As mudanças foram tantas e tão profundas que faz todo o sentido tratar a Kawasaki ZX-10R como moto completamente nova. Recebendo ensinamentos que valeram títulos de pilotos e marcas no Campeonato do Mundo de Superbikes, a moto de série mais próxima das corridas ficou ainda mais eficiente em pista e, sobretudo, muito mais fácil de pilotar.
A Kawasaki ZX-10R está cada vez mais fácil! Bastante mais fácil de explorar em todas as situações, independentemente do estado da pista, e para todos os níveis de pilotagem, com ciclística profundamente revista e motor que é um primor de docilidade, com entrega de potência tão linear que quase faz esquecer que se trata de máquina com 200 cavalos. E a dotação eletrónica, herança direta dos ensinamentos técnicos que valeram enorme domínio e os títulos de Mundial de Superbikes a Jonathan Rea e à Kawasaki, corrige, sem grandes reprimendas, os erros e exageros dos mais experientes pilotos como dos mais básicos aprendizes… Ilações tiradas durante um dia a rodar no Autódromo do Estoril, com a renovada Ninja.
Comecemos pela maior surpresa. A agilidade! Simplesmente enorme, exige apenas algumas voltas para perceber que a entrada em curva pode ser feita de forma muito mais rápida e, acima de tudo, sem tanto esforço. O peso, com maior incidência na roda dianteira, reforça a facilidade nas mudanças de direção, bem notória, por exemplo, no exigente S do Estoril. Resultado de inúmeras alterações que vão desde o chassis em alumínio, de rigidez apurada, passando pelo recuo da coluna de direção, aumentando carga no trem dianteiro, até ao sistema de amortecimento, mais perto que nunca do universo das corridas.
Suspensão de corrida
Forqueta com sistema Balance Free Front Fork (BFF), desenvolvido pela Showa, que separa por completo as funções de compressão e extensão em câmara exterior às jarras e que é importante contributo para a maior confiança sentida em entrada de curva, como na maior estabilidade em inclinação além da referida facilidade nas mudanças de ângulo. Atrás, o aligeirado sistema que assenta no compacto amortecedor Showa BFRC Lite em posição horizontal, conta com redesenhado braço oscilante, mais comprido e mais rígido. Garantia de total aproveitamento da potência disponibilizada, com notório aumento de tração, que irá, seguramente, beneficiar imenso o comportamento em estrada.
Ciclística de eleição que recebe motor completamente novo (cambota mais leve, árvores de cames de novo perfil, pistões otimizados, segmentos com menor tensão, condutas de admissão e escape de maior diâmetro, válvulas em titânio com maior diâmetro, velas de irídio, sistema de refrigeração com canais mais largos e eletrónica muito evoluída), respeitador da homologação Euro-4 e com potência limitada a 200 cavalos.
Valor que é entregue de forma mais linear em todos os regimes de rotação, independentemente do mapa escolhido. Do Low (que disponibiliza apenas 120 cv) ao Full (100 % da potência), passando pelo Middle (160 cv). Começando pelo médio para familiarização com a máquina e com o estado do circuito, húmido em alguns pontos, destaque para a grande suavidade que evita sustos e minimiza a intervenção do controlo de tração e do Slide Control. Sistemas que mostraram toda a utilidade ao rodar no modo full power, permitindo acelerações madrugadoras sem receio de escorregar mais do que a conta, oferecendo antes um controlo digno de piloto de Campeonato do Mundo. E com correções suaves, sem repelões intimidatórios e sem obrigar a dosear o acelerador para repor a normalidade da trajetória, com ajuda do S-KTRC, sistema de controlo de tração agora com 5 níveis (em vez dos anteriores 3) permitindo derrapagem controlada da traseira.
Motor que encerra aparente paradoxo entre eficácia e facilidade, crescendo em ambos os vetores rumo a maior rapidez, com acelerações progressivas ajudadas por caixa de velocidades que está mais curta entre a 2.ª e a 6.ª velocidades. Idealizada para circuito e com quick shifter de série (apenas para subir de relação), tem embraiagem mais leve no acionamento (a pedido dos pilotos do Mundial de Superbikes…) facilitando as saídas de curva em potência. E, com ajuda da eletrónica que limita o escorregamento ou os cavalinhos, mais fácil se torna rodar a fundo o punho direito à saída VIP ou da parabólica interior, com garantia de não passar por situações intimidatórias.
Refrear os ânimos… sem fadiga
Além de que a potência, bom tato e resistência à fadiga do sistema de travagem, onde ressaltam as pinças monobloco Brembo M50, permite refrear os ânimos, mesmo os mais excessivos, sempre em absoluta segurança. Tamanha eficácia que, em poucas voltas, autoriza figuras de estilo à imagem do Mundial, com a roda traseira a querer descolar do asfalto, obrigando a boa preparação física dos braços para evitar sair disparado pela frente da Ninja.
Uma coisa ficou clara neste primeiro contacto em pista com a profundamente renovada Kawasaki ZX-10R: Foi cumprido o objetivo delineado pela equipa técnica liderada por Yoshimoto Matsuda de «ganhar segundo e meio por volta em qualquer pista». No Estoril foi assim, confirmando importante evolução, com as muitas mudanças testadas em pista e validadas com títulos mundiais, a ditarem maior eficácia e facilidade, reforçando a posição da Ninja como referência maior nas pistas de Superbikes.
No verde KRT das fotos, em cinza (18.490 €) ou na versão especial Winter Test, em preto (19.450 €), a Kawasaki ZX-10R confirmou atributos que favorecem o equilíbrio, agilidade e segurança, permitindo maior rapidez sem comprometer a fiabilidade, o físico do piloto ou a durabilidade dos pneus. O que se traduz em acrescido conforto quando as exigências são mais comedidas, como no uso em estradas públicas, deixando antever condução mais natural e fluida da Ninja.