Tão aristocratas e ao mesmo tempo tão populares! Assim seguem as tendências dos automóveis de hoje. Ou seja, quanto mais SUV melhor... Nada contra, tanto mais se as propostas em questão reunirem credenciais mecânicas e de conforto (bem) acima da média. E é o caso! A evidência é óbvia no Macan: primeiro porque se trata de um Porsche e, logo depois, porque se trata do Macan, cuja base orientada a partir do Audi Q5 projeta o melhor que o grupo alemão da VW sabe fazer. Com certas afinações e alguns pozinhos da Porsche, ei-lo que disputa o topo da categoria e do formato tão em voga, entre vários adversários influentes e de... peso, como, por exemplo, o próprio Stelvio da Alfa Romeo (de 2017), além do F-Pace da Jaguar, GLC da Mercedes-Benz ou do 7 Crossback da francesa DS, entre outros.
Mas, nada de desculpas, apesar do tamanho e do peso, o Macan continua a ser um Porsche, sem que possa abdicar dessa raiz genética, apesar da conceção já datada (de 2013), que se nota no lado de dentro. A qualidade geral dos materiais não está sequer em causa, numa aparência acima da do Stelvio (à vista e ao tato), embora a decoração não seja muito vanguardista (e alguns conteúdos idem!), ainda mais se se tiver em conta o que já existe noutros automóveis de topo, em termos de ecrãs, tablets e monitores táteis ligados aos sistemas de infoentretenimento e climatização.
Quer num caso, quer noutro, não há grandes rasgos de estilo ou de desenho no habitáculo (à frente e/ou no posto de condução), ao mesmo tempo que as dimensões dos ecrãs não são muito grandes (ao centro do tablier), incluindo alguns ícones estreitos e menus pouco práticos. É pior no caso do Stelvio, cujo inter é gerido por botão rotativo na consola, tendo alguns comandos lentos e grafismo pouco moderno.
No que se refere a certas mordomias, a lista de opções é extensa em ambos, embora o Alfa Romeo tenha um preço base inferior, logo com vantagens no que é possível juntar em termos de equipamentos. E, por aí, poderá ser um melhor negócio, uma vez que as restantes qualidades estão bem próximas das do adversário de Estugarda.
No que diz respeito à habitabilidade, funcionalidade e espaço para bagagens, as diferenças não são flagrantes, antes pelo contrário. O Stelvio regista alguns centímetros a mais na distância para as pernas atrás e a volumetria da mala alcança 25 litros adicionais, embora formato/configuração dessas zonas sejam semelhantes. Quase cúmplices!
Mas há, ainda, outras semelhanças importantes, que dizem respeito às mecânicas envolvidas, mormente aos motores a gasolina de igual cilindrada (2.0 litros, 4 cilindros) com potências distintas, a par da tração integral e caixas automáticas de 7 e de 8 relações. O maior rendimento do Stelvio (280 cv, 400 Nm) é bem explícito na melhor capacidade de aceleração (1 segundo a menos até 100 km/h do que no Macan) e nas retomas de velocidade aferidas, inclusive quando se ativa o modo Dynamic, tendo o SUV da Alfa Romeo um desempenho eficaz, rápido e mais entusiasta do que o Porsche. Veja-se só! O tato da direção é direto, assim como a resposta da mesma aos movimentos aplicados (às vezes demais!), ao mesmo tempo que a firmeza da suspensão e do chassis provocam atitudes com critério. Previsíveis, seguras e eficazes. A elogiar! As reações são ágeis (tração é atrás, passando à frente se necessário, até 50%), e a unidade motriz reage sempre muito bem, empurrada pela rapidez de atuação da caixa automática, cuja ação sequencial é apenas beliscada pelo tamanho (e posição fixa) das patilhas junto ao volante. Pormenores!
No Macan, a caixa PDK de dupla embraiagem também é dedilhada em patilhas no volante, mas o tamanho é menor e o toque menos metálico, incluindo forro na base, tendo acerto muito preciso e transições rápidas. Como sempre! O ímpeto do propulsor 2.0 de injeção direta (252 cv/370 Nm) é mais cordato (leia-se menos brusco), tendo até uma sonoridade menos expressiva do que no caso do adversário, embora sem grande prejuízo nas prestações, ainda assim com desempenho um nadinha inferior (red-line até às 7000 rpm) ao Alfa. O registo oficial da velocidade máxima é quase coincidente com a do Stelvio (230 km/h) e é possível manter andamentos elevados sem esforço, mesmo que o consumo se possa ressentir. O efeito velejar da caixa PDK atenua esse sintoma (também no Stelvio), mas já se sabe que o contexto não é favorável. É plausível obter entre 9 a 12 litros por cada 100 km, patamar que o Alfa Romeo também atinge com intervalos parecidos: de 8,6 a 12,9 l/100 km. Por fim, a grande qualidade de condução do Macan é fator a ter conta, a par do maior conforto da suspensão variável (PASM) e da melhor insonorização a bordo.