Mais do que particularmente bonita, ‘Miss Triple’ é extremamente cativante! Traços exóticos e volumes equilibrados marcam renovada Triumph Speed Triple, particularmente sublinhados, nesta versão R, pelo dourado das suspensões Öhlins e o negro das peças em fibra de carbono. Sem cortar ligação ao passado, a roadster britânica foi bastante modificada, do banco ao guiador, do depósito de combustível à secção frontal, das tampas laterais do radiador aos retrovisores, da entrada de ar frontal aos faróis. Modernização com reflexos bem positivos na ergonomia, da posição de condução mais acessível, com guiador mais próximo do banco que, por ser mais estreito na arcada das pernas e com melhor encaixe no adelgaçado depósito, permite maior à vontade a todos os condutores.
Mudanças estéticas que são, apesar de tudo, mínimas quando comparadas com a revolução vivida na ciclística e, sobretudo, no motor, com ganhos em vivacidade sem, quase paradoxalmentre, perder em suavidade. O acelerador eletrónico (ride-by-wire) trouxe consigo possibilidade de aproveitar 4 mapas de motor (Rain, Road, Sport e Track), podendo ainda ser criado mapa personalizado (Rider) adaptando parâmetros de injecção/ignição, controlo de tração e ABS às necessidades e desejos de cada condutor-piloto.
Com ronronar mais audível e atraente, o escape espelha as mudanças operadas no motor, permitindo rodar em cidade na casa das 2000 rpm, sem vibrações incomodativas e com resposta rápida e sem hesitações à rotação do punho direito. Debitando imenso binário desde os regimes mais baixos, a Speed Triple surpreende pelo caráter muito cheio do bloco de três cilindros ao longo de toda a gama de rotações, sempre em crescendo de excitação, até inusitado pico de potência. Ao todo são 140 cavalos, mais do que suficientes na vida real, entregues de forma controlável e bem linear, com acelerações poderosas, ajudadas pela caixa de velocidades precisa, de tato desportivamente metálico, aconselhando a utilizar todo o curso da manete da embraiagem dotada de sistema deslizante.
Enorme gozo de aceleração apoiado em excelente ciclística, de grande facilidade nas mudanças de direção, feitas de forma rápida e natural, e com estabilidade que permite uma escapada ao circuito mais próximo, onde é aconselhado o modo Track, desligando ABS na roda traseira, ou pelo modo personalizável para desligar em absoluto o antibloqueio em travagem e o controlo de tração. Tanto mais que as pequenas mudanças na geometria da ciclística criaram moto mais compacta e com centro de gravidade em posição mais baixa. Dotada de excepcional sistema de amortecimento Öhlins, absorve muito bem as exigências de entrada em curva em travagem ou acelerações madrugadoras, em plena inclinação. E ao contrário do esperado, não é particularmente desconfortável mesmo nos piores pisos.
Com evoluída e bem afinada eletrónica, nomeadamente o controlo de tração que permite diferentes níveis de intervenção e que, tal como o ABS, pode ser desligado, a Speed Triple mostrou eficácia da travagem que poderá levar a roda da frente a bloquear, aconselhando a utilizar todos os ajustes da forqueta invertida para evitar esgotar o curso da suspensão.
Mais à vontade em estradas de montanha do que em vias rápidas ou autoestradas, a Speed Triple peca, como todas as naked, pela natural ausência de proteção aerodinâmica, em proposta que se destaca pela elegante decoração em cinza com apontamentos em vermelho. E onde o conforto e apoio do banco do condutor garantem máximo usufruto de posto de comando muito completo, com pormenores de exclusividade como os retrovisores colocados nas extemidades do guiador. Que, além de imagem interessante, oferecem visibilidade à retaguarda melhor do que a esperada., em moto equilibrada e divertida, em todo o tipo de palcos e independentemente do ritmo adotado.