Senhora de gama completa no que às pequenas cilindradas diz respeito, a Peugeot tem na Belville a mais adulta das propostas de roda grande, com as 16 polegadas do aro dianteiro a revelar particular à vontade nas ruas revestidas a paralelo ou com o mais deteriorado asfalto. Da capital francesa à portuguesa, passando por muitas outras cidades onde autoestradas desembocam nos mais intrincados e mal pavimentados centros históricos, de circulação cada vez mais limitada. Habitat de eleição para scooter com ciclística capaz de conjugar na perfeição grande estabilidade, mesmo no limite de velocidade em vias rápidas, com a indispensável agilidade para tricotar o mais caótico trânsito citadino. Onde o guiador estreito faz todo o sentido, depois de um primeiro momento de estranheza, até por amplificar o comportamento extremamente vivo do trem dianteiro, exponenciado a destreza entre carros, autocarros, elétricos, ciclistas e peões. A rigidez que contribui para a precisão em velocidades mais elevadas não desaparece por completo, mas, como num bem conseguido passe de mágica, é perfeitamente dissimulada por amortecimento condizente com o estatuto adulto da Belville. Segurança, acima de tudo, e conforto, mesmo com passageiro a bordo, ajustável de forma fácil através da pré-carga da mola, em modelo cuja placa plana para os pés é significativa mais-valia urbana.
Espaço acrescido e maior facilidade para entrar e sair da moto, facilitando utilização mesmo com as mais femininas saias, e cujo recorte da plataforma garante maior à vontade para apoiar os pés no chão. E sempre com lugar para os condutores mais altos acomodarem as pernas, evitando joelhadas na parte dianteira. Pormenor que garante ainda importante aumento do espaço de carga, facilitando transporte de pastas ou sacos no gancho dianteiro e juntando-se ao local sob o banco – onde cabe um capacete integral – e à grande top-case montada de série nesta versão Allure.
Há ainda um compartimento no avental dianteiro, fechado e com tomada USB, mas cujo formato exige algum cuidado na hora de abrir para evitar a queda de objetos. Sentido prático em modelo de imagem de elegante sobriedade, com reflexos nos comandos que, não sendo os mais modernos em termos de design, revelaram-se muito intuitivos e agradáveis no capítulo ergonómico. Tal como o painel, com todas as informações necessárias e boa legibilidade, sobretudo quando as condições de luz estão longe de ser as mais favoráveis.
Boa vida a bordo, com espaço e prestações suficientes para dois adultos, usufruindo o passageiro de um banco espaçoso e de bom perfil, pegas de mãos facilmente acessíveis e poisa-pés amplos que, uma vez recolhidos e à imagem do que acontece com os dois descansos (lateral e central) não beliscam minimamente a imagem clean da Peugeot.
Aproveite-se o momento para sublinhar a eficiência do motor, oferecedor de bom arranque mas que brilha, sobretudo, nas acelerações nos regimes intermédios. E mesmo com duas pessoas a bordo! Não é das mais rápidas em termos de velocidade de ponta mas, em contrapartida, denota de forma evidente a alma urbana, capaz de ganhar rapidamente aquela velocidade necessária para ultrapassar um autocarro ou esgueirar-se entre os automóveis. Sempre de forma bastante silenciosa e praticamente isenta de vibrações.
Eficácia dinâmica sublinhada pela roda dianteira de 16” – capaz de competir sem preconceitos com rivais estabelecidas da Honda SH à Piaggio Medley ou SYM Symphony – prosseguindo avaliação bastante positiva no capítulo da travagem. Muito eficaz e com boa progressividade, a capacidade de desaceleração é justificada pela montagem de dois discos e sistema de ABS desenvolvido pela Bosch que, apesar de sensores nos dois eixos, atua apenas no trem dianteiro.