São poucos os automóveis que combinam características tão valiosas como os SUV que aqui confrontamos: espaço, conforto, luxo e potentes mecânicas V6 que com grande ajuda de motores elétricos oferecem prestações fora de série com consumos muito comedidos.
Comecemos pelo modelo mais recente, o Audi Q7 e-Tron, e o respectivo sistema de propulsão que combina V6 a gasóleo de 3 litros, 258 cv e 600 Nm de binário, gerido por caixa tiptronic automática de oito velocidade que incorpora motor elétrico com 128 cv e 350 Nm; entre os dois motores há embraiagem que os liga e desliga, solução que permite a propulsão zero emissões do Q7 (EV). O rendimento combinado é de 373 cv e 700 Nm, valores que permitem prestações dignas de desportivos rasteirinhos: 0-100 km/h em 6,5 s e velocidade máxima de 225 km/h (125 km/h em modo EV).
No Porsche, encontramos também um V6, mas de injeção direta a gasolina, com 3 litros, sobrealimentado com compressor que debita 333 cv e 440 Nm. A ajudinha elétrica está ao cargo de unidade com 95 cv e 310 Nm que, graças a nova bateria de iões de lítio e à gestão do consumo elétrico, permite que a autonomia estimada seja de 18-36 km. Refira-se, ainda, que a velocidade máxima em modo elétrico é de 125 km/h. No total, são 416 cv e 590 Nm de binário e, tal como no Audi, as prestações impressionam: 0-100 km/h em 5,8 segundos e velocidade máxima de 243 km/h.
Refira-se que a bateria de iões de lítio (202 kg, 17,3 kWh e 308 volts) está posicionada sob o piso da bagageira, pelo que a funcionalidade do Q7 é perturbada, ou seja, não é possível dispor de 3.ª fila de dois bancos e a capacidade da bagageira é diminuída em 220 litros (650, extensíveis a 1835 com rebatimento dos bancos posteriores). Assim, jogo igual no número de lugares disponíveis (cinco), mas volumetria da bagageira com vantagem para o Audi, com mais 70 litros que o Cayenne.
E o consumo?
Aqui entra na equação a funcionalidade plug-in que ambos possuem, que permite carregar a bateria que alimenta o motor elétrico em tomadas domésticas ou industriais. No Audi, segundo a estimativa do fabricante (e tendo em conta o depósito de combustível de 75 litros) é possível usufruir de 1400 quilómetros de autonomia, isto já somando os 56 quilómetros em modo EV (dados oficiais), com carga total na bateria. Os valores impressionam, mas estão longe da realidade. Com a bateria carregada a 100% (a despesa do carregamento durante 8 horas com potência contratada de 10,35 kV4 e bi-horário é de 1,70 €), sempre em modo EV, sem entrar na autoestrada, esgotámos o modo EV aos 35 km. Nada mau.
O Cayenne, com a bateria completamente cheia, fica um pouco abaixo (fez 25). Para começar, os 3,4 l/100 km de média que a Porsche anuncia (emissões respetivas de 79 g/km) são utópicos, sendo muito mais realistas os 8,2 l/100 km que apurámos durante a realização do nosso teste.
Qual é o mais dinâmico?
Apesar da ligeira supremacia nas prestações, é na dinâmica que o Porsche ganha vantagem decisiva neste confronto, pois curva melhor que muitas berlinas, fazendo muitas vezes esquecer a envergadura e o peso do carro que temos em mãos, com o chassis a reagir rapidamente às variações da belíssima direção.
Este particular torna-se um pouco ingrato para o Q7. Explique-se: dentro do género mastodonte, o SUV da Audi é competente em termos dinâmicos, deixando-se conduzir com fluidez impressionante para carro com esta estrutura/peso, mas a carroçaria adorna mais nas transferências de massas e as travagens em apoio provocam algum desequilíbrio no chassis e verifica-se inércia superior na saída das viragens quando comparado com o Porsche. A juntar a tudo isto, a direção é também menos direta e mais filtrada. Nada disto espanta, pois o Q7 dá primazia ao conforto, enquanto o Cayenne dá primazia ao conforto... e à dinâmica.