Parece não soar tão bem em português como no inglês «out of the box». Mas é a ideia que queremos deixar destes dois verdadeiros outsiders em segmento de quase total hegemonia germânica. São Audi A4, BMW Série 3 e Mercedes-Benz Classe C mais frequentemente eleitos como referências familiares, também muitas vezes devido ao controlo das locadoras/financeiras que conseguem, junto das empresas, propor os referidos modelos alemães a rendas/mensalidades mais baixas, suportadas num futuro valor de retoma mais alto.
Ou seja, mesmo que mais caros à cabeça, Audi, BMW e Mercedes terão valor residual mais elevado que Alfa Romeo Giulia ou Lexus IS 300h, ficando os modelos aqui representados muitas vezes excluídos da escolha, impedindo-se, assim, que exista mundo fora da caixa alemã.
O certo é que, em tempos de afirmação de personalidade e distinção, Alfa Romeo e Lexus partilham presenças em campeonato de superior exclusividade, com ofertas muito próprias e de qualidades já bem consistentes. No caso do Giulia, além do design marcante e de uma vasta lista de opcionais e elementos de personalização, é impossível ficar indiferente ao estilo da versão Veloce. Que, em Diesel, surge exclusivamente associada à variante mais potente do motor 2.2 Diesel (210 cv), caixa automática de 8 velocidades e esquema de tração integral.
Ao seu lado, o atualizado Lexus IS 300h, com não menos efusiva variante F Sport+, que à semelhança do Giulia Veloce faz-se valer de semblante desportivo de caráter único, tanto por dentro como por fora. Ao que soma a forma de ser e de estar da marca no mundo, com representação (nacional) exclusivamente a cargo de grupo propulsor híbrido.
Neste mundo de diferenças tão extremas entre si, e entre os dois e os restantes, não deixa de ser curioso que as versões em confronto surjam com preços tão aproximados. Mas é do Lexus a melhor relação preço/equipamento, aproveitando a menor incidência fiscal do ISV sobre a componente CO2 (e também não será de deixar de lado o inferior valor de IUC, menos 53,66 €/ano), sendo um dos fatores que fazem os híbridos a gasolina ganhar interesse entre nós.
Fartos recheios
Embora sem muita margem de manobra na personalização (em alternativa, apenas interior forrado a pele vermelha escura em vez de preto e a inclusão de pack recheado de tecnologias de apoio à condução), o Lexus IS F Sport+ destaca-se pelas poltronas dianteiras confortáveis e ergonómicas, com ajustes elétricos, aquecimento e ventilação, além do aceso mãos-livres, faróis tri-LED, apurado sistema de som com 10 altifalantes, leitor de DVD, câmara de ajuda ao estacionamento, sistema de navegação com visualização 3D e monitor central do infoentretenimento de 10,3’’ com comando (pouco prático...) por joystick localizado entre os bancos dianteiros.
No Giulia Veloce é preciso pagar tudo isto à parte, embora o Alfa Romeo se distinga pela superior dotação de equipamentos de segurança. O habitáculo é menos complicado que o do Lexus, com o comando rotativo do sistema de infoentretenimento a mostrar-se como a forma mais direta e fácil de utilizar. Há assuntos em que quanto mais se tenta inventar, mais se complica... Os genes Alfa Romeo estão bem patentes no formato da instrumentação, com velocímetro e conta-rotações a nascerem do fundo de dois túneis, como no passado. O botão de ignição no volante é apenas mais um pormenor da índole desportiva da versão Veloce, expressada pelo formato dos bancos em pele (de série), embora haja que pagar as patilhas no volante que comando a caixa de velocidades automática.
Alma desportiva
Para purificação da alma desportiva, disponibilidade de elementos extra, caso de amortecimento variável, jantes de 19’’ ou diferencial autoblocante no eixo traseiro, tudo capaz de elevar a condução a patamares de peculiar entusiasmo, mesmo pagando-se a fatura com firmeza excessiva no mau piso e desconforto no dia-a-dia. Além de que, devido à impossibilidade de desligar o ESP, o Giulia deve ser conduzido de forma rigorosa e certeira, aproveitando-se o condutor da mais-valia da tração integral e consequente excelente motricidade para poder conduzir de forma muito rápida e segura. Algo que surge mais evidente em pisos de menor aderência, não existindo qualquer pejo por parte do chassis e da extremamente direta direção em lidar com a pujança da mecânica Diesel (ver valores de acelerações), embora algo ruidosa quando dela se pede o máximo desempenho. E as médias de consumo dificilmente descem dos 7,5 l/100 km.
Na Lexus, revelação de distintos valores em estrada. A tração está apenas entregue às rodas traseiras e a transmissão é do tipo CVT, lidando melhor com estilos de condução mais calmos que se coadunam com o tato aveludado com que o IS pisa a estrada. O sistema híbrido possibilita alguns momentos com o motor 2.4 a gasolina desligado, o que ainda acrescenta suavidade, além de contribuir para consumos contidos, abaixo da maioria dos Diesel de semelhantes performances. Pedindo-se, todo o conjunto surpreende pela facilidade de condução em ritmos acelerados, com ótima motricidade e excelente leitura da estrada no modo de condução Sport, que não colide com a ligeireza em cidade.