Não pode circular em estrada, nem sequer está homologada para as corridas de Superbikes, mas a BMW HP4 Race é muito mais do que ‘simples’ montra tecnológica. Verdadeira obra de arte, ao alcance de muito poucos, representa revolução industrial que marcará o futuro das motos. E em pista é simplesmente soberba! Aliás, no papel, lendo o completíssimo dossier preparado pela BMW, tem tudo para ser a melhor moto do Mundo. Sem exageros! Tem argumentos tecnológicos ao nível das motos do Mundial de Superbikes (incluindo menos 8 kg!) e um peso ‘parc fermé’, sem gasolina, que é apenas três quilos superior às exclusivas e inalcançáveis máquinas de MotoGP. Ficha técnica de luxo numa moto ao alcance do comum dos mortais – ok, desde que seja um dos primeiros 750 candidatos a ‘chegar-se à frente’ com 79 mil euros! – para guardar na sala de estar, como qualquer verdadeira obra de arte, ou para utilizar em pista, durante ‘track-days’ ou eventos especiais.
Moto ímpar onde apenas os melhores componentes têm lugar, agregados em redor de quadro verdadeiramente único, construído em fibra de carbono segundo revolucionário processo industrial. Verdadeiro coração da HP4 fabricado num molde (um pouco à semelhança do alumínio forjado) e não através da sobreposição e colagem convencionalmente utilizadas neste material.
Depois de duas rápidas aulas de ‘Tecnologia Avançada’ e ‘Introdução à Regulação Absoluta’, forma de controlar todos os imensos parâmetros ajustáveis, da gestão dos mapas de motor (Wet, Intermediate, Dry1 e Dry2) ao controlo de tração (programável em 15 níveis) ou efeito de travão-motor (também de -7 a +7), ‘anti-wheelie’ (5 níveis que podem ser ajustados individualmente a cada velocidade, ou seja, por exemplo, deixando levantar mais a roda apenas a partir de 4.ª e intervindo mais cedo nas relações mais baixas), limitador de velocidade no ‘pit-lane’ ou o ‘launch-control’. E tudo através de botões, simples e coloridos para rápida identificação, facilmente acionados pelos polegares.
Com leveza que surpreende desde o primeiro momento, contribuindo para gigantesca facilidade de colocação em curva ou manobras de correção, a HP4 Race tem posição de condução, desportiva é certo, mas longe do radicalismo das propostas afinadas para as corridas. E se a entrada em curva é facílima, os acertos de última hora à trajetória são ainda mais ‘amigáveis’, enquanto na saída, a ciclística encaixa sem problemas as mais violentas acelerações, sem transmitir reações intimidatórias para o ‘piloto’. Acelerador muito direto com descargas de adrenalina exponenciadas pela rotação do punho direito e pela rapidez de funcionamento do ‘quick-shift’ que aciona a curtíssima caixa de velocidades e que, ao fim de algumas voltas, cria nova sensação auditiva. O trabalho eficaz da ignição e injeção ‘provocado’ pela intervenção do controlo de tração cria ribombar que transporta de imediato para o universo das corridas ao mais alto nível, sempre sem cortar gás enquanto se sente ligeiro escorregar da traseira a disfarçar a força colossal que nos atira para diante.
As retas parecem mais pequenas a tamanha capacidade de aceleração, fazendo desaparecer todas as referências de travagem mas… nada de stressante. Ou não estivesse disponível sistema que é verdadeira peça de joalheria, com pinças monobloco Brembo GP4 PR e pistões em titânio com tratamento superficial para maior progressividade, que ‘mordem’ discos em aço da série T-Type Racing. Componentes de ‘grande prémio’ desenvolvidos em MotoGP e usados no Mundial de Superbikes e de Endurance, oferecedores de capacidade de desaceleração que só não é terrivelmente assustadora porque é facilmente doseável. Eficácia que leva a travar cada vez mais tarde, permitindo descobrir que é possível curvar ainda mais depressa, com estabilidade absoluta que, por seu turno, leva a acelerar cada vez mais cedo. E assim se ganha ‘aquele segundo’… Tome-se por exemplo a Parabólica de onde formos saindo cada vez mais rápido, ganhando velocidade que ficava bem patente no máximo atingido no final da reta da meta, a rondar os 290 km/h, onde fomos travando cada vez mais tarde, deixando mesmo para trás a placa dos 200 metros.
Melhorias que podem ser confirmadas na refinada instrumentação 2D Logger – uma vez mais oriunda das motos de Campeonato do Mundo – do tempo por volta à inclinação em curva, dos níveis de afinação e parâmetros de intervenção escolhidos. Visualização rápida e eficaz, reforçando sensações que nos colocam em patamar de verdadeiro piloto capaz de domar 215 cavalos, com a inegável vantagem de uma máquina que se adapta à evolução de cada um, podendo então jogar com a interminável lista de afinações, do motor à ciclística, onde tudo é ajustável. E assim exponenciar o potencial de amortecimento da Öhlins, com forqueta FGR300 e mono amortecedor TTX36 GP, iguais às utilizadas no Mundial de Superbikes, garantia de intocável eficácia sem a sensação de dureza das ‘tradicionais’ máquinas de corrida. Suavidade e leveza que torna cada curva um momento de prazer absoluto, com enorme facilidade no controlo dos 171 quilos que regista com depósito cheio, ajudado ainda pela menor inércia conseguida com importante redução de peso não suspenso, graças a jantes em carbono.