YAMAHA YZF-R 125

Em nome do pai ou... do filho?!

Motos- Apresentações

Por Paulo Ribeiro 17-08-2019 16:35

Proposta de eleição para os mais aguerridos motociclistas aos 16 anos, a Yamaha YZF-R 125 é, também, brinquedo à medida de qualquer automobilista, com carta B, excelente para iniciação no universo das desportivas. Primeiro, a imagem – que vale mais do que 1000 palavras… – remetendo para as YZR-M1 com que Valentino Rossi e Mavercik Viñales defendem as cores da Yamaha no Mundial de MotoGP. Identidade reforçada pelo marcante Race Blu utilizado nas carenagens (existe também decoração em preto ou branco), como pela forma das condutas de ar na parte posterior do banco, a entrada de ar entre os faróis e na parte superior do depósito, a mesa de direção recortada ou, toque decisivo de classe racing, a proteção da manete do travão dianteiro. Pormenores de requinte desportivo em moto que parece de cilindrada maior e onde abundam cuidados acabamentos, como a proteção do escape a imitar carbono, os aligeirados poisa-pés em alumínio ou elegantes as jantes em liga.

Máquina com aspeto de grande, confundindo mesmo num primeiro olhar, mas oferecedora de boa posição de condução, com bom poder de encaixe graças às linhas esguias na zona de contacto do banco e depósito, contribuindo para acrescida sensação de controlo em cidade, facilitando apoio dos pés ao solo, como o fácil domínio em curvas mais apertadas. E que, apesar do ADN racing, não descarrega peso excessivo sobre os pulsos, facilitando habituação aos mais jovens.

Pelo mesmo diapasão, proporcionando facilidade aos menos experientes, afina o motor, de boa resposta, capaz de arranques bem interessantes e de respostas capazes, permitindo ainda velocidades que permitem abordar as ligações em autoestrada sem receio de tédio medonho. Forte e linear nas subidas de rotação, é praticamente isento de vibrações e permite circular em cidade entre as 3000/4000 rpm, sem fadiga ou batidelas. E quando a rotação sobe, bem depressa por sinal, apenas um ligeiro formigueiro, sensível nos pés por voltas das 8000 rpm (mas que não sobe ao banco ou aos punhos), indica a altura ideal para trocar de velocidade. O que pode ser confirmado pela shift-light no topo do painel de instrumentos que aconselha o recurso à bem escalonada e extremamente precisa caixa de velocidades. Um mimo de suavidade nas passagens em ambos os sentidos, sempre bem acompanhada pela embraiagem de surpreendente macieza, contributo para acrescida facilidade e precisão. Embraiagem assistida e deslizante que é dispensada na passagem de caixa nas velocidades mais altas, funcionando quase como um quick-shifter, bastando cortar ligeiramente gás para escolher a velocidade acima, sem que nada falhe. E sempre com uma sonoridade muito interessante, reforçando imagem de moto grande.

Mas se, sobretudo quando a estrada empina, o motor demonstra naturais limitações da cilindrada, basta optar pelo sentido inverso da estrada para que a ciclística revele todo o seu potencial. Em descida, mesmo nas mais inclinadas e rápidas, mostra enorme rigidez rumo a estabilidade verdadeiramente surpreendente para uma 125 cc. Que, aproveitando todo o potencial dos Michelin Pilot Street, permite curvar como Rossi & Cia., e com enorme facilidade nas mudanças de inclinação. Saltar de curva em curva torna-se fascinante, pela simplicidade e eficácia, aproveitando ciclística de eleição, com estabilidade a toda a prova mas sem prejuízo de grande agilidade. A dianteira, muitíssimo precisa e facílima de colocar em curva, oferece ainda boa leitura do asfalto, com excelente pisar, tirando máximo partido da generosa forqueta invertida. Elevada agilidade desportiva que não é ensombrada pela brecagem algo reduzida, aconselhando, porém, algumas cautelas nos cálculos urbanos. Ao contrário da travagem, que conjuga boa potência com grande progressividade e um tato que facilita a gestão, sobretudo para quem tem menos experiência. Capaz de curvar bem depressa e sempre com máxima estabilidade, de despachar-se entre o trânsito como de brilhar numa qualquer esplanada, a R125 destaca-se ainda pela economia, com médias regulares a rondar os 2,5 l/100 km para, em modo de corrida, gastar 2,8 l. Tudo somado, avizinham-se algumas guerras de garagem para saber se é o pai ou o filho a levar a moto... 

Adequada para os filhos, com 16 ou mais anos, como para os pais, com carta de automóvel, a Yamaha YZF-R 125 é proposta divertida, eficaz e honesta para quem procura forma inteligente de chegar a horas às aulas como para momentos de diversão racing ao fim de semana em qualquer kartódromo ou estradinha secundária. Conciliando imagem de moto grande com facilidade de condução e eficácia com economia, é estimulante porta de entrada no universo das sempre entusiasmantes desportivas.

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Ficha Técnica

Caracteristicas

YAMAHA YZF

YZF-R 125

Motor
Capacidade 125 cc
Potência 15 cv/9000 rpm
Binário 11,5 Nm/8000 rpm
Transmissão
Tipo Monocilindro, 4 Tempos
Ciclística
Quadro Dupla trave Deltabox, em aço
Suspensão F Forqueta invertida; diâmetro: 41 mm; curso: 130 mm
Suspensão T Mono amortecedor regulável em pré-carga; curso: 114 mm
Travões F Disco de 292 mm, pinças de 2 pistões; ABS
Travões T Disco de 220 mm, pinça de 2 pistões; ABS
Dimensões e Capacidades
Altura do assento 825 mm
Depósito de combustível 11,5 litros
Peso 142 kg
Relação peso/potência 9,46 kg/cv
Consumo médio 2,13 l/100km
Preço
Preço 5 225 €

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