Testámos recentemente a 5.ª geração do Seat Ibiza e ficámos muito impressionados com a evolução do utilitário espanhol, afirmando inclusive tratar-se de um dos melhores produtos da categoria. Uma avaliação que assentou no aumento de espaço no habitáculo e na bagageira, além de maior qualidade geral e mais e melhores conteúdos tecnológicos. Não poderia haver melhor escolha para avaliar o novo Ford Fiesta. Vejamos o que dá este confronto de duas importantes novidades no mais relevante segmento do mercado nacional.
Começando pela habitabilidade, tema fulcral quando percebemos que os novos utilitários são muitas vezes (e cada vez mais...) os únicos carros de família, destaca-se o Seat Ibiza. Nos lugares dianteiros, os rivais equivalem-se, mas quando medimos o espaço nas posições traseiras, a 'coisa' complica-se para o Fiesta: no comprimento para pernas, mais 10 centímetros para o Ibiza, diferença que aumenta para 13 centímetros quando tiramos as medidas ao espaço em largura. São diferenças muito importantes e que acabam por ter peso decisivo no desenlace deste confronto. Recuando mais um pouco, até à bagageira, o Seat volta a dar uma 'tareia' no Ford, com compartimento com mais 52 litros, diferença que sobe para 181 com o rebatimento dos encostos dos bancos traseiros.
Mas não se pense que o Fiesta é parente pobre no que toca ao habitáculo, pois quando avaliamos ao pormenor a qualidade dos materiais utilizados, o Ford até consegue alguma vantagem. Isso é particularmente notório no revestimento do tablier, que o Fiesta exibe uma borracha mais mole. Contudo, nas portas, prolongamento da consola central, Ibiza e Fiesta copiam-se no tipo de plástico utilizado: rijo e não muito agradável ao toque.
Em termos de solidez, os habitáculos parecem solidamente semelhantes numa primeira apreciação, mas quando começamos a exercer pressão em algumas zonas, percebemos que não é bem assim: os revestimentos do pilar A e do teto do Ford são bem mais sólidos que as mesmas posições do Seat. O Fiesta merece ainda um louvor pela solidez do conjunto de luzes no teto, algo pouco habitual em produtos deste segmento. Mas há mais pontos a favor da nova geração do Ford Fiesta, como por exemplo a ergonomia.
O utilitário da oval azul tem todos os comandos relativos à condução bem distribuídos e perdeu (e ainda bem) inúmeros botões no habitáculo que tornavam muito confusa a utilização de diversos sistemas. Agora, com o inédito ecrã tátil de 6,5 polegadas posicionado no topo da consola central, tudo fica mais facilitado. E é ainda imperioso fazer uma referência à ótima posição do ecrã, o qual permite utilização sem tirar os olhos da estrada, algo que não acontece no Ibiza, cujo ecrã tátil se encontra numa posição muito mais baixa na consola, obrigando a baixar demasiado o olhar para o utilizar, o que acarreta alguns riscos para a condução.
Numa altura em que estes sistemas são cada vez mais procurados e apreciados, é obrigatório começar a existir uma maior preocupação no posicionamento dos ecrãs. E nisso, neste Fiesta em particular, a Ford está de parabéns. Já o mesmo não podemos dizer em relação ao equipamento de conforto, muito pobrezinho, com destaque pela negativa para o ar condicionado (manual) ou os vidros elétricos traseiros pagos à parte (127 €). No Ibiza, os quatro vidros laterais são elétricos e o ar condicionado é automático bizona. Introduzindo também aqui o equipamento de segurança, há que realçar que o Fiesta tem de série Assistente de Faixa de Rodagem, algo que não encontramos no Ibiza, sendo que o carro espanhol responde com faróis LED, cruise control e sensores de chuva/luz.
No Ford, tudo isto é pago à parte. Impõe-se, porém, referir que a campanha de lançamento do Fiesta inclui 800 € em equipamento à escolha do cliente da lista de opcionais. Ora, por 813 €, podemos adquirir, por exemplo, o cruise control adaptativo, o sensor de chuva e o alarme. E as contas neste particular já ficam mais equilibradas.

Motores de parabéns
Ambos os automóveis aqui analisados utilizam mecânicas de 3 cilindros a gasolina acopladas a caixas manuais de 6 velocidades. No Ibiza, 1.0 TSI de 115 cv/200 Nm, no Fiesta 1.0 EcoBoost de 125 cv/170 Nm. As medições de acelerações e recuperação que efetuámos a cada um dos carros, mostraram que a maior potência nem sempre se traduz em maior rapidez, pois o menos potente Ibiza demora menos a atingir velocidade superior. Por outro lado, o automóvel espanhol faz bom uso do maior binário da mecânica TSI para garantir retomas mais lestas.
Valha a verdade que o motor do Fiesta tinha poucos quilómetros, o que acreditamos poderá ter pesado na menor desenvoltura, bem como agravado os consumos. Para o Ford, apurámos média de 6,7 litros a cada cem quilómetros, enquanto para o Ibiza verificámos média de 5,9 l/100 km, uma diferença importante que acreditamos que não deverá ser assim tão grande em unidades com quilometragem equivalente. A confirmar noutra ocasião. Por fim, ainda sobre as performances dos motores, há que dizer que as velocidades máximas anunciadas são exatamente iguais: 195 km/h.
Gostámos muito do 'pisar' do Fiesta, sendo o chassis um dos seus pontos mais fortes, garantindo condução segura e muito divertida, mercê do grande equilíbrio nas respostas às mudanças de direção, praticamente não adornando. Também o Ibiza nos convenceu no desempenho dinâmico, mas no limite não é tão ágil quanto o Fiesta. Mais: calçado com pneus de baixo perfil montados em jantes de 18 polegadas, o automóvel da Seat tem pisar demasiado firme que penaliza o conforto, o que torna a sua utilização menos equilibrada que a do Ford. Este tem aquele tipo de amortecimento que (quase) encontramos nos automóveis 'premium', ou seja, uma firmeza confortável que se carateriza por contacto sólido com o asfalto, ao mesmo tempo que garante filtragem ótima das imperfeições do mesmo.
Nota final para a diferença pontual que atribuímos nas garantias: o Seat oferece cobertura de 4 anos ou 80 mil quilómetros, uma proposta bastante mais amigável que os dois anos sem limite de quilómetros do Ford.