A Audi percebeu o potencial e o êxito da fórmula de miniaturização do conceito da moda e, de Q em Q, foi descendo do 7 ao 2, para finalmente passar a oferecer SUV ‘modernaço’, que é 12 cm mais curto que o A3, usa a mesma plataforma técnica, motorizações e panóplia de tecnologias de segurança e conetividade, com o objetivo claro de copiar-lhe também... o sucesso!
A Mini fez exatamente o contrário. Pegando em muitos dos ingredientes que ditaram o sucesso de automóvel que é a interpretação moderna de modelo icónico na história da marca inglesa, aumentou a fórmula. O Countryman é Mini que se estica já bem para lá dos 4 metros.
Comparado com o original lançado em 2010, esta nova geração Countryman ainda conta com mais de 20 cm de comprimento e 75 mm entre eixos. O crescimento de dimensões do Countryman melhorou tanto a habitabilidade como a capacidade de carga, com o volume da mala a atingir os 450 litros (mais 100 litros) na configuração normal do interior de 5 lugares. Rebatendo-se os encostos dos bancos posteriores, na proporção 40-20-40, 1390 litros disponíveis para arrumações (mais 220 litros do que na 1.ª geração). Os assentos traseiros são reguláveis longitudinalmente (até 13 cm) ou em inclinação, o que melhora conforto e o elogiado espaço a bordo, que é agora ainda mais desafogado.
O Q2 é, tecnicamente, um automóvel muito próximo do A3, o que quer dizer que tem a serviço evolução da multitada plataforma MQB, com via traseira 3 cm mais larga e com a mesma distância entre eixos. No habitáculo, a oferta de espaço é também generosa, mais à frente do que atrás, com bancos traseiros em posição sobrelevada, o que cria um agradável efeito de anfiteatro, além de deixar o volumoso túnel de transmissão mais distante de causar transtorno. As costas dos bancos do Audi podem rebater em 60/40, ampliando a capacidade do porta-bagagens até aos 1050 litros, a partir dos muito razoáveis 405 litros que são o volume de carga na configuração simples de cinco ocupantes a bordo. Mesmo assim, volumetria inferior à que oferece o Mini, que também é automóvel com mais e melhores soluções de modularidade e funcionalidade no seu interior.
Nesta versão One D, o Countryman tem sob o capot motor Diesel com apenas 3 cilindros e 116 cv. Nada a apontar ao desempenho do 1.5 turbodiesel, o qual é ótimo argumento, quer pelo baixo ruído de funcionamento (com start-stop), quer pelas prestações, bem auxiliado pela transmissão manual de 6 relações com engrenamento firme, mas muito certinho. E curto, como convém, para espevitar a mecânica. Mas, o bom chassis do Mini maior aguenta (muito!) mais. O turbodiesel é progressivo desde baixo regime, com força (270 Nm) logo às 1750 rpm. Nos patamares intermédios desenrasca-se muito bem a puxar quase tonelada e meia de automóvel. E, ativado o modo de condução Sport, ganha músculo para rubricar prestações convincentes, com 0-100 km/h em pouco mais de 10 segundos e retomas globalmente despachadas, tendo em conta que este Mini não é nenhum peso-pluma. E, nos consumos, notam-se os quilinhos a mais. Para motor com esta arquitetura, a disponibilidade da mecânica é enorme em baixo regime, sobretudo nas mudanças inferiores, mas os exageros do pedal da direita pagam-se, claro, na fatura do gasóleo.
A escassa potência e binário (116 cv/250 Nm) da mecânica TDI que equipa o Q2 não condiciona tanto acelerações e retomas, como comprovam os melhores valores aferidos em todas as medições por nós efetuadas. O Audi é 1 segundo mais rápido a cumprir 0-100 km/h, e a arrumar quase todas as recuperações. É ao volante do automóvel dos quatro anéis que é possível fazer uma condução mais fluida, sem excessiva utilização da caixa manual de 6 velocidades, que é certinha e muito bem escalonada, a permitir ótimo aproveitamento de mecânica que apenas se revela bem mais afoita já para lá das 3000/3200 rpm. Depois, não sendo o motor mais silencioso da categoria, será, por certo, um dos mais económicos. No decorrer do nosso ensaio comparativo: poupança de meio litros de gasóleo a cada 100 quilómetros ao Mini.
No Audi, a afinação de amortecimento tem ênfase na firmeza para restringir os movimentos transversais da carroçaria nas transferências de massa mais fortes, como as que sucedem nas mudanças de direção, em curva, por exemplo, mas não provoca prejuízo grave ao conforto de rolamento. O Q2 é um SUV especialmente ágil perante os da sua espécie, Qashqai incluído. Para essa eficácia, contribui, igualmente, a precisão da direção progressiva, em que a assistência varia segundo a velocidade e também o ângulo de viragem do volante, o que quer dizer que a desmultiplicação é inferior quando os movimentos com o volante são mais amplos.
No Mini, menor leveza. Todos os comandos têm peso (direção, caixa, pedais...), bem ao jeito de quem gosta de sentir o automóvel. A saúde do chassis também chega e sobra para o desempenho da mecânica, mantendo-se sempre muito estável e com ótima aderência. A plataforma do Countryman é a mesma que serve o BMW Série 1 ou o X1, com esquema McPherson à frente e eixo multibraços atrás, mas as afinações da suspensão diferem das usadas pela marca bávara, com ajustes para vincar o caráter mais desportivo que associamos ao emblema britânico, garantindo bons momentos de condução, sem oscilações exageradas da carroçaria em curva e com feeling acima da média. E as jantes de 17 polegadas (Channel Spoke: 609 €) são, provavelmente, o melhor acerto entre conforto e dinâmica. Mas, não tendo a agilidade divertida dos seus imãos rasteirinhos, mostra-se também mais molengão que o mais pequeno dos Q.