Imagem de agressividade condizente com acrescida vivacidade, torna a Kawasaki Z650 proposta aliciante para quem procura diversão sem abdicar de enorme facilidade. No dia a dia como nas mais entusiasmantes escapadas, destaca-se pela agilidade e surpreendente dinâmica, bem como pelas linhas mais consensuais que a bem-sucedida antecessora ER-6n. Imagem marcante e atual que, sem ser espalhafatosa, é incapaz de passar despercebida, conciliando atributos que a tornam apetecível a amplo leque de utilizadores. Dos menos experientes, seduzidos por facilidade que começa com dimensões e peso contido, aos mais ‘rodados’, graças a eficácia que permite ritmos deveras interessantes, com rapidez e leveza nas mudanças de direção rumo a fácil condução.
O motor e a suspensão dianteira, ainda que com algumas alterações, são elos únicos ligação à ER-6n, surgindo unidos a novo quadro, mais leve, tal como o braço oscilante assimétrico, em redução total de 19 kg. Leveza que explica boa parte da facilidade sentida desde o primeiro momento, ajudada pela reduzida altura do banco e linhas esguias na zona do depósito. E que permite facílima colocação dos pés no solo, mesmo aos condutores/as mais compactos, sem, no entanto, prejudicar a arrumação das pernas dos mais altos. Além da ajuda do baixo centro de gravidade (juntamente com o peso contido) nas pequenas manobras mesmo com motor desligado. Facilidade urbana (mas não só!) para os que, vindos das 125 cc, apreciarão acertada ergonomia, beneficiando condução relaxada, com banco de excelente perfil, confortável e de bom encaixe, minimizando fadiga mesmo nas viagens mais longas. Já as mãos caem de forma natural no guiador que, depois de sensação inicial de alguma estreiteza, em posto de controlo que oferece boa visibilidade sobre o painel, oferecedor de indicação da velocidade engrenada mas com sistema de medição do conta-rotações que não tem a leitura mais intuitiva.
Com destaque para o peso contido e dimensões à medida de condutores/as de todos as alturas e pesos, a Z650 destaca-se por enorme agilidade, nunca é demais referi-lo!, mas também por inusitada vivacidade. O motor, evolução da ER-6n, perdeu 4 cavalos por força da adaptação à norma Euro4 mas ganhou na disponibilidade do acrescido binário, permitindo acelerações desde as 2000 rpm, sem soluços ou hesitações no trânsito. O trabalho dos técnicos da Kawasaki na busca de maior suavidade foi coroado de êxito, praticamente eliminando as batidelas nos regimes mais baixos e as hesitações em aceleração. Excelente resposta desde baixas, em acelerações lineares mas com forte carácter e animação reforçada para lá das 5000 rpm. Altura em que é sensível um formigueiro no banco e cada movimento do punho direito provoca intenso rugido do curto escape e forte sensação de velocidade. Sempre ‘cheio’, o motor é trunfo importante no jogo da facilidade, ajudado por caixa bem escalonada e embraiagem deslizante servo-assistida de enorme leveza, que ajuda a esquecer alguma aspereza, ainda assim menos incomodativa do que na anterior ER-6.
Dinâmica de respeito assente em suspensão revista, com nova taragem da forqueta e colocação quase horizontal do amortecedor traseiro, que peca pela difícil acessibilidade à regulação da pré-carga. Amortecimento cuja eficácia desportiva cobra juros na utilização mais tranquila, penalizando conforto nos pisos menos lisos, com reações algo secas. Irrepreensível é a travagem dianteira, muito potente mas sempre fácil de dosear, com feeling acertado para os recém-chegados à categoria, evitando sustos, enquanto os mais experientes poderão usufruir da potência controlável em condução mais rápida. Pequeno degrau abaixo está o elemento posterior, com curso do pedal demasiado longo e sensação algo esponjosa. Com ganhos na relação peso/potência a Kawasaki Z650 tem tudo (imagem, agilidade, dinâmica, facilidade, travagem …) para ultrapassar a bem-sucedida carreira da antecessora.