Sim, os preços dos modelos que aqui chamamos a exame são bastante elevados quando comparados com modelos idênticos equipados com convencionais motores de combustão interna (o novo smart fortwo eletric drive [ED] é cerca de 3000 euros mais caro do que a versão a gasolina de 90 cv, com prestações comparáveis), significando que, equacionando apenas o preço de aquisição e o consumo energético, a maior rentabilidade da compra de um elétrico compensará depois de percorridos 40.500 km. Façamos as contas: no smart fortwo ED, ao custo da energia elétrica de rede doméstica (estimam-se 0,155 €/kWh), com consumo médio anunciada para o bilugar elétrico de 12,9 kWh/100 km gastam-se 2 €/100 km. Por seu turno, na versão com o referido motor a gasolina de 90 cv (ao preço do combustível de 1,470 € e o consumo médio real de 6 l/100 km, medido em teste em AUTO FOCO n.º 913), gastam-se 8,82 €/100 km. Apenas assim, já dá bem que pensar…
Mas, há mais mais trunfos a acrescentar à lista de competências dos carros elétricos. Por exemplo, a não produção, de forma direta, de emissões poluentes, contribuindo para melhor qualidade do ar, orgulho que se poderá ostentar ao arrancar dos semáforos da cidade, a rolar nas estradas nacionais ou a fundo nas autoestradas. É que a condução destes dois modernos elétricos, também, tem isso: resposta instantânea à pressão no pedal da direita e acelerações de... míni foguete.
No novo eletric drive da smart, escondida sob os bancos - ajudando na otimização da distribuição do peso entre eixos e baixando o centro de gravidade -, está a bateria composta três módulos com 32 células de iões de lítio, que fornece de energia o motor elétrico que gera 60 kW, os tais 82 cv que dão a este smart genica que envergonha alguns dos seus semelhantes. Não dá mais de 130 km/h, é certo, mas como elétrico que se preza, tem chispa: o elétrico consegue mesmo retirar 0,5 segundos ao registo da versão de 90 cv na medição de 0 a 50 km/h e 0,2 segundos aos tradicionais 0-100 km/h.
O ZOE da Renault, com muito mais lastro para puxar, não pode ser tão despachado. Atrasa-se quase um segundo de 0 a 100 km/h, mas não é muito mais lento na retomas. O Z.E. 40 tem bateria com capacidade para 41 kWh, quase duplicando o rendimento da bateria standard de 22 kWh, a anos-luz do smart ED (a capacidade da pilha é de 17,6 kWh). Os engenheiros e químicos da Renault e da LG Chem aumentaram a densidade energética das baterias de iões de lítio, cumprindo o objetivo sem beliscarem fiabilidade e segurança ou os trunfos que o modelo já detinha para se afirmar como automóvel de todos os dias, com 4,08 metros de comprimento, cinco portas, cinco confortáveis lugares e bagageira com mais do que suficientes 338 litros.
Como no modelo original, o novo ZOE conduz-se com muita facilidade, de forma intuitiva e simples. E as baterias recarregam nas etapas de desaceleração e travagem. Também por isso o ritmo de recuperação de energia está diretamente relacionado com o tipo de trajeto. Ou seja, ao contrário do que acontece nos convencionais automóveis equipados com motores de combustão, no elétrico ZOE é o para arranca da cidade que é mais amigo da autonomia.
Autonomias esticadas
No smart eletric drive, a mesma lógica: a autonomia estica ou encolhe consoante tipo de percurso e o estilo de condução. E se o bilugar seduz ao servir condução com níveis superiores de agilidade e precisão, com as dimensões de palmo e meio e o diâmetro de viragem que o tornam peixe na água em cidade, além de um viciante silvo que acompanha o funcionamento do motor em aceleração, perceba-se que o pé demasiado pesado sobre o pedal da direita faz com que a quilometragem da autonomia estimada se esfume!
A smart anuncia 150 km de autonomia para o fortwo elétrico, distância que nunca conseguimos alcançar... Nem com recurso ao comando ECO que ativa modo de condução muito eficiente, que reduz a velocidade da climatização, aciona o nível máximo de recuperação de energia durante desacelerações e travagens, diminui a sensibilidade do acelerador. Perde piada, mas estende o raio de ação. Em ambiente urbano, com as constantes desacelerações que contribuem para a recarga da bateria, apontar sempre para a centena de quilómetros poupa-nos sustos. O fortwo ED não faz muito mais com uma carga. E este será sempre o primeiro grande handicap, sobretudo quando o comparamos com automóvel que pode percorrer esta distância três vezes!
O Renault ZOE, com bateria nova, batizada com o nome «Z.E. 40», anuncia 400 km de condução exclusivamente elétrica, sem emissões de gases de escape, cumprindo, na prática, comprovado por nós, nas condições de utilização do quotidiano, cerca de 300 km de condução na urbe. Exatamente como acontece na bateria standard, 30 minutos de ligação à corrente a permitem 80 km de condução elétrica.