Com imagem de imediato associada à ‘best-seller’ das maxi-trail, a mais pequena das Geländ Strasse é receita para satisfazer os mais diferentes palatos. Aventureira de todos os dias que é etapa entre iniciáticas 125 cc e universo das motos grandes.
Piscar de olho aos motociclistas mais jovens como àqueles que, rendidos aos encantos da mobilidade e economia das duas rodas, cumpriram tirocínio nas 125 cc com acessibilidade garantida através da equivalência direta da carta de automóvel garantindo, agora, direito à carta A2, a BMW G310 GS cimenta forte aposta de crescimento da marca alemã nos próximos anos. Horizontes alargados em mercados emergentes, da Ásia à América do Sul, como na Europa, onde esta moto global funcionará como desejado degrau de acesso às grandes cilindradas, na mais acertada lógica evolutiva.
Modelo com assumida estratégia de ligação familiar, de imagem facilmente identificável através do bico de pato ou pelas tampas do depósito/radiador e onde pormenores de qualidade (suspensão invertida, pinças radiais, tubos reforçados em malha de aço) convivem de forma descomplexada com registos de economia (guiador em tubo de alumínio de diâmetro reduzido, manetes sem regulação) de modelo saído das fábricas indianas do gigante TVS Motor. Que não beliscam qualidade geral dos acabamentos ou competência ergonómica de moto que, parecendo muito alta, acaba por beneficiar do banco estreito e suspensão macia, permitindo fácil colocação dos pés no solo para condutores acima do metro e 70. E, em manobras à mão na selva urbana, agradece-se o peso contido e boa brecagem em registo de facilidade que sublinha boa ergonomia. Posição de costas direitas, partindo de banco confortável, passando por poisa-pés que evitam dobrar as pernas em demasia, em triângulo ergonómico que termina em guiador bastante plano e largo. Cujos benefícios de controlo facilitado em ambiente urbano, incluindo manobras mais curtas, acabam por revelar-se superiores ao desconforto em estrada com os braços demasiado abertos, aos cuidados acrescidos exigidos entre retrovisores dos carros como na maior curvatura das costas em off-road.
Sonhos de evasão
Pormenor que, tal como o ecrã minimalista, recorda realidade da mini GS, com proteção aerodinâmica suficiente para as velocidades autorizadas (pela Lei e pela máquina) mas que não impedirá previsível adoção de opcional de maiores dimensões. Equipamento útil em estrada, onde o voluntarioso motor permitirá chegar bem perto dos 150 km/h (reais), aumentando bom nível de conforto proporcionado pelo banco. Capaz de filtrar as aborrecidas vibrações, particularmente sensíveis nos pés, que fogem ao controlo do veio de equilíbrio montado em bloco monocilíndrico de invulgar arquitetura, inclinado para trás, com admissão pela frente e saída de escape à retaguarda. Pormenor que dilui excitação a comportamento bastante agradável, desde que acima das 2500 rotações por minuto. Não tem, naturalmente, o binário de grande cilindrada, mas permite rodar serenamente por volta das 4000 rpm, oferecendo acelerações bem consistentes e lineares entre as 5000 e as 7500 rpm. E sempre extremamente bem acompanhada por caixa de velocidades de escalonamento perfeito e tão precisa que até torna difícil encontrar o ponto morto! A partir daí, a acrescida vivacidade de motor que privilegia altas rotações é acompanhada por mais vibrações, agora extensíveis ao guiador e retrovisores, registando boa capacidade de alongamento até bem perto do corte de ignição (10.500 rpm).
Animadas subidas de rotação traduzidas em comportamento divertido, assente em ciclística simples mas eficaz, com quadro tubular e curta distância entre eixos que favorece facilidade e agilidade, com boa estabilidade em ritmos vivos e elevada capacidade de tração asseguradas pelo alongado braço oscilante. Dimensão que beneficia ainda elevado nível de conforto, com o molejar sentido em mau piso a não interferir no poder de encaixe da suspensão, permitindo incisivas e rápidas mudanças de direção. Eficácia e segurança em vistosa forqueta invertida KYB (de curso superior à naked G310) que, sem fugir ao espírito TT, afundando nas travagens mais fortes, deixou clara a polivalência de moto pensada para todo o tipo de utilização. Menos positivo, o requintado conjunto de travagem, com pinça ByBre (marca do universo Brembo) de fixação radial, ficou aquém das expetativas. Ausente na fase inicial do curso da manete (como do pedal do travão traseiro), a potência, como que compensando falta de tato, surge em catadupa quando a força exercida na manete é maior, garantindo então boa potência de desaceleração. Mas de forma que pode criar alguns sustos aos menos experientes... Sensação pouco condizente com qualidade do equipamento onde pontificam tubagens em malha de aço, em nível seguido nos pneus Metzeler Tourance e acabamentos gerais desta entry level adulta, tanto nas dimensões como na imagem.
Disponível no vermelho Racing das fotos, em preto Cosmic ou branco pérola metalizado (com as riscas vermelha e azul Motorsport), a BMW G310 GS promete seguir passos de sucesso das irmãs maiores, abrindo as portas da marca a novos motociclistas. Rendidos à inconfundível imagem e facilidade de condução, em modelo que tem tudo para ser degrau de eleição para os que procuram experiência para novos voos.