No segmento médio, são os construtores premium alemães que estabelem a bitola aos concorrentes generalistas, alguns com ambição de ascender à elite. Além de Audi, BMW, Mercedes, nesta classe de veículos familiares, a base da hierarquia dos automóveis estatutários, muitas são as alternativas às marcas germânicas, algumas com objetivos aspiracionais, como a Alfa Romeo.
Para este empolgante duelo escolhemos versões turbodiesel, de 180 cv no Alfa Romeo Giulia 2.2 D; e de 190 cv no Audi A4 2.0 TDI, ambas com caixa automática. A transmissão do carro italiano tem oito velocidades, engrenagem epicicloidal e sistema da ZF com modo manual de troca de relações ativado sequencialmente em patilhas no volante, além de função velejar para economia extra de combustível. Solução que, todavia, não o torna este Giulia particularmente poupado, ou pelo menos mais do que o rival de ocasião (7,3 l/100 km contra 6,9). É importante realçar a suavidade e a rapidez do dispositivo, muito agradável de utilizar em associação ao enérgico motor 2.2.

No Audi encontramos a conhecida caixa S tronic de sete velocidades, dispositivo de dupla embraiagem que assegura passagens muito rápidas e quase sem interrupção do fluxo de potência. A ligação ao bloco 2.0 é muito bem conseguida, proporcionando boa capacidade de aceleração (ainda que perca para o Alfa nas nossas medições por muito pouco) e de recuperação (batendo o Giulia, igualmente por escassa margem). Depois, o carro alemão consegue velocidade máxima superior (237 km/h contra 230) e é mais poupado, como referimos. E por aqui se explica a vitória do A4 por apenas um ponto no item referente ao motor/transmissão.
Como se sai o italiano nas curvas?
O equilíbrio que se verificou neste parâmetro supracitado é extensível à avaliação dinâmica, em que o Alfa Romeo faz jogo igual com o Audi. Para começar, estamos muito bem sentados em frente ao volante, na posição ideal para perceber o comportamento do automóvel italiano, cuja tração traseira e a repartição equitativa do peso pelos eixos (50-50%), em conjunto com direção direta e comunicativa – aceita mudanças de direção súbitas sem se queixar –, e ainda a inserção precisa da dianteira nas curvas proporcionam elevado prazer de condução.
O conjunto chassis/suspensão funciona muito bem, com o Giulia a absorver de forma razoável as irregularidades da estrada (acreditamos que só não o faz melhor porque a unidade que guiámos estava equipada com jantes de 18’’). Nota, ainda, para o seletor DNA, com botão rotativo na consola e três programas de condução: Dynamic, Natural e Advanced Efficient. O primeiro é, como nome indica, o mais espevitado, tornando o 2.2 mais reativo, as passagens de caixa mais rápidas e a direção mais acutilante.
O Audi A4 há muito que é considerado um dos carros do segmento com melhor comportamento dinâmico, apesar de utilizar tração dianteira. Tal como no Giulia, guiamos muito bem sentados, sendo muito fácil encontrar a melhor posição de condução que permita apreciar a condução oferecida pela relação harmoniosa entre direção, tração e suspensões e destes, através dos pneus, com a estrada. A coisa funciona tão bem que facilmente nos esquecemos que estamos aos comandos de um tração dianteira.
Habitabilidade não os distingue
O equilíbrio é mesmo a nota dominante deste confronto, pois também a habitabilidade é muito semelhante; o Giulia tem ligeira vantagem na largura à frente e no comprimento para pernas atrás, mas a margem é tão curta que optámos por atribuir apenas um ponto de diferença no espaço nos lugares traseiros. É na qualidade que há diferença maior entre os carros avaliados neste confronto.
O Audi é superior em materiais e em rigor de construção, além de apresentar comandos mais amigáveis de utilizar, seguindo uma filosofia minimalista de arrumação; destaque para o seletor do sistema MMI colocado junto do comando da caixa (daí o pontinho extra na ergonomia). Abrindo as portas do Alfa, deparamo-nos com habitáculo com beleza equivalente à da carroçaria, mas com alguns plásticos pouco condizentes com a ambição deste automóvel. A construção também está em bom plano, mas o requinte global é inferior ao apresentado pelos produtos premium em geral e pelo A4 em particular.