Honda CBR650 R

Elegância mais desportiva

Motos- Apresentações

Por Paulo Ribeiro 13-04-2019 21:10

A ergonomia, revista e mais desportiva, é a primeira nota em sinfonia de mudanças que são, na prática, bem maiores do que a partitura deixaria adivinhar. Toques de classe e rigor que vão para lá da mudança do F (de fairing) para o R mais racing, na criação de uma nova CBR que, longe de ser uma pura supersport pensada para as pistas, garante, ainda assim, bem notória evolução numa condução mais aguerrida. A começar pela posição de pilotagem, com pulsos mais para a frente e para baixo graças à montagem dos avanços sob a mesa de direção, enquanto os pés ficam agora mais altos e mais para trás. Atitude mais agressiva, oferecedora de maior eficácia nas rápidas mudanças de direção como nas curvas em apoio, mas que não é impeditiva de tiradas mais longas sem grande fadiga. Até porque, ao contrário do que se poderia pensar, o banco é muito confortável e o perfil do depósito permite bom encaixe dos joelhos e boa posição das pernas. Mudança ainda mais notória no capítulo estético, com óbvia aproximação da CBR1000 RR Fireblade, a começar no duplo farol de LED de linhas agressivas e que vai até à traseira mais curta, passando pelas carenagens laterais, mais compridas na parte inferior mas mais abertas, deixando mais espaço para apreciar um motor que, assim, pode respirar melhor.

Novidades estéticas que aumentaram a expetativa para teste que, ao longo de cerca de 150 quilómetros, permitiu confirmar o acerto da aposta da marca nipónica. A CBR650 R está muito mais divertida de conduzir mas mantendo aquela facilidade característica das Honda, da ergonomia dos comandos (exceção feita à buzina que, frequentemente, leva a apitar quando apenas se quer ligar ou desligar os piscas) até à suavidade dos principais comandos. Caso da embraiagem, assistida e com sistema deslizante, que, mesmo sendo de acionamento mecânico e não hidráulico, revelou-se extremamente aveludada, condizente com a caixa de velocidades macia e muito precisa. E que, opcionalmente, pode ser apoiada por sistema de mudanças rápidas (Quick-Shift) que dispensa a utilização de embraiagem ou mesmo desacelerar, mas que funciona apenas no sentido ascendente. Oferta de acelerações ainda mais vivas em proposta que peca apenas por não permitir a mesma facilidade nas reduções…

Ainda assim, nada que prejudique a nota elevada do motor, oferecedor de mais potência em altas rotações com sensações (mais) fortes quando se passa a fasquia das 7000 rpm. Altura em que o caráter extremamente arredondado, patente desde os regimes mais baixos, dá lugar a acrescida vivacidade, com emoções antecipadas pelas ligeiras vibrações que vão surgindo por volta da velocidade máxima permitida em autoestrada. Formigueiro de excitação que vai subindo pelo banco até aos avanços à medida que a velocidade aumenta para níveis de… circuito. Este sim, palco de máxima animação onde é possível desligar facilmente o controlo de tração, mesmo em andamento através da pressão em patilha à distância do indicador esquerdo. Em estrada, o Honda Selectable Torque Control proporciona grande segurança nas zonas de piso húmido como nas sobrelevadas passadeiras urbanas ou perante as mais espessas pinturas de sinalização na estrada, mas com uma intervenção que passa praticamente despercebida. Nas mudanças operadas no motor, nota ainda para a nova e reforçada sonoridade oferecida pelo escape, com ponteira de saída mais vertical, a que se junta nova tubagem dupla de entrada de ar, triplicando a pressão face à anterior CBR, garantindo, além do som, melhor resposta e maior potência nas mais altas velocidades.

Mas, em moto onde estilo e equilíbrio são palavras-chave, destaque natural para a ciclística, com quadro que mostrou grande facilidade e precisão em todo o percurso, das curvas mais fechadas às rápidas viragens em apoio e sem qualquer comportamento nefasto em velocidade. Fruto, segundo o Large Project Leader desta máquina, Noriyoshi Tsutsui, do novo balanço entre rigidez e flexibilidade, com áreas de resistência diferenciada em quadro que é mais leve, tem traseira mais curta e alta, pontos de fixação do motor reposicionados e placas de fixação do braço oscilante com duas peças forjadas. E que recebeu novas suspensões, com forqueta invertida de funções separadas (compressão numa bainha, extensão na outra) a brilhar pela grande eficácia e excelente feedback que, curiosamente, não beliscam elevado grau de conforto. Tal como o monoamortecedor traseiro, ajustável em 7 posições de pré-carga e acionado diretamente pelo braço oscilante em alumínio fundido, dotado de sistema ‘pillow ball’ inspirado na majestosa Honda GL1800 Gold Wing, referência máxima em termos de bem-estar a bordo. Amortecimento que, apesar do agradável conforto, está perfeitamente ao nível das exigências impostas pelo muito potente equipamento de travagem dianteira, encorajando condução mais atrevida, sem descurar a progressividade e bom tato em estrada como em cidade.

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Ficha Técnica

Caracteristicas

HONDA CBR

650 R

Motor
Capacidade 649 cc
Potência 94 cv/12 000 rpm
Binário 64 Nm/8500 rpm
Transmissão
Tipo 4 cilindros em linha, 4 Tempos
Ciclística
Quadro Tipo diamante, em aço
Suspensão F Forqueta invertida Showa SFF diam. 41 mm, curso 120 mm
Suspensão T Mono amortecedor, curso 43,5 mm. Regulável em pré-carga
Travões F Dois discos de 310 mm, pinças Nissin radiais de 2 pistões. ABS
Travões T Disco 240 mm, pinça Nissin de pistão simples. ABS
Dimensões e Capacidades
Altura do assento 810 mm
Depósito de combustível 15,4 litros
Peso 207 kg
Relação peso/potência 2,2 kg/cv
Consumo médio 4,9 l/100km
Preço
Preço 8 950 €

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