De um lado a Renault Sport, do outro a Brabus, a trabalharem exatamente sob a mesma base, apesar da opção por alguns conteúdos bem diferentes. Sob o ponto de vista estético, aliás, cada qual opta por detalhes particulares e com divergências assinaláveis que se veem no desenho das óticas, grelhas, difusores, faixas de decoração e nas jantes, por exemplo.
Há, de facto, um mundo de pormenores muito distintos, que diverge também através dos conteúdos presentes no habitáculo (materiais, tecidos, luzes e grafismo dos ecrãs) e ao nível dos próprios equipamentos, tendo a smart um catálogo mais recheado, embora se faça pagar por isso. Só a linha Xclusive, por exemplo, custa 3100 € (presente no modelo testado), adicionando bancos desportivos forrados a couro e tablier com revestimento a imitar esse material; no Twingo GT, por outro lado, os bancos são em tecido e há uma espécie de rebordo em pele sintética (no friso branco). Mais luxuoso, portanto, o smart!

Outra grande diferença reside no facto do smart preparado pela Brabus integrar teto de abrir (elétrico, por 670 €; panorâmico fixo de série), elemento que na Renault é proposto por 950 €. Outra das opções a considerar no Twingo diz respeito à navegação R-Link Evolution (1000 €) com ecrã tátil, uma vez que o rádio Connect R&Go de base é mais simplório, apesar de ter entradas USB, Bluetooth e suporte para smartphone.
Nota-se assim que o modelo subsidiário da Daimler (igualmente proprietária da Mercedes-Benz) é mais exclusivo do que o adversário da Renault e isso também se entende no denominado preço base (menos 4210 € no Twingo), assim como no valor final das versões em exame, numa diferenciação que se acentua à medida e ao gosto de cada um dos preparadores, em conformidade com o nível de equipamento pretendido. E é exatamente por aí que se perspetiva, então, a tal separação à nascença, uma vez que o berço das novas gerações Twingo e Forfour é o mesmo: a fábrica da Renault na Eslovénia (Novo Mesto), por acordo efetivado entre a marca francesa e a Daimler.
Iguais na estrutura e na conceção (tração e motor atrás), ambos têm ligeira diminuição da altura ao solo às versões convencionais (10 mm no smart e 20 mm no Renault), assim como afinações específicas das suspensões (eixo de Dion atrás) com outros amortecedores e maior firmeza de molas, mesmo que não haja grande exagero a esse nível. Afinal, estamos na presença de citadinos!
Tanto num caso como noutro, as medidas dos pneus (Yokohama BlueEarth) são exatamente iguais: 185/45 à frente e 205/40 na traseira, encaixados em jantes de liga leve de 17’’, os quais garantem ótima aderência (também graças ao perfil), apesar de menor conforto em mau piso, aí com batidas secas em certas ocasiões. Também há mexidas de ordem eletrónica, quer nas assistências (elétricas) das direções, quer nas calibragens do ABS e do ESP (controlo de estabilidade), mesmo que a intervenção deste último seja demasiado assídua, ou seja, com fraca tolerância nas curvas abordadas à pressa e sem permitir que haja quaisquer derivas. Nada de drifting! Nada disso, apesar da proclamada tração atrás.
O rigor e a estabilidade dinâmica são assim pontos prioritários, tendo em conta o formato estreito e a reduzida distância entre eixos de cada um dos modelos. A maior ligeireza do trem da frente pode gerar sensações de condução um pouco diferentes das habituais (das dos tração à frente), mas a manobrabilidade em causa é assombrosa, ao raio de viragem de 4,3 metros. Imbatível!

As afinações do chassis e das suspensões do smart (Brabus Performance) aparentam ter eficácia um nadinha acima das do Twingo, mas ambos têm um coração forte e... revigorado, graças à otimização do bloco TCe de 898 cc ao nível da cartografia eletrónica (admissão e refrigeração), assim como no aumento do regime de rotação do turbo (no smart, existem mais vibrações ao ralenti que se sentem nos bancos, volante e pedais).
A citada evolução passou a configurar a potência de 110 cv (a smart anuncia 109 cv) e o binário máximo é de 170 Nm a partir das 2000 rpm. No Twingo GT, essa força é bem gerida pela transmissão manual que adota novos rapports, sendo rápida e precisa. Mas é nesse aspeto que o smart Brabus se distancia do Twingo ao propor nova caixa automática de dupla embraiagem (twinamic com modo Sport).
De facto, até parece que se está a conduzir outro carro, graças à rapidez de atuação da transmissão e à forma como aproveita todo o potencial do motor. Maior cadência e outro impulso! E o consumo médio nem sequer é muito diferente...