degenera aos genes desportivos da Cupra no desempenho dinâmico e esta versão garante equilíbrio bastante satisfatório entre esses requisitos e os familiares, que é, com o preço, o mais acessível da gama, sem dúvida a sua principal mais-valia.