Numa categoria em que o estilo conta muito, a modernização do design foi um dos elementos primordiais na renovação do SX4 S-Cross, em que as mexidas mais relevantes foram na secção dianteira, onde se destaca o capot, a grelha e as óticas redesenhadas, estas a estrearem faróis com luzes LED, tecnologia de iluminação igualmente contida nos farolins traseiros, que são os únicos elementos novos nesta parte da carroçaria. Assim, imagem, claríssimo ponto a favor. Fundamental, para não destoar de concorrência bonitinha e muito aprumada.
O CX-3, por exemplo, tem provavelmente design dos mais bem conseguidos e interessantes na classe, porventura a melhor interpretação da linguagem Kodo, a assinatura de estilo atual da Mazda, com destaque para elemento distintivo que é a ilusão de uma superfície vidrada contínua dada pelo pilar C de cor preta. Fica a matar nesta carroçaria de reduzida altura e linha de cintura elevada, mais meia dúzia de truques habitualmente utilizados em carros com outras pretensões desportivas... O CX-3 é modelo baseado no 2, utilitário com que partilha plataforma, distância entre eixos de 2,57 m e a maioria dos componentes técnicos. Já as dimensões exteriores cresceram, um bom palmo, mesmo sendo automóvel mais baixo e estreito que o SX4 S-Cross. Num e noutro, sobram centímetros em todas as direções à frente e atrás, sentando três adultos de estatura média no banco posterior sem apertos. Todavia, a fita métrica revela diferenças: o S-Cross é mais acanhado em altura ao tejadilho, porque os assentos estão em posição sobrelevada beneficiando a visibilidade para todos os ângulos da estrada. Mas, o Suzuki acaba por se impor, sobretudo atrás, na distância para as pernas, com mais 14 cm livres, medida que não é pequena considerando que são modelos compactos em que todos os centímetros contam. Na largura à altura dos ombros também vantagem Suzuki: 134 cm contra 125 no interior do Mazda. Na volumetria da bagageira, em configuração do habitáculo para cinco lugares, 430 litros disponíveis no Suzuki; menos 80 litros no Mazda…!
Quais são, afinal, as virtudes do habitáculo do modelo fabricado em Hiroshima? Apresentação e conceção, claramente. Enquanto o interior do Suzuki não prima pela originalidade, com profusão de plásticos durinhos, perdendo para a concorrência. O Mazda tem mais superfícies agradáveis ao toque e com outra perceção de qualidade, acabamentos e robustez. Depois, o CX-3 tem painel que integra o condutor mais no posto de condução. A posição sobre o volante é correta, muito perto do asfalto e a envolvência convence, como se exige em automóvel com outras pretensões no capítulo dinâmico. A japonesa Mazda há muito já percebeu ter na maneabilidade dos seus automóveis autêntico ponto forte, conseguindo sempre tipo de ligação homem/máquina/estrada bem apreciado, independentemente do formato. O chassis é brilhantemente afinado e o Mazda também dispõe de uma direção com um feeling elétrico, mas surpreendentemente fidedigno. Se há pequeno SUV que dá prazer conduzir, em cidade ou fora dela, é este.
A plataforma do SUV da Suzuki é a mesma que serve de base ao Vitara. E é muito interessante a estabilidade com que nos brinda o novo SX4 S-Cross. A suspensão também se revela mais compreensiva no relacionamento com os maus pisos e o amortecimento, que privilegia o conforto, não implica deficiente eficácia em curvas. Nestas, o adornar da carroçaria é bem restringido, mas não tem a agilidade do Mazda. Oferece, por outro lado, maior liberdade de movimentos, safando-se muito melhor numa qualquer escapadela por trilhos não asfaltados. No Suzuki é o sistema Allgrip Select que permite ao utilizador ajustar o funcionamento da tração integral às condições do momento, e às suas próprias exigências de condução. Controlado eletronicamente, o sistema oferece quatro modos de utilização (Auto, Sport, Neve e Lock – este último adotando repartição fixa do binário entre os eixos) selecionáveis através de comando rotativo na consola. Nesta versão de topo do Mazda também há quatro rodas motrizes. Através de unidade diferencial específica (atrás) e por embraiagem multidisco, o sistema i-Activ AWD de nova geração determina o grip necessário para cada eixo/roda e gere a entrega do binário em função das necessidades. A passagem de binário para as rodas traseiras é feita automaticamente (acoplamento viscoso) e gerida, então, de forma eletrónica. É sistema de reconhecida eficácia, que acrescenta credenciais dinâmicas ao compacto modelo em pisos de aderência precária, com chuva ou mesmo por estradas enlameadas. Não está gizado para condução off-road.
Sob o capot, o S-Cross tem motor de 1,6 litros de origem Fiat Power Train, que além de não ser muito refinado também não está devidamente isolado, compensando com surpreendente e rápida resposta ao acelerador, mostrando raça desde as 1800 rpm.
No Mazda, o 1.5 Skyactiv-D, turbodiesel com 105 cv, mostrou funcionamento linear e bom entrosamento com caixa automática de 6 velocidades.