KAWASAKI NINJA 400

Nascida em berço d’ouro

Motos- Apresentações

Por Paulo Ribeiro 24-11-2018 10:00

Ninja de corpo e alma, excelente porta de entrada no universo das desportivas, a 400 chegou para substituir a já bem interessante 300 (lançada em 2012) carregando novos argumentos. Do peso reduzido (- 8 kg) à potência aumentada (+ 9,5 cv) em motor de maior cilindrada com naturais reflexos também no binário, passando por mudanças na ciclística. Que, além de garantirem maior eficácia dinâmica em todas as situações, acabaram por revelar dose reforçada de conforto em cidade, mesmo nas ruas em paralelo, onde a excelente distribuição de massas faz esquecer os 168 kg em andamento. Baixa e estreita, facilitando acesso a todos os condutores, mesmo aos menos altos ou mais inexperientes, oferece excelente posição de condução, inclusive em modo citadino, sem obrigar a dobrar as pernas em demasia ou atirar muito peso sobre os pulsos. Contributo importante do bom encaixe dos joelhos no depósito numa moto que parece mais corpulenta, mas que é, na realidade, bastante compacta e baixa, e do banco de bom perfil mas algo duro. Sem dúvida o ponto menos positivo em termos de conforto, mas, em abono da verdade, onde é que já se viu uma desportiva realmente confortável?

Com acabamentos irrepreensíveis, ao nível das irmãs de maior cilindrada, nota apenas para o canhão da chave de ignição, demasiado exposto e sem proteção, em moto de importante herança familiar, das jantes e painel da Ninja 650 ao quadro inspirado na híper-desportiva H2 passando pelos faróis da ZX-10 R. E mesmo o motor ficou, com este upgrade, bem mais próximo da seis-e-meio, ganhando vantagem quando se olha para a balança. As diversas alterações para acompanhar o crescimento de cilindrada (103 cc), da caixa de ar de maior volume à acrescida eficiência da admissão (condutas mais longas e corpos de borboletas de maior diâmetro) criaram motor não só mais potente, mas, sobretudo, muitíssimo mais cheio a baixas e médias rotações. E assim permitindo rodar, tranquilamente, na 5.ª ou 6.ª relação a velocidades muito baixas, inclusive a menos de 50 km/h, sem queixumes ou hesitações do motor (leia-se batidelas ou engasganços). Depois, resposta extremamente linear, com animação em crescendo quando a agulha passa as 6000 rotações por minuto, embora numa utilização mais racing a faixa ideal esteja entre as 8000 e as 12 000 rpm, onde começa a red-line.

Animação garantida com ajuda de caixa de velocidades fabulosa, de tato muito suave e precisão tão grande que por vezes custa a descobrir o ponto morto, ajudada por embraiagem de grande leveza e funcionamento extremamente suave graças ao sistema de assistência, dotada ainda de função deslizante que evita saltitar da roda traseira. Caixa que viu as velocidades encurtadas, aumentando gozo de condução, mas com uma relação final que permitiu, em circuito, passar com alguma facilidade os 180 km/h! Coração que casa na perfeição com ciclística que garante estabilidade inabalável, em reta como nas mais longas curvas em apoio, além de gigantesca facilidade de colocar em curva. Agilidade surpreendente ajudada pela encurtada distância entre eixos, com o alongado braço oscilante a garantir elevada estabilidade e capacidade de tração, com equilíbrio que facilmente perdoa exageros ou distrações do condutor.

Fácil em todas as situações e de maneabilidade reforçada pelo perfil dos pneus, a Kawasaki Ninja 400 volta a evidenciar o seu caráter amigável nos capítulos da travagem e amortecimento. No primeiro, destaque para o conjunto Nissin, com nota bem positiva justificada pelo bom tato e agradecida suavidade em cidade, até à progressividade que a torna fácil de adequar a cada circunstância em estrada, e com potência que, apesar de boa eficácia desportiva em circuito, só precisa ser melhorada para competição ao mais alto nível. Análise semelhante no que às suspensões diz respeito, com a (relativa) rigidez exigida a uma desportiva mas sem abdicar de acertado compromisso com o conforto exigido em cidade e estrada. De bom funcionamento, a forqueta KYB (Kayaba) ganhou em diâmetro – agora igual ao da Ninja 650 – oferecendo também um melhor feeling em curva, com ligação ao solo mais efetiva e melhor feedback do comportamento da roda. Já atrás, o amortecedor da mesma marca permite ajuste em cinco posições de pré-carga, para melhor adaptação ao peso do condutor e tipo de utilização bem como ao transporte (pouco aconselhado) de passageiro. Que é tudo menos confortável o elegante banco traseiro, que pode ser substituído por tampa à cor da carroçaria, independentemente de ser a versão base (6390 €), em preto, ou na mais aguerrida proposta KRT (das fotos) com decoração que recorda a ZX-10 RR campeã do Mundo de Superbikes.

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Ficha Técnica

Caracteristicas

KAWASAKI NINJA

400

Motor
Capacidade 399 cc
Potência 45 cv/10.000 rpm
Binário 38 Nm/8000 rpm
Transmissão
Tipo 2 cilindros, 4 Tempos
Ciclística
Quadro Estrutura em tubos de aço
Suspensão F Forqueta de 41 mm; curso: 120 mm
Suspensão T Mono amortecedor a gás; curso: 130 mm; regulação pré-carga
Travões F Disco de 310 mm; ABS
Travões T Disco de 220 mm; ABS
Dimensões e Capacidades
Altura do assento 785 mm
Depósito de combustível 14 litros
Peso 168 kg
Relação peso/potência 3,73 kg/cv
Consumo médio 4,5 l/100km
Preço
Preço 6 450 €

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