De entrada, o Kodiaq, o maior SUV da Skoda, ataca logo com duas ofertas de lotação, com 5 ou com 7 lugares, mas curiosamente ambas as carroçarias com igual distância entre eixos, ao contrário do que ocorre com o VW Tiguan, que ainda aguarda a chegada da variante de 3.ª fila, cerca de 20 cm mais comprido e com maior separação entre cada duo de rodas.
A indisponibilidade do Tiguan XL não fez esmorecer a vontade de promovermos um primeiro confronto entre os dois modelos. De um lado, um modelo de marca mais sonante e com lugar para cinco ocupantes, do outro, um concorrente com símbolo menos prestigiado, mas com mais espaço e capacidade para transportar uma equipa de futebol de 7. No caso, movidos pelo mesmo motor 2.0 TDI de 190 cv, associado a uma caixa automática de dupla embraiagem de sete velocidades a canalizar para um ou os dois eixos um máximo de 400 Nm gerados pelo motor.
A profícua plataforma MQB (para veículos com motor instalado transversalmente) é a base técnica destes gémeos separados antes da nascença (trigémeos na verdade, já que existe ainda o Seat Ateca). Suspensões independentes nas quatro rodas (esquema McPherson à frente e multibraços atrás), travões de discos ventilados na dianteira e maciços (atrás) nestas versões de topo e a avançada eletrónica que lhe está associada permitem que os dois modelos contem com um vasto arsenal de sistemas de assistência à condução e de infoentretenimento. Nos dois casos existe uma suspensão standard e outra com amortecedores de dureza variável (segundo os modos Conforto, Normal e Sport), que faz parte dos itens da longa lista de opcionais disponíveis).
Os sistemas de tração integral respondem por nomes diferentes (4x4 no Skoda e 4Motion no VW), mas trata-se do mesmo mecanismo: uma embraiagem multidisco que é acionada quando as rodas dianteiras perdem aderência, enviando binário para as traseiras. E está disponível nas versões a partir de 150 cv (abaixo desse patamar são as rodas da frente que puxam a solo). O mesmo acontece com a caixa de velocidades, que é manual de seis relações nas versões de entrada, pode ser manual ou automática nos motores de 150 cv e é sempre automática de dupla embraiagem (DSG) acima dessa potência.
Maiores diferenças estão (obviamente...) no interior
As soluções mais diferenciadoras que o Skoda nos apresenta descobrimo-las no habitáculo. É o caso dos guarda-chuvas embutidos em cada uma das portas dianteiras, da lanterna fixa com íman, a peça de plástico que protege o rebordo das portas para evitar riscos, o raspador para retirar o gelo do para-brisas (na portinhola do depósito de combustível) ou ainda o conjunto de um cobertor e uma extensão dos encostos de cabeça traseiros para apoiar a cabeça dos passageiros da segunda fila de bancos.

Ainda no interior há excessiva proximidade na qualidade geral revelada pelos dois carros (que foi o que aconteceu nas anteriores gerações do Passat e do Superb), uma prática que agradará ao comprador do Skoda e nem tanto ao do VW. O molde do painel de bordo é o mesmo, apenas se percebendo diferenças nas saídas de ventilação (transversais no Tiguan, verticais no Kodiaq), com uma muito convincente qualidade em termos de materiais (a maior parte de toque suave), de acabamentos e de montagem.
A VW continua, como é sua obrigação, a marcar pontos extra na sofisticação tecnológica, ao dispor de um quadro de instrumentos digital configurável (o do Skoda é analógico) e de um monitor central tátil e capacitivo de maiores dimensões para tudo o que tem que ver com infoentretenimento.
Mas a lei da fita métrica encarrega-se de permitir que o Skoda recupere algum terreno perdido na tecnologia, oferecendo mais espaço em altura (mais 2 cm à frente e mais 3 cm atrás), largura (4 cm/2 cm) e comprimento (1 cm/1 cm) em quaisquer das duas filas de bancos tradicionais. A 2.ª fila de bancos pode avançar ou recuar ao longo de uma calha de 17 cm, para privilegiar ora o espaço no habitáculo, ora a capacidade da bagageira; e também as costas dos bancos referidos permitem regular a sua inclinação.
O Skoda demarca-se por permitir levar mais dois ocupantes na 3.ª fila, à qual se acede avançando os bancos da 2.ª fila e mesmo com algum aperto para que os mesmos passem para trás e para a frente. A altura disponível aqui até é satisfatória mesmo para passageiros com mais de 1,75 m, mas a posição das suas pernas é desconfortável (demasiado dobradas) e falta lugar para os pés. Melhor que sejam passageiros mais baixos, crianças até 1,40 m e ainda assim podem fazer queixinhas sobre este SUV 5+2.
O volume do porta-bagagens dá para levar todos os equipamentos (até de uma equipa de futebol de 11 e bolas para cada um dos jogadores) – varia entre 270 e 2005 litros –, principalmente no caso do SUV maior, que é uma referência da classe neste aspeto. O VW também está posicionado no topo da categoria nos modelos de 5 lugares, oferecendo de 520 a 1500 litros.
Suspensões elaboradas, boa dinâmica garantida
Estando os dois carros equipados com suspensões com amortecimento variável e rodas semelhantes (235/55 em jantes de 18”) seriam de esperar comportamentos em estrada competentes. O que aconteceu. Pouca tendência para as carroçarias se inclinarem em curva (ainda assim mais evidente no carro checo, 75 kg mais pesado, 21 cm mais comprido, 1 cm mais alto, mesmo que 4 mais largo). Ótima capacidade de filtragem de irregularidades no piso nos dois casos, notando-se a superior agilidade do VW, até por dispor de uma direção de desmultiplicação variável e mais direta.
Não é difícil que estes SUV pesem mais de duas toneladas (basta estarem com lotação esgotada, o que é especialmente verdade no caso do Kodiaq), agradecendo-se, como tal, os 190 cv de potência e 400 Nm de binário (iguais nos dois carros, ainda que o Skoda os entregue a regime mais madrugador e o prolongue até mais tarde). Ambos conseguem ser bastante rápidos, como os cerca de 210 km/h de velocidade de ponta ou os menos de 9 s de 0 a 100 km/h atestam (com vantagens marginais para o Tiguan), mas valorizámos a facilidade com que ambos reprisam logo acima das 1700 rpm, sempre com baixos níveis de rumorosidade pelos motores de 4 cilindros (a boa insonorização do interior ajuda).
Em conclusão, de um lado temos a maior sofisticação tecnológica e uma aura aspiracional mais nítida, do outro há a oferta de espaço mais generosa, dois (pequenos) ocupantes adicionais admitidos para a viagem e ainda um design que consegue ser mais imponente na secção dianteira, além de um preço cerca de 2000 euros inferior, dependendo das versões. Tanto no primeiro caso, do Tiguan, como no segundo, do Kodiaq, há argumentos para que estes dois SUV estejam no top of the mind do consumidor nacional no momento de escolher um SUV competente.